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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu186109
Banca
VUNESP
Órgão
SP Regula
Ano
2023
Cargo
FSP ( )

Aflições paulistanas

 

Complexa e multifatorial, a percepção de insegurança em uma sociedade combina experiências pessoais e de seu círculo próximo; estereótipos e preconceitos sobre regiões e classes sociais; a amplitude do noticiário sobre violência na mídia; e, por óbvio, a constatação matemática dos atos criminosos.

 

Esse amálgama difuso está no cerne da pesquisa Datafolha que apontou a violência como a maior preocupação dos paulistanos. Para 22% deles, a segurança pública é o maior problema da capital. São 10 pontos percentuais a mais em relação ao último levantamento, de 2020, e 6 pontos à frente da saúde – tema que liderou as aflições dos moradores nos últimos 11 anos. Vêm na sequência transporte coletivo (8%), educação (6%) e buracos na rua (6%). A margem de erro é de três pontos percentuais.

 

Estatísticas recentes da violência, embora não peremptórias, apontam possíveis explicações.

 

Dados do governo paulista sobre homicídios dolosos (alta de 2,3%) e roubos (queda de 2,4%) na capital mostram certa estabilidade entre o primeiro semestre deste ano e o de 2022. Já os latrocínios tiveram redução expressiva de 26,7%. Furtos (alta de 6,9%) e estupros (26%) são contraponto relevante – registre-se que este último delito é sempre passível de subnotificações.

 

Não à toa, o receio com a violência é ainda maior na região central, marcada nos últimos meses por tumultos, saques, protestos e recordes de furtos e roubos – notadamente de telefones celulares, prática disseminada por quadrilhas especializadas e que afeta, inclusive, as camadas mais pobres.

 

Há muito o que a prefeitura possa fazer. A situação urbana, com iluminação pública precária e proliferação da população de rua, reduz o ir e vir e amplia a sensação de medo.

 

Para os que almejam comandar a capital a partir de 2025, resta observar que os paulistanos seguem resilientes – 9 em 10 estão satisfeitos por morar na cidade –, mas apreensivos em relação a sua integridade física e de seus familiares.

 

(Editorial. Folha de S.Paulo, 04.09.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

   

Quanto ao sentido, a frase do 3o parágrafo – Estatísticas recentes da violência, embora não peremptórias, apontam possíveis explicações. – está corretamente reescrita em:

  1. AEstatísticas recentes da violência, porque indubitáveis, apontam possíveis explicações.
  2. BEstatísticas recentes da violência, mesmo que indiscutíveis, apontam possíveis explicações.
  3. CEstatísticas recentes da violência, como não duvidosas, apontam possíveis explicações.
  4. DEstatísticas recentes da violência, por mais que contundentes, apontam possíveis explicações.
  5. EEstatísticas recentes da violência, ainda que não definitivas, apontam possíveis explicações.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Estatísticas recentes da violência, ainda que não definitivas, apontam possíveis explicações.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase: o valor concessivo de "embora não peremptórias"

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que preserva o sentido da frase original, pois mantém a relação de concessão (ideia de ressalva/oposição) e o sentido de "não peremptórias" como "não definitivas". Como se lê no 3º parágrafo do texto: "Estatísticas recentes da violência, embora não peremptórias, apontam possíveis explicações" — o conectivo "embora" introduz uma concessão, e o adjetivo "peremptórias" significa "decisivas, conclusivas, definitivas". A reescrita "ainda que não definitivas" é a paráfrase fiel: "ainda que" é conectivo concessivo equivalente a "embora", e "não definitivas" é sinônimo de "não peremptórias".

A questão cobra reescritura de frase com manutenção de sentido — uma das habilidades mais cobradas em concursos. O comando é claro: "Quanto ao sentido, a frase [...] está corretamente reescrita em". Isso significa que a alternativa correta deve preservar integralmente o sentido original, tanto na relação lógica entre as ideias quanto no significado das palavras. Não basta ser gramaticalmente correta; é preciso ser semanticamente equivalente.

O trecho original tem duas partes que precisam ser analisadas separadamente:

  1. "embora não peremptórias" — a conjunção "embora" estabelece uma relação de concessão (fato que se admite, mas que não impede a conclusão). O adjetivo "peremptórias" significa "que não admite réplica, decisivo, conclusivo, definitivo". Portanto, "não peremptórias" = "não definitivas", "não conclusivas".

  1. "apontam possíveis explicações" — o verbo "apontar" indica que as estatísticas indicam, sugerem explicações, mas não as comprovam de forma cabal. Isso reforça a ideia de que as estatísticas não são definitivas.

A reescrita correta deve, portanto, manter a concessão (ideia de "apesar de") e o sentido de "não definitivas". A alternativa E faz exatamente isso: "ainda que não definitivas" — "ainda que" é conectivo concessivo, e "não definitivas" é sinônimo de "não peremptórias".

As demais alternativas erram ao trocar a concessão por causa (A, C) ou por concessão com sentido invertido (B, D), além de usarem sinônimos inadequados para "peremptórias".

Reescrita de frase
  • 1Relação lógica
    • Concessão (embora, ainda que, mesmo que)
    • Causa (porque, como) — ❌ troca o sentido
  • 2Sentido de "não peremptórias"
    • Não definitivas (E)
    • Indubitáveis/indiscutíveis — ❌ antônimo
    • Contundentes — ❌ não equivale
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conectivo (causa em vez de concessão) e sinonímia inadequada.

A alternativa A usa "porque indubitáveis". O conectivo "porque" estabelece relação de causa, não de concessão. Além disso, "indubitáveis" significa "que não geram dúvida", ou seja, o oposto de "não peremptórias" (que não são definitivas). A frase original diz que as estatísticas não são definitivas, mas ainda assim apontam explicações; a reescrita A diz que elas são indubitáveis (sem dúvida), o que contradiz o sentido original. A banca trocou a concessão por causa e o adjetivo por um antônimo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: sinonímia inadequada ("indiscutíveis" = definitivas, não o contrário).

A alternativa B usa "mesmo que indiscutíveis". O conectivo "mesmo que" é concessivo, o que está correto. Porém, "indiscutíveis" significa "que não podem ser discutidos, incontestáveis", ou seja, definitivas. A frase original diz que as estatísticas não são peremptórias (não são definitivas); a reescrita B diz que elas são indiscutíveis (definitivas). Isso inverte o sentido. A banca usou um sinônimo de "peremptórias" no lugar de "não peremptórias".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conectivo (causa em vez de concessão) e sinonímia inadequada.

A alternativa C usa "como não duvidosas". O conectivo "como" pode ter valor causal ("já que"), não concessivo. Além disso, "não duvidosas" significa "certas, indubitáveis", novamente o oposto de "não peremptórias". A frase original diz que as estatísticas não são definitivas; a reescrita C diz que elas são certas. A banca trocou a concessão por causa e usou um sinônimo de "definitivas" no lugar de "não definitivas".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: sinonímia inadequada ("contundentes" = fortes, não definitivas).

A alternativa D usa "por mais que contundentes". O conectivo "por mais que" é concessivo, o que está correto. Porém, "contundentes" significa "contundentes, fortes, incisivas", mas não exatamente "definitivas". A frase original diz que as estatísticas não são peremptórias (não são definitivas); a reescrita D diz que elas são contundentes (fortes), o que não é o mesmo que "não definitivas". Além disso, "contundentes" não é sinônimo de "não peremptórias". A banca usou um adjetivo que não corresponde ao sentido original.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E é a única que preserva o sentido original.

A reescrita "ainda que não definitivas" mantém:

  • Concessão: "ainda que" é conectivo concessivo, equivalente a "embora".

  • Sentido de "não peremptórias": "não definitivas" é sinônimo de "não peremptórias".

Portanto, a frase reescrita "Estatísticas recentes da violência, ainda que não definitivas, apontam possíveis explicações" tem exatamente o mesmo sentido da original. A banca usou sinônimos adequados e manteve a relação lógica de concessão.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, identifique primeiro o conectivo e o valor semântico (causa, concessão, condição etc.). Depois, verifique se os sinônimos preservam o sentido. Desconfie de alternativas que trocam a concessão por causa ou usam antônimos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar o conectivo concessivo por causal (A, C) e usar sinônimos de "peremptórias" (B, D) no lugar de "não peremptórias". Fique atento ao prefixo de negação "não" — ele inverte o sentido.

Conclusão: A reescrita correta é a letra E, pois mantém a concessão e o sentido de "não definitivas". As demais ou trocam a relação lógica ou usam sinônimos inadequados.

Gabarito: letra E

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