Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu186128
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Campinas
Ano
2023
Cargo
Dir Educ ( )
Nabucodonosor
O nome do rei Nabucodonosor era belo e solene e lento como um cortejo religioso. Porém o povão, para abreviar, optou por chamar simplesmente de Bubu.
É que o povo tem pressa porque a vida é curta, deslembrado de que, se passam rápidos os anos, podem ser longos os dias, as horas, os minutos. Tudo depende de como saboreá-los, degustando-os lentamente como faz um provador de vinhos. E como um vinho, a vida não deve ser bebida de um trago, senão a gente logo se embriaga e perde o precioso sabor de cada gole...
E assim também é que um poema deve ser lido: lentamente, verso a verso, passo a passo – como quem está seguindo o cortejo do rei Nabucodonosor.
(Mario Quintana, Da preguiça como método de trabalho)
Leia o texto para responder à questão.
Mantendo-se o sentido do texto original e atendendo-se à norma-padrão de regência verbal, a passagem – É que o povo tem pressa porque a vida é curta, deslembrado de que, se passam rápidos os anos, podem ser longos os dias, as horas, os minutos. – está corretamente reescrita em:
AÉ que, como a vida é curta, o povo tem pressa, esquecendo-se de que, se passam rápidos os anos, podem ser longos os dias, as horas, os minutos.
BÉ que, ainda que a vida seja curta, o povo tem pressa, esquecendo que, se passam rápidos os anos, podem ser longos os dias, as horas, os minutos.
CÉ que, já que a vida é curta, o povo tem pressa, esquecendo de que, se passam rápidos os anos, podem ser longos os dias, as horas, os minutos.
DÉ que, contanto que a vida seja curta, o povo tem pressa, esquecendo que, se passam rápidos os anos, podem ser longos os dias, as horas, os minutos.
EÉ que, conforme a vida é curta, o povo tem pressa, esquecendo-se que, se passam rápidos os anos, podem ser longos os dias, as horas, os minutos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — É que, como a vida é curta, o povo tem pressa, esquecendo-se de que, se passam rápidos os anos, podem ser longos os dias, as horas, os minutos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita de frases: regência e sentido
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que preserva a relação de causa entre "a vida é curta" e "o povo tem pressa" (mantendo o sentido do original) e atende à regência do verbo "esquecer-se", que exige a preposição "de" antes da conjunção "que" — como se lê no trecho original: "deslembrado de que". As demais alternativas ou trocam o conectivo causal por outro de valor semântico diferente (concessivo, condicional, de conformidade) ou erram a regência de "esquecer".
O comando
A questão pede uma reescrita da passagem, com dois requisitos explícitos: manter o sentido do texto original e atender à norma-padrão de regência verbal. Isso significa que a alternativa correta deve ser uma paráfrase — reescritura fiel, sem alterar as relações de sentido — e, ao mesmo tempo, gramaticalmente correta quanto à regência. Não se trata de interpretar o texto, mas de reescrever com precisão, testando dois pontos: o valor do conectivo e a regência do verbo.
O texto e o ponto decisivo
No trecho original, a relação entre as orações é de causa: "É que o povo tem pressa porque a vida é curta". A vida curta é a causa da pressa. Além disso, o verbo "deslembrar" (esquecer) aparece com a preposição "de": "deslembrado de que". Na reescrita, o verbo "esquecer-se" também exige a preposição "de" antes da oração subordinada substantiva: "esquecendo-se de que". A alternativa A mantém exatamente esses dois elementos: usa "como a vida é curta" (com valor causal, equivalente a "porque") e "esquecendo-se de que" (regência correta).
A técnica: teste o conectivo e a regência
Para resolver, siga dois passos:
Identifique a relação de sentido do conectivo original. "Porque" indica causa. A reescrita deve manter essa relação. Conectivos como "ainda que" (concessão), "contanto que" (condição) e "conforme" (conformidade) mudam o sentido — são armadilhas clássicas.
Verifique a regência do verbo. "Esquecer-se" é pronominal e exige a preposição "de": "esquecer-se de algo". Quando seguido de oração com "que", a forma correta é "esquecer-se de que". Já "esquecer" (sem pronome) também pede "de" nesse contexto: "esquecer que" é aceito na norma culta, mas "esquecer de que" é a forma mais formal e exigida pela banca quando o verbo é pronominal.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescrita, grife o conectivo original e pergunte: "que relação ele estabelece?" Depois, teste cada alternativa substituindo o conectivo e veja se a relação se mantém. Conectivos de valor diferente (concessão, condição, conformidade) são os distratores mais comuns.
Análise das alternativas
Reescrita de frases: Requisitos (Manter o sentido, Atender à norma-padrão); Conectivos (Causa (porque, como, já que), Concessão (ainda que), Condição (contanto que), Conformidade (conforme)); Regência de "esquecer" (Pronominal: esquecer-se de que, Não pronominal: esquecer que)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A reescreve a passagem mantendo a relação de causa ("como a vida é curta" = "porque a vida é curta") e usa a regência correta do verbo "esquecer-se": "esquecendo-se de que". O sentido é preservado e a norma-padrão é atendida. É a única que cumpre os dois requisitos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B troca o conectivo causal por "ainda que", que estabelece concessão (ideia de oposição, de "apesar de"). No original, a vida curta é a causa da pressa; em B, ela seria uma ressalva — o que contradiz o sentido do texto. Além disso, usa "esquecendo que" (sem a preposição "de"), o que fere a regência do verbo pronominal "esquecer-se". Erro: troca de conectivo (causa → concessão) e regência inadequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C mantém a relação de causa ("já que" = "porque") e usa a regência correta ("esquecendo de que"). No entanto, o verbo "esquecer" (sem pronome) não exige a preposição "de" antes de oração com "que" na norma-padrão: o correto seria "esquecendo que". A banca considera a forma "esquecer de que" inadequada, pois o verbo "esquecer" (não pronominal) é transitivo direto nesse contexto. Erro: regência verbal inadequada ("esquecer de que").
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D troca o conectivo causal por "contanto que", que estabelece condição (ideia de "desde que"). No original, a vida curta é a causa da pressa; em D, ela seria uma condição — o que altera o sentido. Além disso, usa "esquecendo que" (sem a preposição "de"), ferindo a regência do verbo pronominal. Erro: troca de conectivo (causa → condição) e regência inadequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E troca o conectivo causal por "conforme", que estabelece conformidade (ideia de "de acordo com"). No original, a vida curta é a causa da pressa; em E, ela seria uma conformidade — o que altera o sentido. Além disso, usa "esquecendo-se que" (sem a preposição "de"), ferindo a regência do verbo pronominal. Erro: troca de conectivo (causa → conformidade) e regência inadequada.
Conclusão
A alternativa A é a única que preserva a relação de causa e atende à regência do verbo "esquecer-se" (com a preposição "de"). As demais ou trocam o conectivo por outro de valor semântico diferente (concessão, condição, conformidade) ou erram a regência. Gabarito: letra A.