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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — VUNESP 2023

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
vu186228
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Papel civilizatório do ensino integral

 

Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação − e os resultados, em geral, demoram a aparecer.

 

Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio. Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.

 

Chega a ser intuitivo: à medida que crianças e adolescentes passam mais horas nas salas de aula, as oportunidades de aprendizagem também aumentam. “Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão. Essa é a regra nas nações que obtêm melhor desempenho no exame internacional Pisa, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. Como se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas: além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas agrupadas em itinerários formativos que ocupam atualmente 40% da carga horária. O resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o vestibular − e isso, claro, gera críticas.

 

Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar − acomodando as disciplinas da parte obrigatória e da parte flexível do currículo sem prejuízo de nenhuma delas. Uma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. Ao romper com o modelo de currículo único e flexibilizar a oferta de disciplinas, dando aos jovens a oportunidade de escolha, a reforma acenou com avanços inequívocos. Mas esse lado inovador do novo ensino médio não deve implicar perdas para a formação básica dos estudantes.

 

O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral. À exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente. No caso das redes públicas de ensino médio, apenas 20% dos jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda mais baixa: 14%. Como esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?

 

Não se ignora que a ampliação da jornada escolar exige mais recursos. Mas aqui vale a máxima de que mais caro é não fazer o devido investimento. Com a expansão do ensino em tempo integral, não é somente a reforma do ensino médio que ganhará uma chance de virar realidade: a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório.

 

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.04.2023. Adaptado)

A intertextualidade explícita ocorre quando há citação da fonte do intertexto [...] A intertextualidade implícita ocorre sem citação expressa da fonte, cabendo ao interlocutor recuperá-la na memória para construir o sentido do texto...

 

(Koch e Elias. 2011)

 

No texto, as passagens que exemplificam a intertextualidade explícita e a implícita são, correta e respectivamente:

  1. AO Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral. / A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio.
  2. B“Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho... / Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação...
  3. C... e os resultados, em geral, demoram a aparecer. / Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar...
  4. DComo se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas... / Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.
  5. EUma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. / A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio.
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GabaritoB — “Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho... / Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação...

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intertextualidade explícita e implícita no texto

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que identifica corretamente, e na ordem pedida, os exemplos de intertextualidade explícita e implícita. A passagem "Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola", destacou Nogueira Filho... é uma citação direta, com aspas e indicação de autoria — marca típica da intertextualidade explícita. Já a expressão "Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação" retoma, sem citar a fonte, o conhecido ditado popular sobre a inexistência de solução mágica — intertextualidade implícita, que exige do leitor recuperar o provérbio na memória.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique no texto os exemplos de intertextualidade explícita e implícita, respectivamente. Isso significa que a primeira passagem da alternativa deve ser a explícita e a segunda, a implícita. A banca não quer que você explique o conceito, mas que reconheça as marcas textuais de cada tipo. A definição dada por Koch e Elias é o critério: explícita = citação da fonte; implícita = sem citação, recuperável pela memória do leitor.

O texto e a localização da resposta

O texto é um editorial que defende o ensino em tempo integral como solução para a educação brasileira. No 3º parágrafo, o autor recorre à fala de uma autoridade para reforçar seu argumento:

"Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola", destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão.

Aqui está a intertextualidade explícita: há aspas, verbo de elocução ("destacou") e identificação do autor da fala (Nogueira Filho) e do veículo (Estadão). É uma citação direta, nos moldes do que o material de apoio descreve: "reprodução do discurso alheio, normalmente entre aspas e com indicação da autoria".

Já no 1º parágrafo, o autor escreve:

Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação − e os resultados, em geral, demoram a aparecer.

A expressão "bala de prata" remete ao ditado popular "não existe bala de prata", usado para dizer que não há solução mágica ou definitiva para um problema. O autor não cita a origem do ditado, não usa aspas, não indica autoria. O leitor precisa recuperar na memória o provérbio para construir o sentido. É exatamente a definição de intertextualidade implícita: "ocorre sem citação expressa da fonte, cabendo ao interlocutor recuperá-la na memória".

A técnica que decide

Para resolver, pergunte-se: há aspas e indicação de autoria? Se sim, é explícita. Há uma referência a outro texto sem citá-lo? Se sim, é implícita. A alternativa B é a única que apresenta, na ordem, uma citação direta (explícita) e uma alusão a um ditado popular (implícita). As demais alternativas ou invertem a ordem, ou trazem passagens que não configuram intertextualidade, ou apenas repetem ideias do próprio texto sem dialogar com outro texto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A primeira passagem, "O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral", é uma afirmação do próprio autor, sem aspas, sem citação de fonte. Não há intertextualidade explícita. A segunda, "A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz...", menciona a fala de Nogueira Filho, mas não a reproduz; é uma referência indireta, não uma citação. A alternativa falha ao classificar a primeira como explícita e a segunda como implícita — a primeira não é intertextual e a segunda é apenas uma menção, não uma alusão a outro texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, a primeira passagem é uma citação direta com aspas e autoria (intertextualidade explícita); a segunda é uma alusão a um ditado popular sem citação (intertextualidade implícita). A ordem está correta: explícita primeiro, implícita depois.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A primeira passagem, "...e os resultados, em geral, demoram a aparecer", é uma constatação do autor, sem diálogo com outro texto. Não há intertextualidade. A segunda, "Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar...", é uma proposta do autor, também sem referência a outro texto. Nenhuma das duas configura intertextualidade, explícita ou implícita.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A primeira passagem, "Como se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas...", usa a expressão "como se sabe" para introduzir uma informação que o autor considera de conhecimento público. Isso não é intertextualidade implícita — é uma estratégia de pressuposição, mas não remete a um texto específico. A segunda, "Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária", é uma opinião do autor, sem diálogo com outro texto. A alternativa não apresenta exemplos válidos de intertextualidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A primeira passagem, "Uma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais...", é uma afirmação do autor, sem citação ou alusão a outro texto. A segunda, "A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz...", é a mesma passagem da alternativa A: apenas menciona a fala, não a reproduz. Não há intertextualidade explícita na primeira, nem implícita na segunda.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre citação (explícita) e menção (apenas referência a algo dito). Na alternativa A e E, "a fala do diretor... joga luz" não é citação — é uma referência indireta. A intertextualidade explícita exige a reprodução do discurso alheio, com aspas e autoria, como na alternativa B.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar intertextualidade, procure por aspas, verbos de elocução (disse, destacou, afirmou) e indicação de autoria. Se esses elementos estiverem presentes, é explícita. Se houver uma referência a um provérbio, ditado, obra ou fala famosa sem citar a fonte, é implícita.

Gabarito: letra B. A questão testa a capacidade de distinguir citação direta (explícita) de alusão a um texto culturalmente conhecido (implícita). A alternativa B é a única que apresenta, na ordem correta, os dois exemplos.

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