Questão de Redes de Computadores — TCP e UDP — VUNESP 2023
Redes de Computadores›TCP e UDP
Código
vu196417
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2023
Cargo
PTIC ( )
Na internet, pode-se afirmar que
Aa taxa de transmissão (throughput) de uma aplicação qualquer é igual a 100 Mbps quando o usuário possui uma interface de rede Fast Ethernet em seu computador.
Bo atraso na entrega de um datagrama IP de uma origem a um destino qualquer é igual ou inferior a 50 ms.
Cdatagramas IP chegam ao destino na mesma ordem em que foram enviados, pois só existem rotas únicas, simplificando o funcionamento da rede.
Ddatagramas IP não podem ser fragmentados, sendo necessário o uso do UDP para tal.
Edatagramas IP podem chegar em duplicidade ao seu destino devido a retransmissões do protocolo TCP.
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GabaritoE — datagramas IP podem chegar em duplicidade ao seu destino devido a retransmissões do protocolo TCP.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Protocolos TCP, UDP e IP: comportamento na Internet
Gabarito: letra E. A afirmativa correta é a que reconhece que datagramas IP podem chegar em duplicidade ao destino, porque o protocolo IP é um serviço de melhor esforço, sem garantias de entrega única; e o TCP, ao retransmitir segmentos não confirmados, pode gerar cópias duplicadas na rede. As demais alternativas impõem garantias ou valores fixos que não existem na Internet real.
O que está em jogo é entender o papel de cada protocolo na pilha TCP/IP. O IP (Internet Protocol) é o protocolo da camada de rede, responsável por endereçar e encaminhar datagramas entre redes. Ele opera como um serviço de melhor esforço: não garante entrega, não garante ordem, não garante integridade e não evita duplicatas. Cada datagrama é tratado de forma independente, e roteadores podem descartá-lo, duplicá-lo ou entregá-lo fora de ordem — tudo isso é normal no funcionamento da Internet.
O TCP (Transmission Control Protocol), por sua vez, é o protocolo da camada de transporte que roda sobre o IP e adiciona confiabilidade. Ele é orientado a conexão, faz controle de fluxo, controle de congestionamento e, principalmente, retransmissão de segmentos perdidos. Quando um segmento não é confirmado dentro do tempo limite (timeout), o TCP o reenvia. Essa retransmissão é exatamente o que pode gerar duplicatas: se o ACK do primeiro envio se perdeu, mas o segmento original chegou, o reenvio cria uma cópia que também chegará ao destino. O TCP resolve isso com números de sequência, descartando as duplicatas na camada de transporte — mas o datagrama IP duplicado, em si, existe na rede.
O UDP (User Datagram Protocol) é o outro protocolo da camada de transporte, mas sem conexão e sem confiabilidade. Ele simplesmente encapsula os dados e envia, sem controle de fluxo, sem controle de congestionamento e sem confirmação de entrega. É mais rápido, porém menos confiável — a confiabilidade, se necessária, fica por conta da aplicação.
A questão explora justamente essa fronteira: o que é garantia do TCP e o que é comportamento do IP. O TCP garante que, no nível da conexão, os dados cheguem íntegros e em ordem — mas isso é feito reconstruindo o fluxo a partir de segmentos que podem ter chegado fora de ordem, duplicados ou até perdidos. O IP, sozinho, não oferece nenhuma dessas garantias. É por isso que a alternativa E está correta: a duplicidade de datagramas IP é um fenômeno real, causado pelas retransmissões do TCP.
Vamos analisar cada alternativa:
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o throughput de uma aplicação qualquer é igual a 100 Mbps quando o usuário tem uma interface Fast Ethernet. Isso é falso por vários motivos. O throughput é a taxa efetiva de transferência de dados, que depende de fatores como congestionamento da rede, perdas, atrasos, protocolos utilizados e capacidade dos servidores — não apenas da interface local. Uma interface Fast Ethernet (100 Mbps) é apenas o limite máximo teórico do enlace local; o throughput real será quase sempre menor e variável. Não há garantia de que uma aplicação qualquer atinja 100 Mbps.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o atraso na entrega de um datagrama IP é sempre igual ou inferior a 50 ms. Isso é uma generalização absurda. O atraso (latência) depende da distância física, do número de roteadores intermediários, do congestionamento, do meio de transmissão e de muitos outros fatores. Em uma rede local, o atraso pode ser de poucos milissegundos; em uma conexão via satélite, pode passar de 500 ms. Não existe um limite fixo de 50 ms para a Internet.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que datagramas IP chegam ao destino na mesma ordem em que foram enviados, porque só existem rotas únicas. Isso é duplamente falso. Primeiro, o IP não garante ordem de entrega — cada datagrama pode seguir um caminho diferente (roteamento dinâmico), e podem chegar fora de ordem. Segundo, não existem "rotas únicas": a Internet tem múltiplos caminhos entre origem e destino, e o roteamento pode mudar a qualquer momento. A entrega ordenada é uma garantia do TCP, não do IP.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que datagramas IP não podem ser fragmentados, sendo necessário o uso do UDP para tal. Isso é falso. O IP pode e faz fragmentação: quando um datagrama é maior que o MTU (Maximum Transmission Unit) do enlace, ele é dividido em fragmentos menores, que são remontados no destino. A fragmentação é uma função do IP, não do UDP. O UDP não tem relação com fragmentação — ele apenas encapsula dados.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que datagramas IP podem chegar em duplicidade ao destino devido a retransmissões do protocolo TCP. Isso é exatamente o que acontece. Quando o TCP retransmite um segmento porque o ACK não chegou a tempo, e o segmento original também chega, o destino recebe duas cópias do mesmo datagrama IP. O TCP, na camada de transporte, identifica e descarta a duplicata usando números de sequência — mas a duplicidade no nível IP é real. Essa é a única alternativa que descreve corretamente o comportamento da Internet.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as garantias do TCP e o comportamento do IP. O candidato que sabe que o TCP entrega dados em ordem e sem duplicatas pode achar que a alternativa E está errada — mas essa garantia é do TCP na camada de transporte, não do IP. O IP, sozinho, é um serviço de melhor esforço: pode perder, reordenar e duplicar datagramas. A duplicidade ocorre justamente por causa das retransmissões do TCP. Lembre-se: o TCP garante a reconstrução do fluxo, não a ausência de duplicatas na rede.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre TCP, UDP e IP, monte uma tabela mental comparando as garantias de cada um:
Característica
TCP
UDP
IP
Orientado a conexão
Sim
Não
Não
Confiável
Sim
Não
Não
Entrega ordenada
Sim
Não
Não
Retransmissão
Sim
Não
Não
Controle de fluxo
Sim
Não
Não
Controle de congestionamento
Sim
Não
Não
Fragmentação
Não (feita pelo IP)
Não
Sim
Pode gerar duplicatas
Sim (por retransmissão)
Não
Sim (por retransmissão do TCP)
Essa tabela resolve a maioria das questões sobre o assunto.
Gabarito: letra E — a única afirmativa correta é a que reconhece a possibilidade de duplicidade de datagramas IP causada pelas retransmissões do TCP.