Questão de Redes de Computadores — OSPF (Open Shortest Path First) — VUNESP 2023
- Código
- vu197051
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- CIJUN
- Ano
- 2023
- Cargo
- Arqt ( )
- AFísica.
- Bde Aplicação.
- Cde Transporte.
- Dde Enlace.
- Ede Rede.
GabaritoE — de Rede.
Gabarito: letra E. O OSPF (Open Shortest Path First) é um protocolo de roteamento, e todo protocolo de roteamento opera na camada de rede da pilha TCP/IP — a mesma camada do protocolo IP, que é o que ele roteia. É nessa camada que os roteadores decidem o caminho que os pacotes IP devem seguir, e o OSPF é justamente a ferramenta que alimenta essa decisão.
O OSPF é um protocolo de roteamento do tipo link-state (estado de enlace), desenvolvido pela IETF e descrito inicialmente na RFC 1131, em 1989. Ele foi criado para substituir o RIP, que era um protocolo de vetor de distância com problemas de convergência lenta e contagem ao infinito. A grande sacada do OSPF é que cada roteador mantém uma visão completa da topologia da rede — ele conhece todos os links e seus custos — e, a partir dessa visão, calcula o melhor caminho para cada destino usando o algoritmo SPF (Shortest Path First), também conhecido como algoritmo de Dijkstra.
Para entender por que o OSPF fica na camada de rede, é preciso lembrar a função de cada camada da pilha TCP/IP. A camada de rede (ou camada de Internet) é responsável pelo endereçamento lógico (IP) e pelo roteamento dos pacotes entre redes diferentes. É aqui que mora o protocolo IP, e é aqui que os roteadores tomam suas decisões de encaminhamento. O OSPF, ao trocar informações sobre o estado dos links e calcular as melhores rotas, está exatamente cumprindo essa função de roteamento. Ele não entrega dados a aplicações (camada de aplicação), não garante a entrega confiável entre processos (camada de transporte) e não lida com quadros em um enlace físico (camada de enlace).
Uma distinção importante que costuma confundir: o OSPF, na prática, roda sobre o protocolo IP (usando o número de protocolo 89 no cabeçalho IP), mas isso não o coloca na camada de transporte. Ele é um protocolo de roteamento que usa o IP para transportar suas mensagens de controle, mas sua função — calcular e manter as rotas — é essencialmente uma função da camada de rede. É como um funcionário que usa o elevador para se locomover no prédio: o elevador é o meio, mas a função dele é outra.
A pegadinha clássica desta questão é o candidato confundir a camada em que o protocolo opera com a camada em que ele é encapsulado. O OSPF é encapsulado diretamente no IP, mas isso não o torna um protocolo de transporte como TCP ou UDP. A banca explora exatamente essa confusão: quem vê "OSPF roda sobre IP" pode ser tentado a pensar em transporte, mas a função de roteamento é inequivocamente da camada de rede.
Guarde o critério decisivo: protocolo de roteamento = camada de rede. É essa associação que separa a alternativa correta das demais.
A camada física é responsável pela transmissão de bits brutos pelo meio físico (cabos, fibra óptica, ondas de rádio). Ela lida com sinais elétricos, ópticos ou eletromagnéticos, e não tem qualquer relação com a lógica de roteamento. O OSPF, sendo um protocolo de software que calcula rotas, não poderia estar aqui.
A camada de aplicação é onde residem os protocolos que interagem diretamente com o usuário ou com aplicações, como HTTP, FTP, SMTP, DNS e DHCP. O OSPF não é um protocolo de aplicação — ele não fornece serviços diretamente a programas de usuário, mas sim infraestrutura de roteamento para a própria rede.
A camada de transporte é responsável pela comunicação fim-a-fim entre processos, com protocolos como TCP (confiável, orientado à conexão) e UDP (não confiável, sem conexão). O OSPF não oferece esses serviços. Embora o OSPF seja encapsulado diretamente no IP (e não em TCP ou UDP), isso não o coloca na camada de transporte — ele é um protocolo de roteamento que usa o IP como meio de transporte para suas mensagens de controle.
A camada de enlace é responsável pela comunicação entre dispositivos no mesmo enlace físico, lidando com quadros, endereços MAC e controle de acesso ao meio (Ethernet, Wi-Fi, PPP). O OSPF não opera nessa camada — ele opera acima dela, na camada de rede, tomando decisões de roteamento entre redes.
O OSPF é um protocolo de roteamento, e o roteamento é a função central da camada de rede da pilha TCP/IP. É nessa camada que os roteadores usam o OSPF para descobrir a topologia da rede, calcular as melhores rotas com o algoritmo SPF e manter as tabelas de roteamento atualizadas. O OSPF é encapsulado diretamente no protocolo IP (número de protocolo 89), o que reforça sua posição na camada de rede — ele é um protocolo da camada de rede, não um protocolo que usa a camada de rede como um serviço externo.
Para acertar questões de "em que camada fica o protocolo X", pergunte-se: qual é a função dele? Se a função é rotear (decidir o caminho), é camada de rede. Se é entregar dados a aplicações, é aplicação. Se é garantir entrega confiável entre processos, é transporte. Se é transmitir bits no meio físico, é física. Essa pergunta resolve a maioria dos casos sem precisar decorar listas.
Gabarito: letra E — o OSPF está localizado na Camada de Rede.
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