Questão de Sistemas Operacionais — Virtualização - Conceitos Gerais — VUNESP 2023
- Código
- vu197353
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIVESP
- Ano
- 2023
- Cargo
- Sup Ped ( )
- Ahardware partitioning.
- Bdocker.
- Ccontêiner.
- Dbare metal.
- Ehosted.
GabaritoD — bare metal.
Gabarito: letra D. A virtualização bare metal (também chamada de virtualização nativa ou de hipervisor tipo 1) é aquela em que o hipervisor executa diretamente sobre o hardware, sem depender de um sistema operacional hospedeiro — é exatamente o que o enunciado descreve. As demais alternativas (hardware partitioning, docker, contêiner e hosted) ou não são tipos de virtualização no sentido estrito, ou dependem de um SO hospedeiro.
A virtualização é a técnica de criar uma versão virtual de algo — hardware, sistema operacional, armazenamento ou rede — permitindo que múltiplos ambientes isolados rodem sobre um mesmo recurso físico. No centro dessa técnica está o hipervisor (ou monitor de máquina virtual, VMM), a camada de software responsável por construir e gerenciar as máquinas virtuais. A classificação mais importante dos hipervisores, e a que esta questão cobra, divide-os em dois grandes grupos conforme a relação com o hardware e com o sistema operacional:
Hipervisor tipo 1 (nativo ou bare metal): executa diretamente sobre o hardware, sem precisar de um SO hospedeiro. Ele próprio atua como uma camada fina que gerencia os recursos físicos e distribui para as máquinas virtuais. Exemplos clássicos: VMware ESXi, Xen, Hyper-V e KVM (quando usado como módulo do kernel Linux, embora o KVM seja frequentemente classificado como tipo 1 por rodar diretamente no hardware).
Hipervisor tipo 2 (hospedado ou hosted): executa sobre um sistema operacional hospedeiro (Windows, Linux, macOS), que fornece os serviços de gerenciamento de hardware. O hipervisor roda como um processo comum do SO hospedeiro. Exemplos: VMware Workstation, Oracle VirtualBox e Parallels Desktop.
A distinção entre os dois tipos é a base da questão: o enunciado pergunta qual tipo não necessita do auxílio de um sistema operacional hospedeiro — e essa é a definição exata do bare metal (tipo 1).
É importante também diferenciar virtualização de contêineres. Enquanto a virtualização tradicional (com hipervisor) cria máquinas virtuais completas, cada uma com seu próprio sistema operacional convidado, os contêineres compartilham o kernel do sistema operacional hospedeiro e virtualizam apenas o espaço de usuário (userspace). Ou seja, os contêineres dependem do SO hospedeiro — eles não são um tipo de virtualização que dispensa o SO, mas sim uma forma de isolamento de processos que usa o kernel do host. Docker é um framework para construção e gestão de contêineres, portanto também depende do SO hospedeiro.
A pegadinha da questão está justamente em confundir bare metal com contêineres ou com hardware partitioning. O candidato que sabe que contêineres compartilham o kernel do host pode achar que eles "dispensam" o SO — mas isso é um erro: os contêineres usam o kernel do SO hospedeiro, não o dispensam. Já o bare metal é o único que realmente roda sem SO hospedeiro, pois o hipervisor assume o controle direto do hardware.
Guarde a fronteira decisiva: hipervisor tipo 1 (bare metal) = roda direto no hardware, sem SO hospedeiro; hipervisor tipo 2 (hosted) = roda sobre um SO hospedeiro; contêineres = compartilham o kernel do SO hospedeiro. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Hardware partitioning (particionamento de hardware) não é um tipo de virtualização no sentido de hipervisor. Refere-se à divisão física ou lógica de um servidor em partições independentes, como no particionamento de mainframes (LPARs da IBM). Embora possa ser usado como técnica de isolamento, não é o nome do tipo de virtualização que dispensa SO hospedeiro — e, em muitos casos, as partições ainda dependem de um firmware ou de um SO de controle para gerenciar os recursos.
Docker é um framework para construção e gestão de contêineres, não um tipo de virtualização em si. Ele depende de um sistema operacional hospedeiro (Linux, Windows) para funcionar, pois os contêineres compartilham o kernel do host. Portanto, está no extremo oposto do que o enunciado pede: Docker necessita do SO hospedeiro.
Contêiner é uma forma de virtualização do sistema operacional (virtualização do espaço de usuário), mas depende do kernel do SO hospedeiro para funcionar. Os contêineres não possuem um sistema operacional próprio — eles compartilham o kernel do host e isolam apenas os processos e recursos do userspace. Logo, não é o tipo que dispensa o SO hospedeiro.
Bare metal (ou virtualização nativa) é o nome dado à virtualização com hipervisor tipo 1, que executa diretamente sobre o hardware, sem a necessidade de um sistema operacional hospedeiro. O hipervisor assume o controle dos recursos físicos (CPU, memória, disco, rede) e os distribui entre as máquinas virtuais. É o tipo de virtualização usado em datacenters e ambientes corporativos de larga escala, como VMware ESXi, Xen e Hyper-V.
Hosted (hospedado) é o nome do hipervisor tipo 2, que executa sobre um sistema operacional hospedeiro. Ele depende do SO hospedeiro para gerenciar o hardware e roda como um processo comum desse sistema. Exemplos: VMware Workstation e VirtualBox. Portanto, é exatamente o oposto do que o enunciado pede — o hosted necessita do SO hospedeiro.
A regra de ouro para a prova: bare metal = tipo 1 = sem SO hospedeiro; hosted = tipo 2 = com SO hospedeiro; contêiner = compartilha o kernel do SO hospedeiro. Se a questão perguntar qual dispensa o SO hospedeiro, a resposta é sempre bare metal.
Gabarito: letra D
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