Questão de Biologia — Análises Bioquímicas — VUNESP 2024
Biologia›Análises Bioquímicas
Código
vu198623
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Santo André
Ano
2024
Cargo
TLab ( )
Em relação aos procedimentos e métodos bioquímicos, é correto afirmar que
Aé exigida, a cada semana, a passagem de soros controles com a finalidade de avaliar o desempenho do(s) equipamento(s) e reagentes, com posterior análise das variações e corridas analíticas já finalizadas.
Bas determinações de sódio, cloro e potássio são realizadas, na maioria dos laboratórios, por titulação ou fotometria de chama.
Cos métodos enzimáticos são menos precisos e exatos quando comparados aos colorimétricos e não estão contemplados no menu de exames dos autoanalisadores.
Da diluição do material biológico é necessária quando o valor obtido com a amostra primária for superior à linearidade do método utilizado para aquele analito.
Eos conjuntos reagentes (kits) não são acompanhados de calibradores, o que obriga a execução semanal de curva de calibração com preparações de soluções aquosas com concentrações conhecidas de todos os analitos.
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GabaritoD — a diluição do material biológico é necessária quando o valor obtido com a amostra primária for superior à linearidade do método utilizado para aquele analito.
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Procedimentos e métodos bioquímicos em análises clínicas
Gabarito: letra D. A diluição do material biológico é necessária quando o valor obtido com a amostra primária ultrapassa a linearidade do método — ou seja, quando a concentração do analito está acima da faixa em que a relação sinal/concentração é confiável. Essa é uma prática fundamental em bioquímica clínica para garantir que o resultado final seja exato e dentro da capacidade de mensuração do equipamento.
A questão aborda conhecimentos essenciais de rotina laboratorial em bioquímica clínica: controle de qualidade, métodos de dosagem de eletrólitos, características dos métodos enzimáticos, diluição de amostras e uso de calibradores. Vamos analisar cada alternativa com profundidade, pois a banca explora conceitos que frequentemente geram confusão entre os profissionais da área.
O que é linearidade de um método analítico?
Todo método bioquímico possui uma faixa de trabalho linear, que é o intervalo de concentrações do analito em que a resposta do equipamento (absorbância, por exemplo) é diretamente proporcional à concentração. Quando a amostra apresenta concentração acima do limite superior dessa faixa, o resultado não é confiável — pode ocorrer saturação do detector ou desvios da lei de Lambert-Beer. A solução é diluir a amostra em um diluente apropriado (geralmente solução salina ou água deionizada, dependendo do analito) e multiplicar o resultado pela diluição realizada.
Por exemplo, se a glicose de um paciente está em 600 mg/dL e o método linear até 500 mg/dL, deve-se diluir a amostra 1:2 e multiplicar o resultado obtido por 2. Essa prática é rotineira e está prevista nos procedimentos operacionais padrão dos laboratórios.
Controle de qualidade interno e externo
O controle de qualidade em bioquímica clínica envolve o uso de soros controles (com valores conhecidos) em cada corrida analítica, não apenas semanalmente. A frequência pode variar conforme o equipamento e a rotina, mas a prática padrão é incluir controles em todas as corridas, e não apenas uma vez por semana. Além disso, a análise das variações é feita por meio de gráficos de Levey-Jennings e regras de Westgard, que permitem monitorar a precisão e a exatidão ao longo do tempo.
Métodos de dosagem de eletrólitos
Sódio, potássio e cloro são eletrólitos dosados, na maioria dos laboratórios modernos, por métodos de eletrodo íon-seletivo (ISE), que são mais precisos e rápidos que a fotometria de chama. A fotometria de chama foi historicamente utilizada para sódio e potássio, mas foi amplamente substituída. A titulação é um método manual, pouco usado na rotina automatizada.
Métodos enzimáticos vs. colorimétricos
Os métodos enzimáticos são, em geral, mais específicos e precisos que os colorimétricos simples, pois utilizam enzimas que reagem apenas com o analito de interesse. Eles são amplamente empregados em autoanalisadores para dosagem de glicose, colesterol, triglicerídeos, ureia, creatinina, entre outros. A afirmação de que são menos precisos e não estão contemplados nos autoanalisadores é totalmente incorreta.
Calibradores e curvas de calibração
Os kits comerciais (conjuntos reagentes) geralmente são acompanhados de calibradores, que são soluções com concentrações conhecidas do analito, utilizados para construir a curva de calibração. A calibração é feita conforme a necessidade do equipamento e do método, não necessariamente semanalmente, e não se limita a soluções aquosas — os calibradores são matrizes semelhantes à amostra (soro, por exemplo) para garantir a exatidão.
Análise das alternativas
Procedimentos bioquímicos: Linearidade do método (Faixa confiável de mensuração, Acima do limite → diluir amostra, Multiplicar resultado pelo fator); Controle de qualidade (Soros controles em cada corrida, Gráficos de Levey-Jennings, Regras de Westgard); Eletrólitos (Na, K, Cl) (Eletrodo íon-seletivo (ISE), Fotometria de chama (substituída)); Métodos enzimáticos (Mais específicos e precisos, Amplamente usados em autoanalisadores); Calibradores (Acompanham os kits, Matriz semelhante à amostra)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A passagem de soros controles não é exigida apenas semanalmente; ela deve ser feita em cada corrida analítica, ou conforme a rotina do laboratório e as recomendações do fabricante. A frequência semanal é uma generalização incorreta. O controle de qualidade interno exige que os soros controles sejam incluídos em todas as corridas para monitorar a precisão e a exatidão, com análise das variações por gráficos de controle.
Alternativa B — ❌ Incorreta
As determinações de sódio, cloro e potássio são realizadas, na maioria dos laboratórios, por eletrodos íon-seletivos (ISE), e não por titulação ou fotometria de chama. A fotometria de chama foi usada no passado para sódio e potássio, mas foi substituída pela ISE, que é mais precisa, rápida e adequada à automação. A titulação é um método manual, pouco utilizado na rotina para esses eletrólitos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os métodos enzimáticos são mais específicos e precisos que os colorimétricos, pois utilizam enzimas que reagem seletivamente com o analito. Eles são amplamente utilizados em autoanalisadores para dosagem de diversos analitos (glicose, colesterol, ureia, etc.). A afirmação de que são menos precisos e não estão contemplados no menu de exames é totalmente equivocada.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A diluição do material biológico é necessária quando o valor obtido com a amostra primária é superior à linearidade do método. Isso garante que o resultado esteja dentro da faixa confiável de mensuração. Após a diluição, o resultado é multiplicado pelo fator de diluição. Essa é uma prática padrão em bioquímica clínica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os conjuntos reagentes (kits) geralmente são acompanhados de calibradores, que são soluções com concentrações conhecidas do analito, utilizados para construir a curva de calibração. A calibração não é necessariamente semanal, e os calibradores não são apenas soluções aquosas — são matrizes semelhantes à amostra (soro, por exemplo) para garantir a exatidão.
Conclusão
A alternativa correta é a letra D, pois reflete o procedimento correto de diluição quando a amostra ultrapassa a linearidade do método. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre controle de qualidade, métodos de dosagem de eletrólitos, métodos enzimáticos e calibradores.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de bioquímica clínica, lembre-se dos conceitos-chave: linearidade (diluir quando ultrapassar), eletrodos íon-seletivos para eletrólitos, métodos enzimáticos (específicos e precisos), e calibradores (presentes nos kits, com matriz semelhante à amostra). Esses são os pontos mais cobrados em provas de análises clínicas.