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Questão de Biologia — Métodos de Identificação de Bactérias — VUNESP 2024

BiologiaMétodos de Identificação de Bactérias
Código
vu198645
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Mogi Cruzes
Ano
2024
Cargo
Biom (Pref Mogi das Cruzes)

Adolescente de 17 anos deu entrada no Hospital Municipal da Barra Funda com os seguintes sintomas: febre, palpitações no coração e pequenas erupções cutâneas, sendo internado. Esse paciente, há um mês, esteve nesse mesmo hospital, diagnosticado com faringoamigdalite e foi prescrito o uso de antibioticoterapia de uso oral. Todavia, o paciente relatou que interrompeu o uso do antibiótico por conta própria.

 

Foram realizados os seguintes exames:

• Antiestreptolosina O (ASLO)

Resultado: 515 UI/M

Valor de referência: Inferior a 200 UI/m

• Proteína C Reativa

Resultado: 14,0 mg/dL

Valor de referência: Indicador de processos infecciosos e/ou inflamatórios.

 

De 1,0 a 5,0 mg/dL: encontrado em infecções virais e processos inflamatórios leves.

De 5,1 a 20,0 mg/dL: encontrado em infecções bacterianas e processos inflamatórios sistêmicos.

Acima de 20,0 mg/dL: encontrado em infecções graves, grandes queimados e em politraumatismo.

 

• Leitura de Secreção de Orofaringe Macroscopia em meio a cultura Ágar sangue:

Imagem associada para resolução da questão

(Foto cedida pelo Laboratório de Microbiologia do Centro Universitário – FMABC)

• Leitura de Secreção de Orofaringe Microscopia em Teste de Gram:

Imagem associada para resolução da questão

(Foto cedida pelo Laboratório de Microbiologia do Centro Universitário – FMABC)

 

• Resultado do Teste de Catalase: Negativo.

Imagem associada para resolução da questão

(Foto cedida pelo Laboratório de Microbiologia do Centro Universitário – FMABC)

 

De acordo com os resultados apresentados nos exames laboratoriais e realizando a interpretação laboratorial das imagens observadas, o agente etiológico presente na amostra de secreção de orofaringe do paciente em questão pode ser identificado como:

  1. A Klebsiella pneumoniae.
  2. BHaemophilus influenzae.
  3. CPseudomonas aeruginosa.
  4. DStreptococcus pyogenes.
  5. EStaphylococcus sp.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Streptococcus pyogenes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Identificação de Streptococcus pyogenes: da clínica ao laboratório

Gabarito: letra D. O quadro clínico (faringoamigdalite prévia, febre, palpitações e erupções cutâneas), os exames laboratoriais (ASLO elevado, PCR indicando infecção bacteriana) e os achados microbiológicos (cocos Gram-positivos em cadeias, beta-hemólise em ágar sangue, catalase negativa) apontam inequivocamente para Streptococcus pyogenes (Streptococcus do grupo A). A chave da questão está na combinação do teste de catalase (negativo, excluindo Staphylococcus) com a morfologia em cadeia e o padrão de hemólise.

O Streptococcus pyogenes é uma bactéria Gram-positiva, esférica (coco), que se organiza tipicamente em cadeias (estreptococos). É o agente etiológico da faringoamigdalite bacteriana, e sua importância clínica vai além da infecção local: pode desencadear complicações pós-estreptocócicas, como a febre reumática (que afeta o coração, explicando as palpitações) e a glomerulonefrite difusa aguda. O paciente do caso interrompeu o antibiótico, o que permitiu que a bactéria persistisse e desencadeasse a resposta imunológica exacerbada, evidenciada pelo alto título de ASLO (anticorpo contra a estreptolisina O).

A identificação laboratorial segue um fluxo lógico. Primeiro, a coloração de Gram revela a morfologia e o arranjo: cocos Gram-positivos em cadeias. Em seguida, o cultivo em ágar sangue mostra o tipo de hemólise: o S. pyogenes é beta-hemolítico, produzindo uma zona clara e completa de lise ao redor das colônias. Por fim, o teste da catalase é o divisor de águas entre os cocos Gram-positivos: os estafilococos (Staphylococcus) são catalase positivos (produzem a enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio), enquanto os estreptococos são catalase negativos. Como o resultado foi negativo, o gênero Staphylococcus é excluído, e a morfologia em cadeia confirma o gênero Streptococcus. A espécie pyogenes é inferida pelo padrão beta-hemolítico e pelo contexto clínico.

A febre reumática é uma complicação autoimune tardia da infecção por S. pyogenes, na qual anticorpos produzidos contra a bactéria reagem de forma cruzada com tecidos do coração, articulações, pele e sistema nervoso. As palpitações e as erupções cutâneas (eritema marginado) são manifestações clássicas. O ASLO elevado (515 UI/mL, muito acima do valor de referência) confirma a infecção estreptocócica recente, e a PCR de 14,0 mg/dL indica um processo inflamatório sistêmico de origem bacteriana, consistente com o quadro.

A banca explora a confusão entre os cocos Gram-positivos: Staphylococcus (catalase positiva, em cachos) e Streptococcus (catalase negativa, em cadeias). As alternativas com bactérias Gram-negativas (Klebsiella, Haemophilus, Pseudomonas) são distratores que ignoram a morfologia e o teste de catalase. Guarde o fluxo: Gram → morfologia/arranjo → catalase → hemólise. É exatamente essa sequência que separa as alternativas.

  1. 1Coloração de Gram
  2. 2Morfologia/arranjo
  3. 3Teste da catalase
  4. 4Padrão de hemólise
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Klebsiella pneumoniae é um bacilo Gram-negativo, encapsulado, que causa pneumonia e infecções urinárias. Não forma cadeias de cocos, não é beta-hemolítico e não está associado a faringoamigdalite nem a febre reumática. A morfologia (bacilo) e a coloração de Gram (negativa) já a excluem.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Haemophilus influenzae é um cocobacilo Gram-negativo, que causa meningite, pneumonia e epiglotite, mas não faringoamigdalite com complicação reumática. Sua morfologia e coloração de Gram não correspondem aos achados (cocos Gram-positivos em cadeias).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Pseudomonas aeruginosa é um bacilo Gram-negativo, aeróbio estrito, conhecido por infecções hospitalares e em imunocomprometidos. Não se organiza em cadeias de cocos, não é beta-hemolítico no padrão descrito e não causa o quadro clínico apresentado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Streptococcus pyogenes é o coco Gram-positivo em cadeias, beta-hemolítico e catalase negativo. É o agente da faringoamigdalite bacteriana e o principal desencadeador da febre reumática, quadro que explica os sintomas do paciente (febre, palpitações, erupções cutâneas) e os exames (ASLO elevado, PCR alta). Todos os dados convergem para esta espécie.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Staphylococcus sp. é um coco Gram-positivo em cachos (não em cadeias) e, crucialmente, é catalase positivo. O teste de catalase negativo no enunciado exclui este gênero de forma definitiva. Embora possa causar infecções de pele e até endocardite, não é o agente da faringoamigdalite com complicação reumática clássica.

A regra de ouro para cocos Gram-positivos: catalase positiva = Staphylococcus; catalase negativa = Streptococcus. Essa única distinção, somada à morfologia em cadeia, resolve a questão sem depender de outros testes.

Gabarito: letra D

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