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Questão de Biologia — Controle de Vetores e Zoonoses — VUNESP 2024

BiologiaControle de Vetores e Zoonoses
Código
vu198654
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SBC
Ano
2024
Cargo
Bio ( )

Devido à ampla distribuição do Amblyomma cajennense nas Américas e sua grande importância médica, esse carrapato sempre foi alvo de muitas pesquisas. Estudos recentes constataram que essa espécie de carrapato é, na verdade, um complexo de seis espécies distribuídas ao longo das Américas. Dentre as seis espécies, duas delas ocorrem no Brasil, A. cajennense e Amblyomma sculptum. Conhecidas como carrapato-estrela, carrapato- do-cavalo, micuim ou carrapato vermelhinho, essas espécies são responsáveis pela transmissão da febre maculosa durante o seu ciclo de vida, representado a seguir.

 

Imagem associada para resolução da questão

(https://prefeitura.pbh.gov.br/saude/informacoes/vigilancia/ vigilancia-epidemiologica/doencas-transmissiveis/
febre-maculosa. Adaptado)

 

Considerando o ciclo de vida do Amblyoma sp. e a possibilidade de infectar humanos, é correto afirmar que

  1. Ao adulto 1 pode transmitir, se picar a pessoa e realizar o repasto sanguíneo após a postura dos ovos.
  2. Ba larva 2 não tem capacidade vetora, pois nessa fase o carrapato não exerce a hematofagia.
  3. Ca larva 3 tem capacidade de transmissão se tiver recebido o parasita da larva 2, por transmissão transovariana.
  4. Do adulto 4 pode transmitir, se ele tiver o parasita em seu organismo, durante a hematofagia.
  5. Eo adulto 5 não tem capacidade de transmitir o parasita, pois a hematofagia ocorre apenas nas fêmeas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o adulto 4 pode transmitir, se ele tiver o parasita em seu organismo, durante a hematofagia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ciclo de vida do carrapato-estrela e transmissão da febre maculosa

Gabarito: letra D. O carrapato-estrela (Amblyomma sculptum e A. cajennense) transmite a bactéria Rickettsia rickettsii, agente da febre maculosa, durante a hematofagia (repasto sanguíneo), em qualquer fase do ciclo em que o carrapato esteja infectado — larva, ninfa ou adulto. A alternativa D está correta porque afirma exatamente isso: o adulto pode transmitir se tiver o parasita em seu organismo, durante a hematofagia. As demais alternativas erram ao condicionar a transmissão a fatores irrelevantes (como a postura de ovos) ou ao negar a capacidade vetora de fases que também podem transmitir.

O ciclo de vida do carrapato-estrela é um exemplo clássico de metamorfose incompleta (hemimetabolia), com três fases ativas: larva (6 patas), ninfa (8 patas) e adulto (macho e fêmea, 8 patas). Cada fase faz um único repasto sanguíneo e, após se alimentar, cai no ambiente para realizar a ecdise (muda) e passar para a fase seguinte. A fêmea adulta, após se alimentar, realiza a postura de ovos no solo; desses ovos eclodem larvas. Esse ciclo completo, do ovo ao adulto, pode levar de 3 meses a mais de um ano, dependendo das condições ambientais.

A transmissão da febre maculosa ocorre quando um carrapato infectado com a bactéria Rickettsia rickettsii pica um hospedeiro suscetível (incluindo humanos) e realiza a hematofagia. Durante o repasto, a bactéria presente nas glândulas salivares do carrapato é inoculada na pele do hospedeiro. É importante destacar que todas as fases ativas (larva, ninfa e adulto) podem transmitir a bactéria, desde que estejam infectadas. A infecção pode ser adquirida de duas formas principais: (1) transmissão transovariana — a fêmea infectada passa a bactéria para os ovos, gerando larvas já infectadas; e (2) transmissão transestadial — o carrapato adquire a bactéria ao se alimentar de um hospedeiro infectado (como uma capivara) em uma fase e a mantém nas fases seguintes.

Um ponto crucial para entender a questão é que a capacidade de transmissão não depende da fase do ciclo, mas sim da presença da bactéria no organismo do carrapato. Uma larva infectada por transmissão transovariana pode transmitir a doença ao picar um humano, assim como uma ninfa ou um adulto infectado. A hematofagia é o momento em que ocorre a transmissão, pois é quando o carrapato injeta saliva no hospedeiro. Portanto, qualquer fase que esteja realizando o repasto sanguíneo e esteja infectada é capaz de transmitir.

A pegadinha central desta questão é a tentativa de associar a capacidade vetora a uma fase específica ou a um evento do ciclo (como a postura de ovos). A banca explora a confusão entre o momento da transmissão (hematofagia) e fatores que não influenciam a transmissão (como a fase de vida ou a postura). O candidato que não domina o ciclo de vida do carrapato e a dinâmica da transmissão da febre maculosa pode ser induzido a marcar uma alternativa que condiciona a transmissão a um evento irrelevante. A regra de ouro é: se o carrapato está infectado e está realizando hematofagia, ele pode transmitir a bactéria, independentemente da fase.

Fase do ciclo

Realiza hematofagia?

Pode transmitir a bactéria?

Condição para transmissão

Larva

Sim

Sim

Estar infectada (ex.: por transmissão transovariana)

Ninfa

Sim

Sim

Estar infectada (ex.: por transmissão transestadial)

Adulto (macho e fêmea)

Sim

Sim

Estar infectado e realizar repasto sanguíneo

  1. 1Ovo
  2. 2Larva (6 patas)
  3. 3Ninfa (8 patas)
  4. 4Adulto (macho/fêmea)
  5. 5Postura de ovos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o adulto pode transmitir se picar a pessoa e realizar o repasto sanguíneo após a postura dos ovos. O erro está em condicionar a transmissão à postura de ovos. A postura é um evento do ciclo reprodutivo da fêmea, que ocorre após a hematofagia, e não tem relação com a capacidade de transmitir a bactéria. A transmissão ocorre durante a hematofagia, quando o carrapato injeta saliva contaminada. Além disso, a postura de ovos é um evento que ocorre depois do repasto, não antes — a fêmea precisa se alimentar para produzir e depositar os ovos. Portanto, a alternativa inverte a sequência do ciclo e condiciona a transmissão a um evento que não é relevante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a larva não tem capacidade vetora porque nessa fase o carrapato não exerce hematofagia. Isso é falso: a larva do carrapato-estrela é hematófaga e realiza repasto sanguíneo para poder realizar a ecdise e passar para a fase de ninfa. As larvas são, inclusive, uma das fases mais importantes na transmissão da febre maculosa para humanos, pois são pequenas e muitas vezes passam despercebidas na pele. A capacidade vetora da larva depende de ela estar infectada com a bactéria, o que pode ocorrer por transmissão transovariana (herdada da mãe) ou por alimentação em hospedeiro infectado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a larva tem capacidade de transmissão se tiver recebido o parasita da larva 2, por transmissão transovariana. O erro está na via de transmissão descrita: a transmissão transovariana ocorre da fêmea adulta infectada para os ovos, e não de uma larva para outra. As larvas não transmitem a bactéria entre si. A alternativa confunde a transmissão transovariana (vertical, da mãe para a prole) com uma suposta transmissão horizontal entre larvas, que não existe. A larva pode ser infectada por transmissão transovariana (herdando a bactéria da mãe) ou por se alimentar de um hospedeiro infectado, mas nunca por receber o parasita de outra larva.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o adulto pode transmitir se tiver o parasita em seu organismo, durante a hematofagia. Esta é a afirmação correta e reflete exatamente o mecanismo de transmissão da febre maculosa. O carrapato adulto, se estiver infectado com Rickettsia rickettsii, pode transmitir a bactéria ao realizar o repasto sanguíneo em um hospedeiro humano. A hematofagia é o momento em que o carrapato injeta saliva, e é através da saliva que a bactéria é transmitida. A presença do parasita no organismo do carrapato é o requisito essencial para a transmissão, e a hematofagia é o mecanismo pelo qual a transmissão ocorre.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o adulto não tem capacidade de transmitir o parasita, pois a hematofagia ocorre apenas nas fêmeas. Isso é falso por dois motivos: (1) tanto machos quanto fêmeas adultas realizam hematofagia — embora as fêmeas precisem de um repasto maior para a produção de ovos, os machos também se alimentam de sangue; (2) a capacidade de transmissão não está restrita a um sexo, mas sim à presença da bactéria no organismo do carrapato. Um macho infectado também pode transmitir a bactéria durante a hematofagia. A alternativa tenta restringir a transmissão às fêmeas, o que não corresponde à realidade biológica.

Gabarito: letra D — a transmissão da febre maculosa ocorre durante a hematofagia de qualquer fase infectada do carrapato-estrela.

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