Questão de Biologia — Organelas Citoplasmáticas — VUNESP 2024
Biologia›Organelas Citoplasmáticas
Código
vu198699
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2024
Cargo
V - - Vest ( )
A oxaliplatina, medicamento prescrito contra o câncer de cólon e reto, inibe a transcrição no nucléolo das células cancerosas e, dessa forma, desencadeia a morte dessas células. A oxaliplatina desencadeia a morte das células cancerosas porque
Ainibe o sistema de reparo que previne mutações ao longo das moléculas de DNA.
Bdesativa o conjunto de genes nucleares responsáveis pela apoptose.
Creduz a síntese proteica devido à falta de subunidades ribossomais no citoplasma.
Dprovoca a desidratação celular ao interromper o transporte ativo de solutos no citoplasma.
Einterrompe a difusão simples de substâncias para o interior das mitocôndrias.
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GabaritoC — reduz a síntese proteica devido à falta de subunidades ribossomais no citoplasma.
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Nucléolo e síntese proteica: o alvo da oxaliplatina
Gabarito: letra C. A oxaliplatina inibe a transcrição no nucléolo, que é a região do núcleo onde ocorre a síntese do RNA ribossômico (RNAr) e a montagem das subunidades dos ribossomos. Sem essas subunidades, que são exportadas para o citoplasma, a célula cancerosa fica incapaz de produzir novas proteínas, o que compromete sua sobrevivência e desencadeia a morte celular. A alternativa C é a única que conecta corretamente a inibição da transcrição no nucléolo à consequente redução da síntese proteica por falta de ribossomos funcionais no citoplasma.
O nucléolo é uma estrutura densa e arredondada localizada no interior do núcleo das células eucarióticas. Sua função principal é a produção dos ribossomos: ele contém os genes que codificam o RNA ribossômico (RNAr), transcreve esses genes em grande quantidade e combina o RNAr com proteínas ribossomais (que vêm do citoplasma) para formar as subunidades ribossômicas. Essas subunidades são então exportadas pelos poros do envelope nuclear para o citoplasma, onde se unem aos mRNA e executam a tradução — a síntese de proteínas. Portanto, o nucléolo é o coração da maquinaria de síntese proteica da célula.
A oxaliplatina é um fármaco quimioterápico usado no tratamento de câncer colorretal. Seu mecanismo de ação envolve a ligação ao DNA, formando adutos que bloqueiam a replicação e a transcrição. Quando o enunciado afirma que ela "inibe a transcrição no nucléolo", significa que o fármaco impede a produção do RNAr e, consequentemente, a formação de novos ribossomos. Como as células cancerosas estão em intensa proliferação e dependem de alta taxa de síntese proteica para sustentar sua divisão acelerada, a falta de ribossomos leva à interrupção do crescimento e à morte celular (apoptose ou necrose).
A pegadinha central desta questão é a cadeia de eventos: inibição da transcrição no nucléolo → falta de subunidades ribossomais no citoplasma → redução da síntese proteica → morte celular. A banca explora justamente a confusão entre os diferentes processos que ocorrem no núcleo e no citoplasma. O aluno que não domina a função específica do nucléolo pode ser atraído por alternativas que mencionam DNA, reparo, genes ou transporte de membrana, mas que não se conectam diretamente ao efeito descrito no enunciado.
Para resolver, é essencial lembrar que a transcrição (síntese de RNA a partir do DNA) ocorre no núcleo, e que o nucléolo é especializado na transcrição do RNAr. A inibição dessa transcrição específica não afeta diretamente o reparo do DNA, a ativação de genes de apoptose, o transporte de solutos ou a difusão através da membrana — ela afeta especificamente a produção de ribossomos. É essa relação direta entre nucléolo, ribossomos e síntese proteica que a alternativa C captura com precisão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com processos que também envolvem DNA e núcleo, mas que não são o efeito direto da inibição da transcrição no nucléolo. A alternativa A fala em "sistema de reparo" (que ocorre no DNA, mas não no nucléolo), a B fala em "genes de apoptose" (que são transcritos no núcleo, mas não especificamente no nucléolo), e a D e E falam de transporte de membrana, que nada tem a ver com o nucléolo. O candidato que sabe que o nucléolo produz ribossomos elimina todas as outras opções e chega à C com segurança.
1Inibe transcrição no nucléolo
2Sem RNAr nem subunidades ribossomais
3Falta de ribossomos no citoplasma
4Redução da síntese proteica
5Morte da célula cancerosa
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a oxaliplatina inibe o sistema de reparo que previne mutações no DNA. Embora a oxaliplatina de fato se ligue ao DNA e possa interferir em processos como replicação e transcrição, o enunciado especifica que o efeito é sobre a transcrição no nucléolo, não sobre o sistema de reparo. O reparo de DNA é um conjunto de enzimas que corrigem lesões no DNA, e sua inibição levaria ao acúmulo de mutações, não diretamente à falta de ribossomos. A alternativa confunde o mecanismo geral do fármaco (que pode afetar o DNA) com o efeito específico descrito (inibição da transcrição no nucléolo).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a oxaliplatina desativa o conjunto de genes nucleares responsáveis pela apoptose. A apoptose é a morte celular programada, e seus genes estão localizados no núcleo, mas não especificamente no nucléolo. O enunciado diz que a inibição ocorre no nucléolo, que é responsável pela síntese de RNAr, não pela regulação da apoptose. A morte celular é uma consequência da falta de síntese proteica, não o alvo direto do fármaco. A alternativa inverte a relação de causa e efeito: a oxaliplatina não desativa genes de apoptose; ela impede a produção de ribossomos, e a célula morre por não conseguir manter suas funções vitais.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que a oxaliplatina reduz a síntese proteica devido à falta de subunidades ribossomais no citoplasma. Isso está exatamente de acordo com o mecanismo descrito: a inibição da transcrição no nucléolo impede a produção de RNAr e a montagem das subunidades ribossômicas. Sem essas subunidades, que são exportadas para o citoplasma, os ribossomos não podem se formar e a tradução (síntese de proteínas) fica comprometida. Como as células cancerosas dependem de alta taxa de síntese proteica para proliferar, a redução dessa síntese leva à morte celular. A alternativa C é a única que estabelece a cadeia causal correta: nucléolo → ribossomos → síntese proteica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a oxaliplatina provoca desidratação celular ao interromper o transporte ativo de solutos no citoplasma. O transporte ativo é realizado por proteínas da membrana plasmática, como as bombas de sódio-potássio, e não tem relação com o nucléolo ou com a transcrição. A desidratação celular poderia ocorrer por disfunção de canais iônicos ou por osmose, mas não é o efeito descrito no enunciado. A alternativa mistura conceitos de fisiologia de membrana com o mecanismo de ação do fármaco, que é nuclear. Não há qualquer conexão entre a inibição da transcrição no nucléolo e o transporte ativo de solutos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a oxaliplatina interrompe a difusão simples de substâncias para o interior das mitocôndrias. A difusão simples é um processo passivo que ocorre através da membrana plasmática e das membranas das organelas, sem gasto de energia. A mitocôndria é a organela responsável pela respiração celular e produção de ATP, mas não tem relação com o nucléolo ou com a transcrição. O enunciado descreve um efeito nuclear (inibição da transcrição no nucléolo), e a alternativa E fala de um processo de membrana que não está conectado a esse mecanismo. A oxaliplatina não age sobre a difusão simples nem sobre as mitocôndrias; seu alvo é o DNA e a transcrição no núcleo.
Gabarito: letra C — a oxaliplatina reduz a síntese proteica porque, ao inibir a transcrição no nucléolo, impede a formação de subunidades ribossomais necessárias para a tradução no citoplasma.