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Questão de Biologia — Sistema Excretor (Anatomia e Fisiologia Humanas) — VUNESP 2024

BiologiaSistema Excretor (Anatomia e Fisiologia Humanas)
Código
vu198704
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2024
Cargo
Biom ( )
A avaliação laboratorial da função renal é crucial tanto para o diagnóstico quanto para o acompanhamento da doença renal. Dentre os testes realizados, a avaliação da filtração glomerular é particularmente importante. A respeito dos testes de filtração glomerular, assinale a alternativa correta.
  1. AA dosagem da ureia na urina pode ser utilizada para avaliação da taxa de filtração glomerular já que a ureia não é reabsorvida pelas células tubulares renais.
  2. BA inulina é uma substância estável, que não é reabsorvida ou secretada pelos túbulos renais e, portanto, após ser administrada ao paciente, sua posterior dosagem na urina é frequentemente utilizada para avaliação da filtração glomerular.
  3. CA creatinina é um produto do metabolismo muscular, e sua dosagem é frequentemente utilizada para avaliação da função glomerular.
  4. DO clearence de creatinina em amostra de urina de 24 horas é o exame mais apropriado para a estimativa da taxa de filtração glomerular, já que não sofre alterações pelo uso de medicamentos, ritmo biológico ou erros de coleta.
  5. EAo interpretar os resultados de um teste de depuração da creatinina, a taxa de filtração glomerular é determinada pelo número de néfrons em funcionamento e pela sua capacidade funcional, possibilitando, dessa forma, a detecção precoce da doença renal.
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GabaritoC — A creatinina é um produto do metabolismo muscular, e sua dosagem é frequentemente utilizada para avaliação da função glomerular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação da filtração glomerular: marcadores e métodos

Gabarito: letra C. A creatinina é um produto do metabolismo muscular e sua dosagem é o método mais utilizado na prática clínica para avaliar a função glomerular, pois é produzida de forma relativamente constante e é livremente filtrada pelo glomérulo, com pouca ou nenhuma reabsorção tubular. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre os marcadores de filtração glomerular, como a afirmação de que a ureia não é reabsorvida (ela é parcialmente reabsorvida) e a de que o clearance de creatinina não sofre influência de medicamentos ou erros de coleta (sofre).

A filtração glomerular é o processo pelo qual o sangue é filtrado nos glomérulos renais, formando o filtrado que dará origem à urina. A taxa de filtração glomerular (TFG) é o volume de plasma filtrado pelos glomérulos por unidade de tempo, sendo o melhor indicador global da função renal. Para estimá-la, utilizam-se substâncias que são livremente filtradas e que não são reabsorvidas nem secretadas pelos túbulos, de modo que a quantidade excretada na urina reflita diretamente a quantidade filtrada. O padrão-ouro para essa medida é a inulina, um polímero de frutose que atende a esses critérios, mas seu uso é limitado à pesquisa por exigir infusão intravenosa contínua e dosagens laboratoriais complexas. Na prática clínica, a creatinina é o marcador endógeno mais utilizado, pois é produzida pelo metabolismo muscular a uma taxa relativamente constante, é filtrada livremente e não é reabsorvida pelos túbulos, embora seja secretada em pequena quantidade, o que pode levar a uma leve superestimação da TFG quando medida pelo clearance.

A ureia, por sua vez, é um produto do metabolismo proteico que também é filtrada, mas é parcialmente reabsorvida nos túbulos, o que a torna um marcador menos preciso da TFG. A relação ureia/creatinina pode ser útil em alguns contextos clínicos, mas a ureia isoladamente não é um bom marcador da filtração glomerular. O clearance de creatinina, calculado a partir da dosagem de creatinina no sangue e na urina de 24 horas, é um método amplamente utilizado, mas está sujeito a erros de coleta, variações do ritmo biológico e interferência de medicamentos, como os que inibem a secreção tubular de creatinina (por exemplo, cimetidina e trimetoprima). Por isso, a alternativa D, que afirma que o clearance de creatinina não sofre alterações por esses fatores, está incorreta.

A alternativa E aborda a interpretação do clearance de creatinina, afirmando que a TFG é determinada pelo número de néfrons funcionantes e sua capacidade funcional, o que é verdadeiro, mas a afirmação de que isso possibilita a detecção precoce da doença renal é problemática. A TFG estimada pelo clearance de creatinina é um marcador de função renal, mas a doença renal pode estar presente mesmo com TFG normal, especialmente nos estágios iniciais, quando há lesão renal com função preservada. Além disso, a creatinina sérica e o clearance de creatinina só se alteram de forma significativa quando há perda de aproximadamente 50% da função renal, o que não caracteriza detecção precoce. Marcadores mais sensíveis, como a cistatina C ou a albuminúria, podem detectar lesão renal mais precocemente.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre os marcadores de filtração glomerular e suas propriedades. A banca explora o conhecimento de que a inulina é o padrão-ouro, mas que não é utilizada na prática clínica de rotina, enquanto a creatinina é o marcador endógeno mais usado. Além disso, a alternativa B, que descreve a inulina, está correta em sua descrição, mas a alternativa C é a mais adequada como resposta, pois aborda o marcador mais frequentemente utilizado na prática clínica. A alternativa A erra ao afirmar que a ureia não é reabsorvida, e a alternativa D erra ao afirmar que o clearance de creatinina não sofre interferências.

1Inulina (padrão-ouro)
Não reabsorvida
Não secretada
Uso limitado à pesquisa
2Creatinina (prática clínica)
Produto do metabolismo muscular
Produção constante
Filtrada livremente
Pequena secreção tubular
3Ureia (marcador limitado)
Parcialmente reabsorvida
Não reflete diretamente a TFG
Marcadores de filtração glomerular
LEVELsoulevel.com.br
Marcadores de filtração glomerular: Inulina (padrão-ouro) (Não reabsorvida, Não secretada, Uso limitado à pesquisa); Creatinina (prática clínica) (Produto do metabolismo muscular, Produção constante, Filtrada livremente, Pequena secreção tubular); Ureia (marcador limitado) (Parcialmente reabsorvida, Não reflete diretamente a TFG)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que a ureia não é reabsorvida pelas células tubulares renais é falsa. A ureia é filtrada livremente pelo glomérulo, mas cerca de 40-50% é reabsorvida passivamente nos túbulos proximais e em outras porções do néfron, especialmente em estados de baixo fluxo urinário. Por isso, a ureia não é um marcador ideal da TFG, pois sua excreção não reflete diretamente a filtração glomerular. A dosagem de ureia na urina pode ser utilizada em cálculos de clearance, mas com limitações, e a afirmação de que ela não é reabsorvida é o erro central.

Alternativa B — ✅ Correta (mas não é o gabarito)

A descrição da inulina está correta: é uma substância estável, não é reabsorvida nem secretada pelos túbulos renais, e sua dosagem após administração é o padrão-ouro para medir a TFG. No entanto, a inulina é um polímero de frutose que precisa ser infundido por via intravenosa, o que limita seu uso à pesquisa e a situações específicas. Na prática clínica, a creatinina é o marcador mais utilizado, e a alternativa C, que aborda isso, é a resposta correta. A alternativa B é verdadeira, mas não é a mais adequada como resposta à pergunta, que pede a alternativa correta sobre os testes de filtração glomerular em geral.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A creatinina é um produto do metabolismo muscular, produzida a partir da creatina e da fosfocreatina nos músculos. Sua produção é relativamente constante, e ela é livremente filtrada pelo glomérulo, não sendo reabsorvida pelos túbulos, embora seja secretada em pequena quantidade. A dosagem de creatinina sérica e o clearance de creatinina são os métodos mais utilizados na prática clínica para avaliar a função glomerular. A alternativa C está correta ao afirmar que a creatinina é um produto do metabolismo muscular e que sua dosagem é frequentemente utilizada para avaliação da função glomerular.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação de que o clearance de creatinina em urina de 24 horas é o exame mais apropriado e que não sofre alterações pelo uso de medicamentos, ritmo biológico ou erros de coleta é falsa. O clearance de creatinina é um método útil, mas está sujeito a diversas interferências: medicamentos como cimetidina e trimetoprima podem inibir a secreção tubular de creatinina, superestimando a TFG; o ritmo biológico pode causar variações na produção de creatinina; e erros de coleta da urina de 24 horas são comuns e podem comprometer o resultado. Além disso, a creatinina sérica é influenciada pela massa muscular, dieta e outros fatores. Portanto, a alternativa D está incorreta ao afirmar que não sofre alterações.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação de que a TFG é determinada pelo número de néfrons em funcionamento e pela sua capacidade funcional é verdadeira, mas a conclusão de que isso possibilita a detecção precoce da doença renal é incorreta. A TFG estimada pelo clearance de creatinina só se altera de forma significativa quando há perda de aproximadamente 50% da função renal, o que não é considerado detecção precoce. A doença renal pode estar presente com TFG normal, especialmente nos estágios iniciais, quando há lesão renal com função preservada. Marcadores mais sensíveis, como a albuminúria ou a cistatina C, são utilizados para detecção precoce. Portanto, a alternativa E está incorreta ao afirmar que o clearance de creatinina possibilita a detecção precoce da doença renal.

Gabarito: letra C

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