Questão de Biologia — Urianálises e Fluidos Corporais — VUNESP 2024
Biologia›Urianálises e Fluidos Corporais
Código
vu198716
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2024
Cargo
Biom ( )
O exame de urina é um procedimento laboratorial comum e importante que analisa as características físicas, químicas e microscópicas da urina. Com relação a esse exame, assinale a alternativa correta.
APara a coleta de urina para urinálise de rotina não é necessário o descarte da primeira porção de urina recolhida por micção espontânea.
BUm dos métodos de conservação utilizados para preservar amostras de urina é a refrigeração de 2 a 8 ºC, que mantém a qualidade de análise para os sedimentos urinários, entretanto, há comprometimento nos testes químicos.
CNo exame físico da urina, a observação de coloração laranja com aspecto turvo é indicativa do quadro de desidratação grave.
DA gravidade específica da urina é uma medida da densidade das substâncias químicas dissolvidas na amostra.
ENa análise química da urina, o aumento do pH urinário pode ocorrer em decorrência de desidratação, diarreia, jejum, dieta hiperproteica e no diabetes.
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GabaritoD — A gravidade específica da urina é uma medida da densidade das substâncias químicas dissolvidas na amostra.
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Exame de urina: coleta, conservação e análise
Gabarito: letra D. A gravidade específica da urina é, de fato, uma medida da densidade das substâncias químicas dissolvidas na amostra, refletindo a capacidade de concentração renal. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre coleta, conservação, exame físico e químico da urina.
A urinálise é um dos exames laboratoriais mais solicitados e fornece informações valiosas sobre o funcionamento renal e sistêmico. Ela se divide em três etapas principais: exame físico (cor, aspecto, densidade), exame químico (pH, proteínas, glicose, cetonas, etc.) e exame microscópico do sedimento (células, cilindros, cristais, microrganismos). Cada etapa tem suas particularidades e fontes de erro, que a banca explora nas alternativas.
A gravidade específica (ou densidade relativa) mede a capacidade dos rins de concentrar ou diluir a urina, comparando-a com a densidade da água (1,000). Valores normais variam entre 1,005 e 1,030. Quanto mais solutos dissolvidos (ureia, creatinina, sais), maior a densidade. É um parâmetro importante na avaliação de distúrbios hidroeletrolíticos e da função tubular renal.
A coleta adequada é fundamental para a confiabilidade do exame. Para a urinálise de rotina, recomenda-se a coleta do jato médio, ou seja, descartar a primeira porção (que pode conter células e bactérias da uretra), coletar a porção intermediária e descartar o final. Isso minimiza contaminações. A conservação da amostra é outro ponto crítico: a refrigeração a 2-8°C é o método mais comum, mas pode precipitar cristais e alterar a densidade, comprometendo a análise do sedimento. O ideal é analisar a amostra em até 2 horas após a coleta, ou refrigerar por no máximo 24 horas.
No exame físico, a cor e o aspecto da urina são avaliados. A urina normal é amarela (citrina a âmbar), devido ao urocromo. Coloração laranja pode indicar uso de medicamentos (como rifampicina) ou desidratação, mas o aspecto turvo sugere presença de células, bactérias, cristais ou muco, não sendo específico de desidratação. A desidratação grave geralmente causa urina amarelo-escura/âmbar, não laranja turva.
O pH urinário reflete o equilíbrio ácido-base do organismo. Em condições normais, varia de 4,5 a 8,0. Dietas ricas em proteínas, jejum prolongado e diabetes mellitus (cetoacidose) tendem a acidificar a urina (diminuir o pH), não alcalinizá-la. O aumento do pH (alcalinidade) ocorre em infecções por bactérias que produzem urease (como Proteus), dieta vegetariana, alcalose metabólica e uso de certos medicamentos.
A pegadinha central desta questão está em inverter as associações entre achados urinários e suas causas. A banca mistura conceitos de coleta, conservação, exame físico e químico, exigindo que o candidato domine cada etapa do processo. Vamos analisar cada alternativa em detalhe.
Urinálise
1Coleta
Jato médio
Descarta 1ª porção
2Conservação
Refrigeração 2–8 °C
Preserva testes químicos
Pode alterar sedimento
3Exame físico
Cor
Desidratação → amarelo-escura
Laranja → medicamentos/alimentos
Gravidade específica
Mede solutos dissolvidos
Reflete concentração renal
4Exame químico
pH
Acidose: jejum, diabetes, dieta hiperproteica
Alcalose: infecção por Proteus, dieta vegetariana
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não é necessário descartar a primeira porção de urina na coleta para urinálise de rotina. Errado: o procedimento padrão é a coleta do jato médio, que exige o descarte da primeira porção (que pode conter células epiteliais e bactérias da uretra, contaminando a amostra). A coleta do jato médio é essencial para evitar resultados falso-positivos em exames de sedimento e cultura.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a refrigeração de 2 a 8°C mantém a qualidade para análise do sedimento, mas compromete os testes químicos. Invertido: a refrigeração é o método de conservação mais utilizado e preserva os testes químicos (como glicose, proteínas, pH), mas pode comprometer a análise do sedimento, pois o frio pode precipitar cristais (como fosfatos e uratos) e causar lise celular, alterando a contagem de células e cilindros. O ideal é analisar o sedimento em amostra fresca.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que coloração laranja com aspecto turvo indica desidratação grave. Errado: a desidratação grave causa urina amarelo-escura ou âmbar, não laranja. A coloração laranja pode ser causada por medicamentos (rifampicina, fenazopiridina), alimentos (beterraba, cenoura) ou condições como porfiria. O aspecto turvo sugere presença de elementos figurados (células, bactérias, cristais), não sendo específico de desidratação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A gravidade específica mede a densidade das substâncias dissolvidas na urina, refletindo a capacidade de concentração renal. Quanto maior a concentração de solutos (ureia, creatinina, sais), maior a densidade. É um parâmetro do exame físico que auxilia na avaliação de hidratação, função renal e distúrbios como diabetes insipidus (densidade baixa) e desidratação (densidade alta).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o aumento do pH urinário ocorre em desidratação, diarreia, jejum, dieta hiperproteica e diabetes. Invertido: essas condições causam acidose (diminuição do pH), pois aumentam a produção de ácidos metabólicos (corpos cetônicos, ácido lático). O pH urinário alcalino (aumentado) ocorre em infecções por bactérias urease-positivas, dieta vegetariana, alcalose metabólica e uso de bicarbonato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte as associações entre achados urinários e suas causas. Na alternativa E, por exemplo, condições que causam acidose (jejum, diabetes, dieta hiperproteica) são apresentadas como causas de alcalinidade. Na B, inverte o efeito da refrigeração sobre os testes químicos e o sedimento. Fique atento: desidratação, jejum e diabetes acidificam a urina, não a alcalinizam.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as causas de pH urinário alterado, lembre-se: acidose (pH baixo) → jejum, diabetes, dieta hiperproteica, diarreia; alcalose (pH alto) → infecção por Proteus, dieta vegetariana, vômitos. E para a coleta, o padrão é sempre o jato médio: descarta o primeiro jato, coleta o intermediário, descarta o final.