Questão de Biologia — Líquidos Orgânicos (Líquor) — VUNESP 2024
- Código
- vu198721
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Pref Peruíbe
- Ano
- 2024
- Cargo
- Biom ( )
- Aviral.
- Bbacteriana.
- Cfúngica.
- Dhelmíntica.
- Eindefinida.
GabaritoB — bacteriana.
Gabarito: letra B. O padrão liquórico descrito — discreto aumento da pressão, pleocitose expressiva com predomínio de neutrófilos, hiperproteinorraquia e lactato elevado — é o quadro clássico da meningite bacteriana aguda. A meningite viral, principal diagnóstico diferencial, cursa com predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal ou discretamente reduzida e lactato normal, enquanto a fúngica costuma apresentar celularidade menor e evolução subaguda/crônica.
O exame do LCR é a ferramenta central no diagnóstico diferencial das meningites. A punção lombar permite avaliar, em conjunto, a pressão de abertura, a celularidade (número e tipo de células), a glicorraquia, a proteinorraquia e o lactato — cada um desses parâmetros aponta para uma etiologia. A meningite bacteriana aguda é uma emergência médica: o curso é rápido, com evolução desfavorável em horas ou poucos dias, frequentemente seguindo o modelo de sepse. Por isso, a análise do liquor precisa ser feita com agilidade, e o atraso na administração de antimicrobianos é uma das principais causas de mortalidade e sequelas.
O padrão típico da meningite bacteriana no LCR é bem característico: pressão de abertura elevada, pleocitose com predomínio neutrofílico (usualmente acima de 1.000 células/mm³), hiperproteinorraquia (proteínas frequentemente acima de 200 mg/dL) e hipoglicorraquia (glicose abaixo de 40 mg/dL ou relação glicose/liquor < 0,4). O lactato elevado é um marcador adicional que reforça a etiologia bacteriana, pois reflete o metabolismo anaeróbio das bactérias e dos neutrófilos ativados. A coloração de Gram é positiva em 60 a 80% dos casos quando a coleta é feita antes do início dos antibióticos.
Em contraste, a meningite viral apresenta, em geral, pleocitose com predomínio de linfomononucleares, proteinorraquia normal ou discretamente elevada, glicorraquia normal e lactato normal. A meningite fúngica (como a criptocócica) costuma cursar com celularidade menor, predomínio linfomonocitário e evolução subaguda ou crônica, frequentemente em pacientes imunocomprometidos. A meningite helmíntica é rara e associada a eosinofilia no liquor, não se encaixando no padrão descrito.
A pegadinha desta questão está em associar corretamente o padrão citológico (neutrófilos) e bioquímico (lactato elevado) à etiologia bacteriana. O candidato que memoriza apenas "meningite viral = linfócitos" e "meningite bacteriana = neutrófilos" pode acertar, mas a banca reforça o quadro com o lactato elevado, que é um marcador específico de infecção bacteriana. Guarde o par celularidade × lactato: é exatamente nele que as alternativas se separam.
A meningite viral cursa com predomínio de linfomononucleares no LCR, não de neutrófilos. Além disso, o lactato costuma estar normal ou discretamente elevado, e a proteinorraquia é menos intensa. O quadro descrito — pleocitose neutrofílica expressiva com lactato elevado — é incompatível com a etiologia viral típica.
O padrão descrito é o clássico da meningite bacteriana aguda: pressão de abertura discretamente aumentada, pleocitose expressiva com predomínio ou totalidade de neutrófilos, hiperproteinorraquia e lactato elevado. A hipoglicorraquia, embora não citada no enunciado, também costuma acompanhar esse quadro. A combinação neutrófilos + lactato elevado é fortemente indicativa de infecção bacteriana.
A meningite fúngica (ex.: criptococose) apresenta, em geral, celularidade menor, predomínio linfomonocitário, glicorraquia normal ou discretamente reduzida e evolução subaguda/crônica. O lactato costuma estar normal. O quadro neutrofílico expressivo com lactato elevado não é o padrão fúngico.
A meningite helmíntica é rara e caracteriza-se por eosinofilia no LCR, não por predomínio neutrofílico. O lactato não é o marcador típico desse tipo de infecção. O padrão descrito não corresponde à etiologia helmíntica.
O padrão liquórico descrito é suficientemente característico para permitir o diagnóstico diferencial. A combinação de pleocitose neutrofílica expressiva, hiperproteinorraquia e lactato elevado aponta claramente para a etiologia bacteriana, não sendo o caso de diagnóstico indefinido.
A banca explora a confusão entre os padrões liquóricos das meningites. O candidato pode lembrar que "meningite viral tem linfócitos" e "bacteriana tem neutrófilos", mas a questão adiciona o lactato elevado — um marcador que reforça a etiologia bacteriana. Se você vir neutrófilos + lactato alto, pense em bactéria; se vir linfomononucleares + lactato normal, pense em vírus. Com treino, essa distinção fica automática 💪.
Monte uma tabela mental comparando os padrões liquóricos:
Parâmetro | Bacteriana | Viral | Fúngica |
|---|---|---|---|
Celularidade | Alta (>1.000/mm³) | Moderada | Baixa/moderada |
Predomínio celular | Neutrófilos | Linfomononucleares | Linfomononucleares |
Glicorraquia | ↓↓ (<40 mg/dL) | Normal | Normal/↓ |
Proteinorraquia | ↑↑ (>200 mg/dL) | Normal/↑ | ↑ |
Lactato | ↑↑ | Normal | Normal |
Decore o par neutrófilos + lactato elevado = bactéria; linfomononucleares + lactato normal = vírus. Essa é a chave para a maioria das questões de diagnóstico diferencial das meningites.
Gabarito: letra B
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