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Questão de Biologia — Líquidos Orgânicos (Líquor) — VUNESP 2024

BiologiaLíquidos Orgânicos (Líquor)
Código
vu198721
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2024
Cargo
Biom ( )
O exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) contribui significativamente para o diagnóstico de patologias que envolvem o sistema nervoso e fundamental no diagnóstico do envolvimento neurológico das doenças infecciosas, no seu segmento terapêutico e análise evolutiva. O exame do LCR é fundamental para diagnóstico das meningites agudas. O padrão de LCR avaliado em uma amostra de paciente que mostrou discreto aumento na pressão do líquor, aumento expressivo do número de células, com predomínio ou totalidade de neutrófilos, aumento dos níveis proteicos e dos níveis de lactato. A partir da análise desse teste, é possível fazer o diagnóstico diferencial entre as meningites, que, nesse caso, é de origem
  1. Aviral.
  2. Bbacteriana.
  3. Cfúngica.
  4. Dhelmíntica.
  5. Eindefinida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — bacteriana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Líquido cefalorraquidiano (LCR) e diagnóstico diferencial das meningites

Gabarito: letra B. O padrão liquórico descrito — discreto aumento da pressão, pleocitose expressiva com predomínio de neutrófilos, hiperproteinorraquia e lactato elevado — é o quadro clássico da meningite bacteriana aguda. A meningite viral, principal diagnóstico diferencial, cursa com predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal ou discretamente reduzida e lactato normal, enquanto a fúngica costuma apresentar celularidade menor e evolução subaguda/crônica.

O exame do LCR é a ferramenta central no diagnóstico diferencial das meningites. A punção lombar permite avaliar, em conjunto, a pressão de abertura, a celularidade (número e tipo de células), a glicorraquia, a proteinorraquia e o lactato — cada um desses parâmetros aponta para uma etiologia. A meningite bacteriana aguda é uma emergência médica: o curso é rápido, com evolução desfavorável em horas ou poucos dias, frequentemente seguindo o modelo de sepse. Por isso, a análise do liquor precisa ser feita com agilidade, e o atraso na administração de antimicrobianos é uma das principais causas de mortalidade e sequelas.

O padrão típico da meningite bacteriana no LCR é bem característico: pressão de abertura elevada, pleocitose com predomínio neutrofílico (usualmente acima de 1.000 células/mm³), hiperproteinorraquia (proteínas frequentemente acima de 200 mg/dL) e hipoglicorraquia (glicose abaixo de 40 mg/dL ou relação glicose/liquor < 0,4). O lactato elevado é um marcador adicional que reforça a etiologia bacteriana, pois reflete o metabolismo anaeróbio das bactérias e dos neutrófilos ativados. A coloração de Gram é positiva em 60 a 80% dos casos quando a coleta é feita antes do início dos antibióticos.

Em contraste, a meningite viral apresenta, em geral, pleocitose com predomínio de linfomononucleares, proteinorraquia normal ou discretamente elevada, glicorraquia normal e lactato normal. A meningite fúngica (como a criptocócica) costuma cursar com celularidade menor, predomínio linfomonocitário e evolução subaguda ou crônica, frequentemente em pacientes imunocomprometidos. A meningite helmíntica é rara e associada a eosinofilia no liquor, não se encaixando no padrão descrito.

A pegadinha desta questão está em associar corretamente o padrão citológico (neutrófilos) e bioquímico (lactato elevado) à etiologia bacteriana. O candidato que memoriza apenas "meningite viral = linfócitos" e "meningite bacteriana = neutrófilos" pode acertar, mas a banca reforça o quadro com o lactato elevado, que é um marcador específico de infecção bacteriana. Guarde o par celularidade × lactato: é exatamente nele que as alternativas se separam.

1Bacteriana
Neutrófilos
Lactato elevado
Proteínas altas
2Viral
Linfomononucleares
Lactato normal
Glicose normal
3Fúngica
Linfomononucleares
Evolução subaguda
Imunocomprometidos
Padrão liquórico
LEVELsoulevel.com.br
Padrão liquórico: Bacteriana (Neutrófilos, Lactato elevado, Proteínas altas); Viral (Linfomononucleares, Lactato normal, Glicose normal); Fúngica (Linfomononucleares, Evolução subaguda, Imunocomprometidos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A meningite viral cursa com predomínio de linfomononucleares no LCR, não de neutrófilos. Além disso, o lactato costuma estar normal ou discretamente elevado, e a proteinorraquia é menos intensa. O quadro descrito — pleocitose neutrofílica expressiva com lactato elevado — é incompatível com a etiologia viral típica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O padrão descrito é o clássico da meningite bacteriana aguda: pressão de abertura discretamente aumentada, pleocitose expressiva com predomínio ou totalidade de neutrófilos, hiperproteinorraquia e lactato elevado. A hipoglicorraquia, embora não citada no enunciado, também costuma acompanhar esse quadro. A combinação neutrófilos + lactato elevado é fortemente indicativa de infecção bacteriana.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A meningite fúngica (ex.: criptococose) apresenta, em geral, celularidade menor, predomínio linfomonocitário, glicorraquia normal ou discretamente reduzida e evolução subaguda/crônica. O lactato costuma estar normal. O quadro neutrofílico expressivo com lactato elevado não é o padrão fúngico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A meningite helmíntica é rara e caracteriza-se por eosinofilia no LCR, não por predomínio neutrofílico. O lactato não é o marcador típico desse tipo de infecção. O padrão descrito não corresponde à etiologia helmíntica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O padrão liquórico descrito é suficientemente característico para permitir o diagnóstico diferencial. A combinação de pleocitose neutrofílica expressiva, hiperproteinorraquia e lactato elevado aponta claramente para a etiologia bacteriana, não sendo o caso de diagnóstico indefinido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os padrões liquóricos das meningites. O candidato pode lembrar que "meningite viral tem linfócitos" e "bacteriana tem neutrófilos", mas a questão adiciona o lactato elevado — um marcador que reforça a etiologia bacteriana. Se você vir neutrófilos + lactato alto, pense em bactéria; se vir linfomononucleares + lactato normal, pense em vírus. Com treino, essa distinção fica automática 💪.

PEGA ESSA DICA!

Monte uma tabela mental comparando os padrões liquóricos:

Parâmetro

Bacteriana

Viral

Fúngica

Celularidade

Alta (>1.000/mm³)

Moderada

Baixa/moderada

Predomínio celular

Neutrófilos

Linfomononucleares

Linfomononucleares

Glicorraquia

↓↓ (<40 mg/dL)

Normal

Normal/↓

Proteinorraquia

↑↑ (>200 mg/dL)

Normal/↑

↑

Lactato

↑↑

Normal

Normal

Decore o par neutrófilos + lactato elevado = bactéria; linfomononucleares + lactato normal = vírus. Essa é a chave para a maioria das questões de diagnóstico diferencial das meningites.

Gabarito: letra B

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