Questão de Biologia — Coleta, Transporte e Manutenção de Amostras — VUNESP 2024
- Código
- vu198732
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Pref Peruíbe
- Ano
- 2024
- Cargo
- TLab ( )
- Aformaldeído.
- Btolueno.
- Ctimol.
- Dácido bórico.
- Eclorofórmio.
GabaritoD — ácido bórico.
Gabarito: letra D. Para preservar os elementos figurados (células, cilindros, cristais) na amostra de urina, o conservante de escolha é o ácido bórico, que atua como bacteriostático, impedindo a proliferação bacteriana e a consequente lise celular, mantendo a morfologia dos elementos para análise do sedimento. Essa é uma recomendação clássica da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e de diretrizes internacionais de uroanálise.
A coleta de urina para exame de rotina (EAS) ou para cultura exige cuidados pré-analíticos específicos, e a escolha do conservante é um deles. Quando o objetivo é analisar o sedimento urinário — ou seja, os elementos figurados como hemácias, leucócitos, células epiteliais e cilindros —, o desafio é impedir que esses elementos se degradem ou sejam destruídos antes da análise. As bactérias presentes na amostra, se não forem controladas, multiplicam-se rapidamente, consomem nutrientes, alteram o pH e podem causar hemólise e lise celular, comprometendo a contagem e a identificação dos elementos.
O ácido bórico é o conservante mais indicado nesse contexto porque atua como bacteriostático — inibe o crescimento bacteriano sem necessariamente matar as bactérias —, preservando a integridade celular por um período que pode chegar a 24-48 horas em temperatura ambiente. Ele é amplamente utilizado em frascos de coleta comercializados para urocultura e para exames de sedimento, justamente por equilibrar a preservação dos elementos figurados com a viabilidade bacteriana quando há pedido de cultura simultâneo.
Outros conservantes têm finalidades distintas: o formaldeído é um fixador potente, mas tóxico e que interfere em diversas dosagens bioquímicas; o tolueno e o clorofórmio são solventes orgânicos que formam uma camada sobre a urina, preservando certos analitos químicos, mas não são adequados para preservar células — além de serem tóxicos e interferirem em testes; o timol é um bacteriostático, porém menos eficaz que o ácido bórico e pode interferir na análise de proteínas e na cristalização. A escolha do conservante depende, portanto, do exame solicitado: para bioquímica de urina de 24 horas, usam-se ácido clorídrico, carbonato de sódio, ácido acético etc.; para sedimento e cultura, o ácido bórico é o padrão.
A pegadinha da banca está em associar "preservação de elementos figurados" a qualquer conservante genérico. O candidato que decora apenas a lista de conservantes sem entender a função de cada um tende a marcar formaldeído (por ser fixador) ou timol (por ser bacteriostático), mas o ácido bórico é o que melhor atende ao requisito específico de preservar células para análise posterior, sendo o mais recomendado na prática laboratorial.
Guarde a distinção central: elementos figurados (sedimento) → ácido bórico; dosagens bioquímicas → conservantes específicos conforme o analito (ácido clorídrico, carbonato de sódio, etc.). É essa fronteira que separa as alternativas.
O formaldeído é um fixador de tecidos, utilizado em histologia e citologia para preservar morfologia celular, mas na urina ele é tóxico, interfere em diversas reações químicas e não é recomendado como conservante de rotina para elementos figurados. Além disso, sua ação fixadora pode alterar a morfologia celular e precipitar proteínas, inviabilizando a análise do sedimento.
O tolueno é um solvente orgânico que forma uma camada sobre a superfície da urina, criando uma barreira contra o oxigênio e inibindo o crescimento bacteriano. É utilizado em alguns protocolos de urina de 24 horas para dosagens bioquímicas, mas não preserva adequadamente os elementos figurados — as células podem se degradar mesmo com a camada de tolueno — e interfere em testes que utilizam reagentes orgânicos.
O timol é um bacteriostático que pode ser usado como conservante, mas é menos eficaz que o ácido bórico na preservação de elementos figurados. Ele pode interferir na dosagem de proteínas e na cristalização de sais, além de não ser o padrão recomendado para análise de sedimento urinário.
O ácido bórico é o conservante de escolha para preservar os elementos figurados da urina. Sua ação bacteriostática impede a proliferação bacteriana, que é a principal causa de lise celular e degradação do sedimento. É amplamente utilizado em frascos comerciais de coleta, tanto para exame de rotina quanto para urocultura, pois preserva as células sem inviabilizar a cultura bacteriana.
O clorofórmio é um solvente orgânico que, como o tolueno, forma uma camada sobre a urina e atua como bacteriostático. No entanto, é tóxico, volátil e interfere em diversas dosagens bioquímicas. Não é recomendado para preservação de elementos figurados, pois não impede a degradação celular a longo prazo e pode causar hemólise.
Para fixar, monte um quadro mental: ácido bórico = sedimento/cultura (preserva células e bactérias); ácido clorídrico = dosagens bioquímicas (estabiliza pH, preserva analitos como cálcio, fósforo, oxalato); carbonato de sódio = ácido úrico (alcaliniza e solubiliza); ácido acético = metanefrinas, chumbo; tolueno/clorofórmio = solventes orgânicos (camada protetora, uso limitado). Na prova, leia o que a questão pede: se for "elementos figurados", a resposta é ácido bórico.
Gabarito: letra D
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