Questão de Biologia — Sistema Excretor (Anatomia e Fisiologia Humanas) — VUNESP 2024
- Código
- vu198738
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Pref Peruíbe
- Ano
- 2024
- Cargo
- TLab ( )
- Aureia
- Bcreatinina.
- Cinulina.
- Dalbumina.
- E2-microglobulina.
GabaritoB — creatinina.
Gabarito: letra B. A creatinina é a substância cuja concentração sérica é rotineiramente dosada para estimar a taxa de filtração glomerular (TFG), pois é produzida de forma constante pelo metabolismo muscular, filtrada livremente nos glomérulos e não reabsorvida pelos túbulos renais — características que a tornam um marcador endógeno confiável da função renal.
A taxa de filtração glomerular é o volume de plasma filtrado pelos glomérulos por unidade de tempo e representa o melhor índice global da função renal. Como medir diretamente a TFG é complexo e invasivo, a prática clínica utiliza substâncias cuja depuração (clearance) reflita a filtração glomerular. O clearance de uma substância é o volume de plasma que seria completamente depurado dela em um minuto, calculado pela fórmula: clearance = (concentração urinária × fluxo urinário) / concentração plasmática. Para que uma substância sirva como marcador ideal de TFG, ela deve ser filtrada livremente no glomérulo, não ser reabsorvida nem secretada pelos túbulos, e ter produção constante no organismo.
A creatinina é um produto do metabolismo da creatina, presente principalmente no músculo esquelético. Sua produção diária é relativamente constante, proporcional à massa muscular, e ela é filtrada livremente no glomérulo, com mínima reabsorção tubular. Embora haja pequena secreção tubular de creatinina, o clearance de creatinina se aproxima da TFG real, sendo amplamente utilizado na prática clínica. A estimativa da TFG a partir da creatinina sérica é feita por equações como a de Cockcroft-Gault ou a CKD-EPI, que incorporam idade, sexo e etnia, pois a creatinina sérica isolada não é um marcador sensível de disfunção renal leve.
A inulina é o padrão-ouro para medir a TFG, pois é filtrada livremente e não é reabsorvida, secretada nem metabolizada. No entanto, seu uso é restrito a pesquisas e situações especiais, pois requer infusão intravenosa contínua e coleta de urina por tempo determinado, sendo inviável para exames de rotina. A ureia, embora seja um marcador de função renal, é influenciada por fatores como ingestão proteica, catabolismo e estado de hidratação, além de ser parcialmente reabsorvida nos túbulos, o que a torna menos precisa que a creatinina. A albumina é uma proteína plasmática que não é filtrada em condições normais; sua presença na urina indica lesão glomerular, mas não é usada para estimar a TFG. A β2-microglobulina é uma proteína de baixo peso molecular que pode ser usada como marcador de função renal, mas não é a substância dosada rotineiramente para esse fim.
A pegadinha da questão está em distinguir o marcador de rotina (creatinina) do padrão-ouro (inulina). A banca explora o conhecimento de que a inulina é o método de referência, mas a pergunta pede especificamente o exame de sangue de rotina, que é a creatinina. Guarde essa distinção: inulina é o padrão-ouro para pesquisa; creatinina é o marcador clínico de rotina.
A ureia é um marcador de função renal, mas não é a principal substância dosada para estimar a TFG. Ela é influenciada por fatores extrarenais, como ingestão proteica, catabolismo e hidratação, e é parcialmente reabsorvida nos túbulos, o que reduz sua precisão como marcador de filtração glomerular. A relação ureia/creatinina pode ser útil em alguns contextos, mas a creatinina é o marcador de escolha.
A creatinina é a substância cuja concentração sérica é determinada em exames de sangue de rotina para estimar a TFG. Sua produção é constante, é filtrada livremente no glomérulo e não é reabsorvida, o que a torna um marcador endógeno prático e confiável. Equações como CKD-EPI e Cockcroft-Gault utilizam a creatinina sérica para estimar a TFG.
A inulina é o padrão-ouro para medir a TFG, pois é filtrada livremente e não é reabsorvida nem secretada. No entanto, seu uso requer infusão intravenosa contínua e coleta de urina, sendo inviável para exames de rotina. A questão pede especificamente o exame de sangue de rotina, que é a creatinina.
A albumina é uma proteína plasmática que não é filtrada em condições normais. Sua presença na urina (albuminúria) indica lesão glomerular, mas não é utilizada para estimar a TFG. A dosagem de albumina sérica é usada para avaliar estado nutricional e função hepática, não a filtração glomerular.
A β2-microglobulina é uma proteína de baixo peso molecular que pode ser usada como marcador de função renal, mas não é a substância dosada rotineiramente em exames de sangue para estimar a TFG. Seu uso é mais comum em situações específicas, como monitoramento de pacientes transplantados, e não faz parte do painel de rotina.
Gabarito: letra B
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