Pular para o conteúdo principal

Questão de Biologia — Cultura de Células — VUNESP 2024

BiologiaCultura de Células
Código
vu198746
Banca
VUNESP
Órgão
UNICAMP
Ano
2024
Cargo
Prof AU ( )
Em cultivos celulares eucarióticos, a composição do meio de cultura é crucial para manter a proliferação e a saúde das células. As presenças de certos componentes, como aminoácidos, tampões e fatores de crescimento, desempenham papéis importantes na manutenção da homeostase celular e na capacidade das células de se dividir e proliferar. Estudos mostram que a alteração ou ausência de alguns desses componentes pode levar a estresse celular e comprometimento do crescimento. Uma linhagem celular eucariótica, que exige suplementação de fatores específicos no meio de cultura para proliferação adequada, foi cultivada. Após uma mudança no fornecedor dos suplementos, as células começaram a mostrar sinais de estresse e redução na taxa de divisão celular. A ausência de qual dos seguintes componentes causou esse problema?
  1. AAminoácidos não essenciais.
  2. BFatores de inibição não específicos.
  3. CFatores de inibição específicos.
  4. DAntibióticos.
  5. EGlutamina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Glutamina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cultura de células eucarióticas: o papel da glutamina no meio de cultura

Gabarito: letra E. A ausência de glutamina é a causa mais provável do estresse e da redução da taxa de divisão celular descritos no enunciado, pois esse aminoácido é um nutriente essencial e o principal substrato energético e precursor de nucleotídeos para células em proliferação em cultura. As demais alternativas (aminoácidos não essenciais, fatores de inibição e antibióticos) não são componentes cuja ausência tipicamente cause esse quadro agudo de comprometimento do crescimento.

A glutamina é um aminoácido condicionalmente essencial em cultura de células. Embora as células consigam sintetizá-la em condições fisiológicas normais, em cultura elas a consomem em taxas muito superiores à capacidade de síntese, tornando-a um nutriente crítico. Ela participa de vias centrais do metabolismo: é fonte de nitrogênio para a síntese de purinas e pirimidinas (nucleotídeos), precursora de outros aminoácidos e, principalmente, é oxidada no ciclo de Krebs (via glutaminólise) para gerar ATP e intermediários metabólicos. Em células em rápida proliferação, a glutamina é consumida em quantidade tão alta que sua ausência leva rapidamente à parada do ciclo celular, estresse metabólico e, em casos extremos, à morte celular.

Na prática, os meios de cultura comerciais (como DMEM, RPMI-1640) já vêm com glutamina em sua formulação, mas ela é instável em solução aquosa, degradando-se com o tempo e com a temperatura. Por isso, muitos laboratórios adicionam L-glutamina fresca ou utilizam formas estáveis (como GlutaMAX™). Quando há troca de fornecedor dos suplementos, é comum que a glutamina venha em frasco separado (por ser termolábil) e, se houver erro na reconstituição ou na adição, as células rapidamente mostram os sintomas descritos.

A distinção importante aqui é entre aminoácidos essenciais e não essenciais no contexto de cultura. Os essenciais (como leucina, isoleucina, valina, etc.) são aqueles que a célula não consegue sintetizar e precisam vir prontos no meio. Os não essenciais (como alanina, aspartato, glutamato) a célula consegue produzir a partir de outros precursores. A glutamina, embora seja um aminoácido não essencial em condições normais, torna-se essencial em cultura devido à alta demanda — por isso é sempre suplementada. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que "aminoácidos não essenciais" são dispensáveis, mas a glutamina, apesar de ser não essencial em termos clássicos, é indispensável na prática de cultivo.

A pegadinha da questão está em associar o problema à troca de fornecedor e aos sintomas de estresse e redução da divisão. Componentes como antibióticos (penicilina/estreptomicina) previnem contaminação bacteriana, mas sua ausência não causa diretamente estresse metabólico — no máximo, aumenta o risco de contaminação. Fatores de inibição (específicos ou não) não são componentes padrão de meios de cultura; eles seriam usados para inibir crescimento, não para promovê-lo. Aminoácidos não essenciais, embora importantes, são sintetizáveis pela célula e sua ausência raramente causa um colapso tão rápido. A glutamina, por ser o nutriente mais consumido e mais lábil, é a resposta correta.

Guarde este critério: em cultura de células, quando o problema é estresse metabólico e queda na proliferação após mudança de lote/fornecedor, o primeiro suspeito é sempre a glutamina — por sua instabilidade e papel central no metabolismo. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Aminoácido condicionalmente essencial
  2. 2Alta demanda em proliferação
  3. 3Precursora de nucleotídeos
  4. 4Fonte de ATP (glutaminólise)
  5. 5Instável em solução aquosa
  6. 6Ausência → estresse e parada
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Os aminoácidos não essenciais (como alanina, aspartato, glutamato) são sintetizados pela própria célula a partir de precursores metabólicos. Sua ausência no meio de cultura pode ser compensada pela síntese endógena, e a maioria dos meios comerciais já os inclui em concentrações adequadas. A falta deles não costuma causar o quadro agudo de estresse e parada da proliferação descrito. A glutamina, embora seja um aminoácido não essencial em termos clássicos, é a exceção crítica — mas a alternativa fala de "aminoácidos não essenciais" de forma genérica, o que a torna incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Fatores de inibição não específicos" não é um componente padrão de meios de cultura. Em cultura de células, o que se adiciona são fatores de crescimento (que estimulam a proliferação), não fatores de inibição. A ausência de algo que não faz parte da formulação usual não explicaria o problema. Além disso, a inibição seria o oposto do que se deseja — as células precisam proliferar, não ser inibidas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Da mesma forma que a anterior, "fatores de inibição específicos" não são componentes de meios de cultura para promover crescimento. Eles seriam usados, por exemplo, para bloquear vias de sinalização específicas em experimentos, mas não são suplementos essenciais para a proliferação celular. A ausência deles não causaria estresse metabólico nem redução da divisão celular.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os antibióticos (como penicilina e estreptomicina) são adicionados aos meios de cultura para prevenir contaminação bacteriana, não para promover o crescimento celular. Sua ausência aumenta o risco de contaminação, mas não causa diretamente estresse metabólico ou redução da taxa de divisão. As células podem crescer perfeitamente sem antibióticos, desde que o ambiente seja estéril. Portanto, a falta deles não explica o quadro descrito.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A glutamina é o componente cuja ausência causa exatamente os sintomas descritos: estresse celular e redução da proliferação. Ela é o aminoácido mais abundante no meio de cultura e o principal substrato energético e precursor de nucleotídeos para células em divisão. Sua instabilidade em solução (degradação com o tempo e temperatura) faz com que, ao trocar de fornecedor, seja comum haver erro na suplementação — levando ao quadro agudo de comprometimento do crescimento. A alternativa está correta porque identifica precisamente o nutriente crítico cuja falta compromete a saúde e a proliferação celular.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/vu198746