Questão de Biologia — Métodos de Identificação de Fungos — VUNESP 2024
Biologia›Métodos de Identificação de Fungos
Código
vu198836
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2024
Cargo
Biom ( )
Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o método rotineiramente utilizado para o exame microscópico direto com objetivo de pesquisar a presença de estruturas fúngicas e a temperatura para incubação e crescimento dos fungos clinicamente relevantes, após preparo do material biológico coletado.
ADiluição em solução fisiológica (1:2); 39 ºC.
BColoração de ferro (azul da Prússia); 42 ºC.
CClarificação em KOH (hidróxido de potássio); 30 ºC.
DDiluição em lugol 5% (1:5); 25 ºC.
EDiluição em formol 10% (1:1); 37 ºC.
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GabaritoC — Clarificação em KOH (hidróxido de potássio); 30 ºC.
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Exame micológico direto: clarificação com KOH e temperatura de incubação
Gabarito: letra C. O método rotineiro para pesquisa de estruturas fúngicas em exame microscópico direto é a clarificação com hidróxido de potássio (KOH), e a temperatura padrão para incubação e crescimento de fungos clinicamente relevantes é de aproximadamente 30 ºC. A alternativa C é a única que combina corretamente esses dois elementos.
O exame micológico direto é um procedimento fundamental na rotina laboratorial de micologia. Seu objetivo é a rápida detecção de elementos fúngicos (hifas, leveduras, esporos) diretamente no material biológico coletado, sem necessidade de cultivo prévio. A técnica mais difundida e consagrada para isso é a clarificação alcalina com KOH, que atua dissolvendo o material queratinoso, células epiteliais e debris celulares, tornando o esfregaço mais transparente e facilitando a visualização das estruturas fúngicas ao microscópio. O KOH é usado em concentrações que variam de 10% a 20%, e a leitura é feita em aumento de 40x ou 100x.
Após a confirmação ou suspeita de infecção fúngica, o material é semeado em meios de cultura apropriados (como ágar Sabouraud dextrose) e incubado em condições que favoreçam o crescimento dos fungos. A temperatura de incubação é um parâmetro crítico: a maioria dos fungos clinicamente relevantes, especialmente os dermatófitos e leveduras do gênero Candida, cresce bem em temperaturas entre 25 ºC e 30 ºC. A temperatura de 30 ºC é frequentemente citada como a ideal para o isolamento primário de fungos patogênicos, pois permite o crescimento de uma ampla variedade de espécies, incluindo as que não se desenvolvem bem a 37 ºC. Alguns fungos dimórficos, como Histoplasma capsulatum, crescem na forma de levedura a 37 ºC, mas a incubação inicial a 30 ºC é a mais rotineira para isolamento.
A banca explora a confusão entre o exame direto (que usa KOH) e outras técnicas de preparação de amostras, como diluições em soluções fisiológicas ou lugol, que são usadas em outros contextos (por exemplo, parasitologia). Além disso, as temperaturas apresentadas nas alternativas incorretas (39 ºC, 42 ºC, 25 ºC, 37 ºC) são distratores: 37 ºC é a temperatura corporal e usada para alguns fungos dimórficos, mas não é a temperatura padrão de incubação para a maioria dos fungos clinicamente relevantes; 25 ºC é temperatura ambiente, usada para fungos ambientais, mas não é a mais rotineira para amostras clínicas; 39 ºC e 42 ºC são temperaturas elevadas, mais associadas a bactérias termófilas ou a testes específicos, não ao crescimento fúngico padrão.
Guarde a distinção central: o exame direto busca a visualização imediata de estruturas fúngicas e usa KOH como clarificador; a incubação visa o crescimento do fungo em cultura e usa temperatura de 25-30 ºC para a maioria dos casos. É exatamente essa combinação que a alternativa correta apresenta.
Exame micológico direto: Objetivo (Detectar hifas, leveduras e esporos, Sem cultivo prévio); Técnica padrão (Clarificação com KOH (10–20%), Dissolve queratina e debris, Leitura em 40x ou 100x); Incubação (Ágar Sabouraud dextrose, 25–30 ºC (padrão 30 ºC), Dimórficos: 37 ºC (levedura))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A diluição em solução fisiológica (1:2) não é o método rotineiro para exame micológico direto. A solução fisiológica é usada para exames a fresco de outros tipos de amostras (como parasitas em fezes), mas não clarifica o material para visualização de fungos. Além disso, a temperatura de 39 ºC é inadequada para o crescimento da maioria dos fungos clinicamente relevantes, que preferem temperaturas mais amenas (25-30 ºC).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A coloração de ferro (azul da Prússia) é uma técnica histoquímica usada para detectar ferro em tecidos, não para pesquisa de fungos. O método correto para exame direto de fungos é a clarificação com KOH. A temperatura de 42 ºC também é muito elevada para o crescimento fúngico padrão, sendo mais associada a bactérias termófilas.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A clarificação em KOH (hidróxido de potássio) é o método clássico e rotineiro para exame microscópico direto de fungos, pois dissolve o material orgânico e permite visualizar hifas e leveduras. A temperatura de 30 ºC é a mais adequada para incubação e crescimento da maioria dos fungos clinicamente relevantes, como dermatófitos e Candida spp. Esta é a combinação correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A diluição em lugol 5% (1:5) não é usada para exame micológico direto. O lugol é um corante usado em parasitologia (para visualizar cistos de protozoários) e em outras técnicas, mas não clarifica material para fungos. A temperatura de 25 ºC é usada para fungos ambientais, mas não é a mais rotineira para amostras clínicas, que preferem 30 ºC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A diluição em formol 10% (1:1) é usada para fixação de tecidos, não para exame direto de fungos. O formol não clarifica o material para visualização de estruturas fúngicas. A temperatura de 37 ºC é a temperatura corporal e é usada para alguns fungos dimórficos (como Histoplasma), mas não é a temperatura padrão de incubação para a maioria dos fungos clinicamente relevantes, que crescem melhor a 30 ºC.