Malária: ação dos plasmódios nos eritrócitos
Gabarito: letra A. Durante a ação dos plasmódios nos eritrócitos, ocorre a produção e a liberação de toxinas celulares na corrente sanguínea do hospedeiro, o que desencadeia os sintomas clássicos da malária, como febre e calafrios. As demais alternativas descrevem etapas do ciclo de vida do parasita que não ocorrem dentro das hemácias, mas sim em outras fases do ciclo, como no fígado ou no mosquito vetor.
A malária é uma protozoose causada por parasitas do gênero Plasmodium, sendo as espécies mais relevantes para humanos o P. falciparum, P. vivax, P. malariae e P. ovale. O ciclo de vida do parasita é complexo e envolve dois hospedeiros: o mosquito do gênero Anopheles (hospedeiro definitivo, onde ocorre a reprodução sexuada) e o ser humano (hospedeiro intermediário, onde ocorre a reprodução assexuada). A infecção humana começa com a picada do mosquito fêmea infectado, que injeta esporozoítos na corrente sanguínea. Esses esporozoítos migram rapidamente para o fígado, onde invadem os hepatócitos e se multiplicam assexuadamente, formando milhares de merozoítos. Após um período de incubação, os merozoítos são liberados na corrente sanguínea e invadem os eritrócitos (hemácias), iniciando a fase eritrocítica do ciclo.
É dentro dos eritrócitos que o parasita se alimenta de hemoglobina e se multiplica, passando por diferentes estágios de desenvolvimento: trofozoíto jovem (forma de anel), trofozoíto maduro, esquizonte e, finalmente, a ruptura da hemácia libera novos merozoítos, que irão invadir outras hemácias. Esse ciclo de invasão, multiplicação e ruptura é o que causa os sintomas da malária. Quando as hemácias se rompem, são liberados na corrente sanguínea não apenas os merozoítos, mas também restos metabólicos do parasita e toxinas, como o pigmento hemozoína (um subproduto da digestão da hemoglobina). Essas toxinas e restos celulares desencadeiam uma resposta inflamatória no hospedeiro, com liberação de citocinas, o que causa febre, calafrios, sudorese e outros sintomas sistêmicos. Portanto, a alternativa A está correta ao afirmar que durante a ação dos plasmódios nos eritrócitos ocorre a produção e liberação de toxinas celulares na corrente sanguínea.
As demais alternativas descrevem eventos que não ocorrem dentro dos eritrócitos. A alternativa B fala em "desdiferenciação celular do esporozoário para formação de células gaméticas", o que não corresponde a nenhuma etapa do ciclo. A alternativa C menciona a "diferenciação dos plasmódios juvenis em organismos adultos", um conceito vago e incorreto. A alternativa D fala em "fecundação dos gametas", que ocorre no estômago do mosquito vetor, não nos eritrócitos. A alternativa E menciona o "desenvolvimento embrionário de cistos", o que não é uma etapa do ciclo da malária. A banca explora a confusão entre as diferentes fases do ciclo de vida do parasita, tentando induzir o aluno a escolher uma alternativa que descreva um evento de outra fase.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque descreve exatamente o que acontece durante a fase eritrocítica da malária. Dentro dos eritrócitos, o Plasmodium se multiplica e, ao romper a hemácia, libera toxinas (como a hemozoína) e restos metabólicos na corrente sanguínea. Essas toxinas estimulam o sistema imunológico do hospedeiro, causando a liberação de citocinas e os sintomas febris característicos da doença. A produção e liberação de toxinas celulares é um evento central na patogênese da malária e está diretamente associada à ação dos plasmódios nos eritrócitos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque não existe "desdiferenciação celular do esporozoário para formação de células gaméticas" no ciclo da malária. Os esporozoítos são as formas infectantes injetadas pelo mosquito e migram para o fígado, onde se diferenciam em merozoítos. As células gaméticas (gametócitos) são formadas a partir de merozoítos que, em vez de continuar o ciclo assexuado, se diferenciam em formas sexuadas dentro dos eritrócitos. No entanto, essa diferenciação não é chamada de "desdiferenciação" e não ocorre a partir do esporozoário diretamente. A banca tenta confundir o aluno com um termo técnico incorreto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque a "diferenciação dos plasmódios juvenis em organismos adultos" não é um conceito aplicável ao ciclo da malária. O Plasmodium não passa por um estágio "juvenil" e "adulto" como organismos multicelulares. Dentro dos eritrócitos, o parasita se desenvolve em diferentes estágios (trofozoíto, esquizonte), mas isso não é uma diferenciação em "organismos adultos". A banca usa uma linguagem vaga e imprecisa para tentar confundir o aluno.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque a fecundação dos gametas do Plasmodium ocorre no estômago do mosquito vetor (Anopheles), e não nos eritrócitos do hospedeiro. Dentro dos eritrócitos, alguns merozoítos se diferenciam em gametócitos (formas sexuadas), mas a fecundação só ocorre quando o mosquito pica uma pessoa infectada e ingere esses gametócitos. No estômago do mosquito, os gametócitos se transformam em gametas e ocorre a fecundação, formando o oocisto. A banca tenta confundir o aluno ao mencionar um evento que ocorre em outra fase do ciclo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta porque o Plasmodium não forma cistos com desenvolvimento embrionário nos eritrócitos. O parasita se multiplica assexuadamente por esquizogonia, um processo de divisão múltipla que não envolve desenvolvimento embrionário. A formação de cistos é uma característica de outros protozoários, como a Entamoeba histolytica (causadora da amebíase), mas não do Plasmodium. A banca tenta confundir o aluno ao mencionar um mecanismo de outra protozoose.
Gabarito: letra A