A figura ilustra a origem evolutiva dos atuais camelídeos (camelos, dromedário, lhama, vicunha, alpaca e guanaco) a partir do ancestral Poebrodon, que migrou para a Eurásia e para a América do Sul milhões de anos atrás (MAA).
(www.researchgate.net. Adaptado.)
A existência dessas diferentes espécies de camelídeos, nos diferentes continentes, é explicada pela hipótese de
Aderiva genética, na qual as espécies surgiram de forma repentina e com diferenças genéticas na ausência da seleção natural.
Bevolução direcional, na qual o ancestral se modificou atendendo às mudanças ambientais de cada continente.
Cespeciação alopátrica, na qual houve interrupção do fluxo gênico entre os grupos separados geograficamente.
Despeciação simpátrica, na qual ocorreram mutações no ancestral e as populações formadas se separaram geograficamente.
Eevolução convergente, na qual as espécies se modificaram de forma simultânea nos diferentes continentes.
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GabaritoC — especiação alopátrica, na qual houve interrupção do fluxo gênico entre os grupos separados geograficamente.
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Especiação alopátrica nos camelídeos
Gabarito: letra C. A diversificação dos camelídeos em diferentes continentes é explicada pela especiação alopátrica, pois o ancestral comum (Poebrodon) teve suas populações separadas geograficamente (Eurásia e América do Sul), interrompendo o fluxo gênico entre elas — exatamente o que a alternativa C descreve. Esse é o mecanismo clássico de especiação por isolamento geográfico, um dos principais modos de origem de novas espécies.
A especiação é o processo pelo qual uma população ancestral se divide em duas ou mais espécies distintas. Para que isso ocorra, é necessário que haja isolamento reprodutivo — ou seja, que os grupos deixem de trocar genes entre si. O isolamento pode acontecer de diferentes formas, e a classificação principal divide a especiação em dois grandes tipos: alopátrica (com separação geográfica) e simpátrica (sem separação geográfica).
Na especiação alopátrica, uma barreira física (como um oceano, uma cordilheira ou um deserto) surge e divide a população original em grupos separados. Cada grupo, isolado, acumula mutações e passa por seleção natural e deriva genética de forma independente. Com o tempo, as diferenças genéticas se acumulam a ponto de, mesmo que a barreira desapareça, os grupos não conseguirem mais cruzar entre si — formando espécies diferentes. O caso dos camelídeos é um exemplo clássico: o ancestral Poebrodon, que viveu na América do Norte, migrou para a Eurásia (originando camelos e dromedários) e para a América do Sul (originando lhamas, vicunhas, alpacas e guanacos). A separação geográfica pelos oceanos interrompeu o fluxo gênico, permitindo que cada linhagem evoluísse de forma independente.
Na especiação simpátrica, ao contrário, as novas espécies surgem sem que haja uma barreira geográfica — a população ocupa a mesma área, mas algum fator (como a exploração de nichos ecológicos diferentes ou uma mutação que causa isolamento reprodutivo) leva à divergência. É um processo mais raro e mais difícil de ocorrer, pois a proximidade física favorece a troca de genes.
A figura da questão mostra exatamente o padrão alopátrico: um ancestral comum que se dispersa para regiões diferentes, e cada grupo isolado segue seu próprio caminho evolutivo. A palavra-chave que a banca explora é a interrupção do fluxo gênico — é isso que define a especiação alopátrica e que está presente na alternativa correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com a alternativa B (evolução direcional), que parece plausível porque menciona "mudanças ambientais". Mas a evolução não é um processo direcional que "atende" às necessidades do ambiente — ela é resultado da seleção natural sobre variações aleatórias. O que realmente explica a diversificação dos camelídeos é o isolamento geográfico, não a resposta adaptativa ao ambiente. Fique atento: quando a questão fala em populações separadas por barreiras físicas, o conceito cobrado é especiação alopátrica.
Especiação
1Alopátrica
Barreira geográfica
Interrupção do fluxo gênico
Ex.: camelídeos (Eurásia × América do Sul)
2Simpátrica
Sem barreira geográfica
Mesma área
Isolamento reprodutivo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A deriva genética é um mecanismo evolutivo real, mas a alternativa a descreve de forma equivocada. A deriva genética é a mudança aleatória na frequência de alelos de uma população, causada pelo acaso — não faz as espécies surgirem "de forma repentina" nem atua "na ausência da seleção natural". Na verdade, deriva e seleção natural atuam juntas na evolução das populações. Além disso, a deriva genética não é o mecanismo que explica a separação geográfica dos camelídeos — ela pode atuar dentro de cada população isolada, mas o gatilho do processo é o isolamento geográfico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A evolução direcional é um padrão de seleção natural em que um fenótipo extremo é favorecido, deslocando a média da população em uma direção. Mas a alternativa erra ao afirmar que "o ancestral se modificou atendendo às mudanças ambientais" — isso sugere uma visão lamarckista ou uma intencionalidade que não existe na evolução. As mutações são aleatórias; o ambiente apenas seleciona as variações que conferem vantagem. Além disso, a evolução direcional não explica a formação de múltiplas espécies em continentes diferentes — o que explica é o isolamento geográfico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A especiação alopátrica é exatamente o que a figura ilustra: o ancestral Poebrodon migrou para diferentes continentes, e as populações ficaram separadas por barreiras geográficas (oceanos). Essa separação interrompeu o fluxo gênico, permitindo que cada grupo acumulasse diferenças genéticas independentes até se tornarem espécies distintas. A alternativa descreve com precisão o mecanismo: "interrupção do fluxo gênico entre os grupos separados geograficamente". É o conceito central da especiação alopátrica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A especiação simpátrica ocorre sem separação geográfica — as novas espécies surgem na mesma área, por mecanismos como isolamento reprodutivo por comportamento, poliploidia ou exploração de nichos diferentes. A alternativa inverte o conceito ao afirmar que "ocorreram mutações no ancestral e as populações formadas se separaram geograficamente" — na simpátrica, não há separação geográfica; a divergência acontece com as populações coexistindo no mesmo território. O caso dos camelídeos, com populações em continentes diferentes, é claramente alopátrico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A evolução convergente ocorre quando espécies sem parentesco próximo desenvolvem características semelhantes por viverem em ambientes similares (como tubarões e golfinhos, que têm corpos hidrodinâmicos). Não é o caso dos camelídeos, que compartilham um ancestral comum recente e evoluíram em continentes separados. A alternativa erra ao afirmar que as espécies "se modificaram de forma simultânea" — cada linhagem evoluiu de forma independente, não simultânea, e o que as une é a ancestralidade comum, não a convergência adaptativa.
Gabarito: letra C — a especiação alopátrica, com interrupção do fluxo gênico por isolamento geográfico, explica a origem das diferentes espécies de camelídeos nos diferentes continentes.