A semelhança desse animal com galhos das árvores intriga muita gente. De acordo com a teoria sintética da evolução, essa semelhança do bicho-pau com galhos é explicada na frase:
AO ambiente induziu a recombinações gênicas, que resultaram em estruturas físicas no corpo do animal semelhantes aos galhos das árvores.
BPermutações direcionadas geraram patas em forma de galhos de árvores e essa característica adaptou o animal ao ambiente.
CMutações aleatórias geraram estruturas físicas no animal semelhantes aos galhos de árvores e essas características foram selecionadas positivamente.
DO ambiente provocou a transformação física do animal para se parecer aos galhos das árvores.
EO uso intenso das patas e do corpo do animal gerou semelhança com galhos de árvores, proporcionando vantagens evolutivas.
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GabaritoC — Mutações aleatórias geraram estruturas físicas no animal semelhantes aos galhos de árvores e essas características foram selecionadas positivamente.
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Teoria sintética da evolução e a camuflagem do bicho-pau
Gabarito: letra C. A semelhança do bicho-pau com galhos é explicada pela teoria sintética da evolução (neodarwinismo) como resultado de mutações aleatórias que geram variabilidade genética, sobre a qual atua a seleção natural, favorecendo os indivíduos com características que conferem vantagem adaptativa — no caso, a camuflagem que reduz a predação. As demais alternativas incorrem em erros clássicos: atribuem ao ambiente um papel direcionador (lamarckismo) ou induzido (como se o ambiente "causasse" as mutações), ou invocam o uso e desuso, concepções superadas pela síntese moderna.
A teoria sintética da evolução, também chamada de neodarwinismo, é a síntese entre o darwinismo (seleção natural) e a genética mendeliana. Ela estabelece que a variabilidade genética — matéria-prima da evolução — é gerada principalmente por mutação gênica e recombinação gênica (que inclui permutação ou crossing-over e a segregação independente dos cromossomos). Esses processos são aleatórios e não direcionados: não ocorrem "para atender" a uma necessidade do organismo nem são induzidos pelo ambiente com uma finalidade adaptativa. A seleção natural, por sua vez, é a força que direciona o processo evolutivo, atuando sobre a variabilidade existente: indivíduos portadores de características que aumentam a sobrevivência e a reprodução em determinado ambiente deixam mais descendentes, fazendo com que essas características se tornem mais frequentes na população ao longo das gerações.
No caso do bicho-pau, a semelhança com galhos é uma adaptação por mimetismo (especificamente, mimetismo por camuflagem ou criptismo). Ao longo de muitas gerações, mutações aleatórias produziram, em alguns indivíduos, formas corporais que se assemelham a galhos. Esses indivíduos, por serem menos perceptíveis a predadores, tiveram maior chance de sobreviver e se reproduzir, transmitindo suas características à descendência. A seleção natural, portanto, favoreceu positivamente essa característica, que se fixou na população. É importante notar que a seleção natural não "cria" a característica; ela apenas seleciona entre as variações que já existem.
A distinção central que a questão explora é entre a visão lamarckista e a visão neodarwinista. Lamarck propunha o uso e desuso e a herança dos caracteres adquiridos: o ambiente criaria uma necessidade, o organismo se esforçaria para atender a ela, e as modificações resultantes seriam transmitidas aos descendentes. O neodarwinismo, ao contrário, postula que as variações são pré-existentes e aleatórias, e o ambiente apenas seleciona as mais adequadas. A alternativa C é a única que expressa corretamente essa lógica: mutações aleatórias geram a variação, e a seleção natural atua sobre ela de forma positiva.
A pegadinha da banca está em trocar o papel do ambiente: nas alternativas A, D e E, o ambiente é apresentado como agente que induz, provoca ou direciona a mudança — concepção lamarckista ou mesmo uma distorção dela. Na alternativa B, há uma mistura de termos: fala em "permutações direcionadas", o que é um contrassenso, pois permutações (crossing-over) são aleatórias e não direcionadas. A alternativa C, por sua vez, usa corretamente os termos "mutações aleatórias" e "selecionadas positivamente", que são os pilares da teoria sintética.
Guarde a fronteira entre variabilidade (aleatória) e seleção (direcionada): é exatamente nela que as alternativas se dividem. Toda alternativa que atribuir ao ambiente um papel de induzir ou direcionar a variação está errada; toda alternativa que colocar a variação como aleatória e a seleção como o filtro está correta.
Teoria sintética da evolução
1Variabilidade (aleatória)
Mutação gênica
Recombinação gênica
Crossing-over
Segregação independente
2Seleção natural (direcionada)
Favorece características adaptativas
Aumenta frequência na população
3Erros clássicos (lamarckismo)
Uso e desuso
Herança dos caracteres adquiridos
Ambiente induz/provoca mudança
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está em afirmar que "o ambiente induziu a recombinações gênicas". A recombinação gênica é um processo aleatório que ocorre durante a meiose (permutação e segregação independente), e não é induzida pelo ambiente com uma finalidade adaptativa. O ambiente atua depois, selecionando as variações que já existem; ele não as causa. Essa é uma visão que distorce o neodarwinismo, aproximando-se de uma concepção lamarckista disfarçada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O erro está em "permutações direcionadas". Permutações (crossing-over) são eventos aleatórios de recombinação gênica; não são direcionadas pelo ambiente nem ocorrem para gerar uma característica específica. Além disso, a frase "essa característica adaptou o animal ao ambiente" inverte a lógica: a característica não se adapta ao ambiente; ela é selecionada por ele. A seleção natural atua sobre variações pré-existentes, não cria a adaptação sob demanda.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a única alternativa que expressa corretamente a teoria sintética da evolução. Ela afirma que "mutações aleatórias geraram estruturas físicas no animal semelhantes aos galhos de árvores" — reconhecendo a aleatoriedade da variabilidade — "e essas características foram selecionadas positivamente" — reconhecendo o papel direcionador da seleção natural. A camuflagem do bicho-pau é, portanto, o resultado de um processo de variação aleatória seguida de seleção natural favorável, que aumentou a frequência da característica na população por conferir vantagem contra predadores.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O erro está em "o ambiente provocou a transformação física do animal". Essa é uma visão lamarckista pura: o ambiente agindo diretamente sobre o corpo do organismo para moldá-lo. No neodarwinismo, o ambiente não provoca transformações físicas; ele seleciona, entre as variações aleatórias existentes, aquelas que conferem maior aptidão. A transformação é resultado da seleção ao longo de gerações, não de uma ação direta do ambiente sobre o indivíduo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O erro está em "o uso intenso das patas e do corpo do animal gerou semelhança com galhos". Essa é a lei do uso e desuso de Lamarck, completamente superada pela teoria sintética. O uso intenso de uma estrutura não gera características que são herdadas; a variação é gerada por mutação e recombinação, e a seleção natural atua sobre ela. A semelhança do bicho-pau com galhos não surgiu pelo esforço do animal, mas pela seleção de variações aleatórias que conferiam camuflagem.
A regra de ouro para questões de evolução: variação é aleatória, seleção é direcionada. O ambiente não induz, não provoca e não direciona a variação; ele apenas seleciona as variações que já existem. Memorize essa distinção e você resolverá qualquer questão sobre neodarwinismo, seja sobre bicho-pau, mariposas ou resistência bacteriana.