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Questão de Direito Penal — Questões Mescladas sobre Crimes contra a Administração da Justiça (arts. 338 a 359 do CP) — VUNESP 2024

Direito PenalQuestões Mescladas sobre Crimes contra a Administração da Justiça (arts. 338 a 359 do CP)
Código
vu200778
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SBC
Ano
2024
Cargo
Ag Jud ( )

Assinale a alternativa correta.

  1. AO crime de denunciação caluniosa tem a pena aumentada de metade se o agente age movido por vingança pessoal ou por motivo torpe.
  2. BComete o crime de denunciação caluniosa quem dá causa à instauração de inquérito policial contra alguém, imputando-lhe crime, de que o sabe inocente.
  3. CComete o crime de comunicação falsa de crime ou de contravenção quem, tendo dúvida sobre a real existência de crime ou de contravenção penal, provoca a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência dos fatos.
  4. DNão é crime acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem.
  5. EO crime de falso testemunho deixa de ser punível se, logo após a prolação da sentença transitada em julgado no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade.
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GabaritoB — Comete o crime de denunciação caluniosa quem dá causa à instauração de inquérito policial contra alguém, imputando-lhe crime, de que o sabe inocente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crimes contra a Administração da Justiça: denunciação caluniosa e figuras afins

Gabarito: letra B. A alternativa B reproduz fielmente o núcleo do tipo do art. 339 do Código Penal — dar causa à instauração de inquérito policial contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente —, sendo a única correta. As demais alternativas distorcem os tipos dos arts. 339, 340, 341 e 342 do CP, ora invertendo a causa de aumento, ora confundindo os elementos de cada delito.

A questão cobra a distinção entre quatro crimes contra a administração da justiça que a banca adora confundir: denunciação caluniosa (art. 339), comunicação falsa de crime ou contravenção (art. 340), autoacusação falsa (art. 341) e falso testemunho ou falsa perícia (art. 342). O ponto central é entender o que cada tipo exige: na denunciação caluniosa, o agente imputa a alguém um fato criminoso que sabe não ter ocorrido, dando causa a um procedimento investigatório; na comunicação falsa, o agente não acusa ninguém, apenas comunica à autoridade a ocorrência de crime que sabe não ter ocorrido; na autoacusação falsa, o agente acusa a si mesmo de crime inexistente ou praticado por outrem; no falso testemunho, o agente faz afirmação falsa, nega ou cala a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete.

A pegadinha da banca está em trocar os elementos de cada tipo: a alternativa A inventa uma causa de aumento inexistente (vingança pessoal ou motivo torpe), a C inverte o elemento subjetivo (dúvida em vez de certeza), a D nega a tipicidade da autoacusação falsa e a E desloca o momento da retratação para depois da sentença transitada em julgado, quando a lei exige que seja antes da sentença.

Crime (art. CP)

Conduta típica (núcleo)

Quem é acusado

Elemento subjetivo

Retratação/pena

Denunciação caluniosa (art. 339)

Dar causa a procedimento investigatório/judicial imputando crime, infração ético-disciplinar ou ato ímprobo

Outrem (terceiro)

Saber que o acusado é inocente

Aumento de 1/6 (anonimato/nome suposto); diminuição de 1/2 (contravenção)

Comunicação falsa de crime (art. 340)

Provocar ação de autoridade comunicando ocorrência de crime/contravenção

Ninguém (não há acusação individualizada)

Saber que o fato não se verificou

Pena: detenção, 1 a 6 meses, ou multa

Autoacusação falsa (art. 341)

Acusar-se perante a autoridade de crime inexistente ou praticado por outrem

O próprio agente

Dolo de se autoacusar falsamente

Pena: detenção, 3 meses a 2 anos, ou multa

Falso testemunho (art. 342)

Fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade como testemunha/perito/tradutor/intérprete

Não se aplica (não é acusação)

Dolo de falsear a verdade

Retratação antes da sentença extingue a punibilidade

Crimes contra a Administração da Justiça
  • 1Denunciação caluniosa (art. 339)
    • imputa crime a outrem
    • sabe inocente
    • aumento: anonimato/nome suposto
    • diminui: contravenção
  • 2Comunicação falsa (art. 340)
    • comunica crime que sabe inexistente
    • não acusa ninguém
  • 3Autoacusação falsa (art. 341)
    • acusa a si mesmo
    • crime inexistente ou de outrem
  • 4Falso testemunho (art. 342)
    • mentira como testemunha/perito
    • retratação antes da sentença
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a pena da denunciação caluniosa é aumentada de metade se o agente age movido por vingança pessoal ou por motivo torpe. Isso não existe no art. 339 do CP. O que a lei prevê é o aumento de sexta parte se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto, e a diminuição de metade se a imputação é de prática de contravenção. A banca trocou a causa de aumento (vingança/motivo torpe não é causa de aumento) e o percentual (metade em vez de sexta parte).

Art. 339, §1CP

Art. 339 — "Dar causa à instauração de inquérito policial, de procedimento investigatório criminal, de processo judicial, de processo administrativo disciplinar, de inquérito civil ou de ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime, infração ético-disciplinar ou ato ímprobo de que o sabe inocente: Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa"

§ 1º — "A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto"

§ 2º — "A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção."

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B descreve exatamente o núcleo do tipo do art. 339 do CP: "dar causa à instauração de inquérito policial contra alguém, imputando-lhe crime, de que o sabe inocente". Todos os elementos estão presentes: a conduta de dar causa à instauração de inquérito policial, a imputação de crime a alguém e o elemento subjetivo do tipo — o conhecimento de que a pessoa é inocente. É a transcrição do caput do art. 339, com a supressão das demais modalidades de procedimento (processo judicial, administrativo disciplinar, inquérito civil, ação de improbidade), mas mantendo o núcleo essencial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C descreve a conduta de quem, tendo dúvida sobre a real existência de crime ou contravenção, provoca a ação de autoridade comunicando-lhe a ocorrência dos fatos. Isso não configura o crime de comunicação falsa de crime ou contravenção (art. 340), que exige que o agente saiba que o crime ou contravenção não se verificou. A dúvida exclui o dolo do tipo, pois o elemento subjetivo exige o conhecimento da inexistência do fato. Se o agente tem dúvida, não há o dolo de comunicar fato falso — a conduta pode ser atípica ou configurar outro delito, mas não o art. 340.

Art. 340CP

Art. 340 — "Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa."

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que "não é crime acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem". Isso é falso: a conduta configura o crime de autoacusação falsa, previsto no art. 341 do CP. O tipo penal pune exatamente quem se acusa de crime inexistente ou praticado por outrem, com pena de detenção de três meses a dois anos, ou multa. A banca tenta fazer o candidato acreditar que a autoacusação seria atípica, mas o legislador a criminalizou para proteger a administração da justiça contra a perturbação causada por falsas acusações.

Art. 341CP

Art. 341 — "Acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem: Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa."

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que o falso testemunho deixa de ser punível se o agente se retrata ou declara a verdade logo após a prolação da sentença transitada em julgado. Isso está errado: a retratação só é eficaz se ocorrer antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito. O art. 342, § 2º, do CP estabelece que "o fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade". Após o trânsito em julgado, a retratação não tem o condão de extinguir a punibilidade — o crime já se consumou e a pena já foi imposta.

Art. 342, §2CP

Art. 342, § 2º — "O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade."

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os quatro crimes contra a administração da justiça. Na alternativa A, ela inventa uma causa de aumento (vingança/motivo torpe) e troca o percentual (metade em vez de sexta parte). Na C, inverte o elemento subjetivo: o art. 340 exige que o agente saiba que o crime não ocorreu, não que tenha dúvida. Na E, desloca o momento da retratação para depois do trânsito em julgado, quando a lei exige que seja antes da sentença. Fique atento a essas trocas — com treino, você as identifica de longe 💪.

NÃO CAIA NESSA!

Para não confundir os quatro crimes, monte uma tabela mental com o núcleo de cada um: denunciação caluniosa = imputar a outrem (art. 339); comunicação falsa = comunicar fato que sabe inexistente, sem acusar ninguém (art. 340); autoacusação falsa = acusar a si mesmo (art. 341); falso testemunho = mentir como testemunha/perito (art. 342). Na prova, leia a alternativa e pergunte: "quem está sendo acusado?" — se for terceiro, é denunciação caluniosa; se for o próprio agente, é autoacusação falsa; se não há acusação, é comunicação falsa.

Gabarito: letra B

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