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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu204962
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SP
Ano
2024
Cargo
Aux TE ( )

Você deixa tudo para depois?

 

É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes sociais, conferir mensagens ou promoções. Quem nunca fez isso?

 

Nessa entrega, muitas vezes esperamos que a motivação reapareça para conseguir terminar aquela atividade essencial que deixamos de lado para procrastinar. O nome pode parecer esquisito, mas procrastinar nada mais é do que deixar para depois, adiar para amanhã o que você deveria ou poderia terminar de fazer agora.

 

A tradutora B. Damacena, 38 anos, sabe bem o que é isso. Ela afirma que sempre deixa a finalização das tarefas para a última hora. “Eu nunca atrasei o prazo de nenhum trabalho, mas levo até o último segundo. Isso é muito doloroso, porque gera uma ansiedade muito grande, afetando outras áreas da minha vida”, conta a tradutora.

 

“A procrastinação não é um transtorno mental em si, mas, quando exagerada, pode sinalizar outros problemas de saúde mental”, explica a neurocientista Karina Abrahão, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

Para o psiquiatra Elton Kanomata, do Hospital Israelita Albert Einstein, “Muitas vezes encaramos a procrastinação como algo negativo, mas não necessariamente é. Há casos em que a pessoa está muito cansada, estressada, o que leva a uma inflexibilidade cognitiva, uma limitação da criatividade. Se ela adiar aquela determinada tarefa, o resultado será melhor, mais produtivo. Nesse caso, a procrastinação não foi um ato ruim”, explica.

 

Segundo Kanomata, apesar dos estudos comportamentais a respeito do tema, do ponto de vista neurobiológico ainda não se pode afirmar que exista algum tipo de alteração estrutural ou de funcionamento do cérebro que leve ao ato de procrastinar.

 

De acordo com Abrahão, a procrastinação normalmente está relacionada com o nível de exigência e cansaço que as pessoas vivem atualmente. “Nosso organismo foi criado originalmente para procurar comida e cuidar da prole. Mas hoje temos uma vida urbana, com muitas tarefas, compromissos e preocupações. O excesso de tarefas nos faz procrastinar por cansaço”, avalia a neurocientista.

 

Como a procrastinação não é uma doença, não existe tratamento farmacológico para esse comportamento. No entanto, se ela trouxer disfuncionalidade e sofrimento mental, é aconselhável buscar a ajuda de um psicólogo para avaliar a situação. Somente quando a procrastinação atingir um nível significativo que leve ao diagnóstico de transtorno mental, pode haver a necessidade de intervenção farmacológica.

 

(Fernanda Bassette. Agência Einstein https://www.estadao.com.br/saude/

voce-deixa-tudo-para-depois-saiba-quando-procrastinar-pode-ser-um-

problema/. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     Para o psiquiatra Elton Kanomata, há situações em que adiar tarefas pode ser benéfico para superar momentos em que
  1. Aos prazos para os compromissos são flexíveis.
  2. Bo término das tarefas não depende de nós, mas de terceiros.
  3. Ca mente está preparada para absorver novos conhecimentos.
  4. Da fadiga compromete a criatividade para realizar os trabalhos.
  5. Ea ansiedade e o estresse estão sob controle.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a fadiga compromete a criatividade para realizar os trabalhos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto: procrastinação como alívio da fadiga

Gabarito: letra D. A questão pede para identificar, segundo o psiquiatra Elton Kanomata, em que situações adiar tarefas pode ser benéfico. A resposta está no trecho em que ele afirma que, quando a pessoa está cansada e estressada, adiar pode melhorar o resultado, pois a fadiga compromete a criatividade. A alternativa D — "a fadiga compromete a criatividade para realizar os trabalhos" — é a única que reproduz fielmente essa ideia, como se lê no 6º parágrafo do texto.

O comando da questão é de compreensão textual: pede-se o que o texto afirma sobre a visão do psiquiatra. Não se trata de inferir algo além do escrito, mas de localizar e parafrasear a informação explícita. A banca VUNESP, nesse tipo de questão, costuma trabalhar com a reescritura fiel — troca-se a ordem das palavras e usam-se sinônimos, mas o sentido permanece idêntico ao do texto-base.

No 6º parágrafo, o psiquiatra Elton Kanomata apresenta uma ressalva à visão negativa da procrastinação. Ele começa com o conectivo adversativo "mas" para introduzir a exceção: nem sempre procrastinar é ruim. A justificativa vem em seguida: a pessoa cansada e estressada tem "inflexibilidade cognitiva" e "limitação da criatividade". Nesse contexto, adiar a tarefa permite que o resultado seja melhor e mais produtivo. É exatamente essa relação de causa e consequência que a alternativa D captura: a fadiga compromete a criatividade, e por isso adiar pode ser benéfico.

A técnica para resolver é simples: localize a passagem que trata do benefício da procrastinação e compare cada alternativa com ela, palavra por palavra. A alternativa correta é a que mantém o mesmo sentido, ainda que com vocabulário diferente. As demais ou acrescentam informações que o texto não traz (extrapolação) ou contradizem o que está escrito.

"Há casos em que a pessoa está muito cansada, estressada, o que leva a uma inflexibilidade cognitiva, uma limitação da criatividade. Se ela adiar aquela determinada tarefa, o resultado será melhor, mais produtivo."

A passagem autoriza a alternativa D porque "fadiga" é sinônimo de "cansaço", e "compromete a criatividade" corresponde a "limitação da criatividade". O texto estabelece que, quando a criatividade está limitada pelo cansaço, adiar melhora o resultado — exatamente o que a alternativa afirma.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona, em nenhum momento, que a flexibilidade de prazos seja uma condição para a procrastinação ser benéfica. O psiquiatra fala apenas do estado da pessoa (cansada, estressada), não das condições externas dos compromissos. A alternativa acrescenta uma informação que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não discute a dependência de terceiros para a conclusão de tarefas. A tradutora B. Damacena menciona que nunca atrasou prazos, mas isso não tem relação com a visão do psiquiatra sobre quando adiar é benéfico. A alternativa foge completamente ao tema do parágrafo citado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O psiquiatra afirma que a procrastinação pode ser benéfica justamente quando a pessoa não está preparada — está cansada, estressada, com a criatividade limitada. A alternativa inverte a lógica ao dizer que o benefício ocorre quando a mente está preparada para absorver novos conhecimentos. Isso contraria diretamente o raciocínio do texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A única sustentada pelo texto. O 6º parágrafo afirma que, quando a pessoa está "muito cansada, estressada", há "limitação da criatividade", e que "se ela adiar aquela determinada tarefa, o resultado será melhor". A alternativa D parafraseia essa ideia: a fadiga (cansaço) compromete a criatividade, e por isso adiar é benéfico. Todos os elementos da alternativa estão ancorados no texto, sem acréscimos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O psiquiatra diz que a procrastinação pode ser benéfica quando a pessoa está estressada e ansiosa ("muito cansada, estressada"). A alternativa afirma o oposto: que o benefício ocorre quando a ansiedade e o estresse estão sob controle. Isso inverte completamente a condição apresentada no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão de sentido nas alternativas C e E. Elas usam palavras do texto ("mente preparada", "ansiedade", "estresse"), mas trocam a condição: em vez de dizer que o benefício ocorre quando há cansaço e estresse, dizem que ocorre quando não há. Confira sempre se a alternativa mantém a mesma relação de causa e consequência do texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que responde ao comando e compare cada alternativa com ela. A correta será uma paráfrase fiel — mesmo sentido, palavras diferentes. Desconfie de alternativas que soam plausíveis, mas acrescentam condições que o texto não menciona.

Gabarito: letra D.

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