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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2024

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu204968
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SP
Ano
2024
Cargo
Aux TE ( )

Você deixa tudo para depois?

 

É difícil encontrar alguém que nunca tenha adiado uma tarefa essencial. Geralmente, esse adiamento é para realizar atividades irrelevantes como verificar o que há de novo nas redes sociais, conferir mensagens ou promoções. Quem nunca fez isso?

 

Nessa entrega, muitas vezes esperamos que a motivação reapareça para conseguir terminar aquela atividade essencial que deixamos de lado para procrastinar. O nome pode parecer esquisito, mas procrastinar nada mais é do que deixar para depois, adiar para amanhã o que você deveria ou poderia terminar de fazer agora.

 

A tradutora B. Damacena, 38 anos, sabe bem o que é isso. Ela afirma que sempre deixa a finalização das tarefas para a última hora. “Eu nunca atrasei o prazo de nenhum trabalho, mas levo até o último segundo. Isso é muito doloroso, porque gera uma ansiedade muito grande, afetando outras áreas da minha vida”, conta a tradutora.

 

“A procrastinação não é um transtorno mental em si, mas, quando exagerada, pode sinalizar outros problemas de saúde mental”, explica a neurocientista Karina Abrahão, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

Para o psiquiatra Elton Kanomata, do Hospital Israelita Albert Einstein, “Muitas vezes encaramos a procrastinação como algo negativo, mas não necessariamente é. Há casos em que a pessoa está muito cansada, estressada, o que leva a uma inflexibilidade cognitiva, uma limitação da criatividade. Se ela adiar aquela determinada tarefa, o resultado será melhor, mais produtivo. Nesse caso, a procrastinação não foi um ato ruim”, explica.

 

Segundo Kanomata, apesar dos estudos comportamentais a respeito do tema, do ponto de vista neurobiológico ainda não se pode afirmar que exista algum tipo de alteração estrutural ou de funcionamento do cérebro que leve ao ato de procrastinar.

 

De acordo com Abrahão, a procrastinação normalmente está relacionada com o nível de exigência e cansaço que as pessoas vivem atualmente. “Nosso organismo foi criado originalmente para procurar comida e cuidar da prole. Mas hoje temos uma vida urbana, com muitas tarefas, compromissos e preocupações. O excesso de tarefas nos faz procrastinar por cansaço”, avalia a neurocientista.

 

Como a procrastinação não é uma doença, não existe tratamento farmacológico para esse comportamento. No entanto, se ela trouxer disfuncionalidade e sofrimento mental, é aconselhável buscar a ajuda de um psicólogo para avaliar a situação. Somente quando a procrastinação atingir um nível significativo que leve ao diagnóstico de transtorno mental, pode haver a necessidade de intervenção farmacológica.

 

(Fernanda Bassette. Agência Einstein https://www.estadao.com.br/saude/

voce-deixa-tudo-para-depois-saiba-quando-procrastinar-pode-ser-um-

problema/. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     Analisando o emprego dos verbos, assinale a alternativa elaborada com base na variedade culta da língua escrita.
  1. AAdiamos tarefas para verificar as novidades que existe nas redes sociais, como as promoções.
  2. BNo passado, as tarefas para as quais nosso organismo foi criado se resumia em procurar comida e cuidar da prole.
  3. CPara B. Damacena, a finalização do que ela tem agendado ficam sempre para as últimas horas.
  4. DA procrastinação tem a ver com as exigências e o cansaço que impactam atualmente a sociedade.
  5. ERetardamos as obrigações à espera de que voltem a motivação e consigamos nos concentrar novamente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A procrastinação tem a ver com as exigências e o cansaço que impactam atualmente a sociedade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal e nominal: a única frase culta

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que todos os verbos e nomes estão corretamente flexionados segundo a norma-padrão: o verbo "impactam" concorda com o sujeito composto "as exigências e o cansaço" (plural), e o pronome relativo "que" retoma corretamente esse sujeito. Como se lê no texto, a neurocientista afirma que "a procrastinação normalmente está relacionada com o nível de exigência e cansaço que as pessoas vivem atualmente" — a frase da alternativa D é uma paráfrase gramaticalmente íntegra dessa ideia.

O comando pede que você analise o emprego dos verbos e assinale a alternativa elaborada com base na variedade culta da língua escrita. Isso significa que a questão não é de interpretação de conteúdo, mas de correção gramatical: você deve testar cada frase quanto à concordância verbal (verbo × sujeito), concordância nominal (adjetivo/pronome × substantivo) e ao uso adequado dos pronomes relativos. A banca mistura vários tipos de erro — alguns sutis, como a troca de "que" por "cujo" —, então o método é: identifique o sujeito de cada verbo e confira a flexão; depois, verifique se os pronomes relativos estão bem empregados.

O texto-base trata da procrastinação e traz falas de especialistas. Para esta questão, o trecho decisivo é o da neurocientista Abrahão:

"De acordo com Abrahão, a procrastinação normalmente está relacionada com o nível de exigência e cansaço que as pessoas vivem atualmente."

A alternativa D reescreve essa passagem com outra estrutura sintática, mas mantém a correção: "as exigências e o cansaço" formam um sujeito composto (dois núcleos), por isso o verbo "impactam" deve ir para o plural. O pronome relativo "que" retoma esse sujeito composto e exerce a função de sujeito da oração adjetiva — corretíssimo.

A técnica central aqui é a concordância com sujeito composto anteposto: quando o sujeito tem dois ou mais núcleos e vem antes do verbo, a concordância é gramatical (total), ou seja, o verbo vai para o plural. É o que ocorre em D. Nas demais alternativas, há desvios: verbo no singular com sujeito plural, pronome relativo trocado, ou concordância nominal errada. Vamos a cada uma.

Concordância verbal
  • 1Sujeito composto anteposto
    • Verbo no plural (concordância gramatical)
    • Ex.: "as exigências e o cansaço impactam"
  • 2Sujeito simples
    • Verbo concorda com o núcleo
    • Ex.: "a finalização fica"
  • 3Pronome relativo "que"
    • Verbo concorda com o antecedente
    • Ex.: "que impactam" (retoma sujeito composto)
  • 4Erros comuns
    • Atração indevida (verbo concorda com termo próximo)
    • Troca de pronome relativo
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Adiamos tarefas para verificar as novidades que existe nas redes sociais, como as promoções."

O erro está na concordância do verbo "existe": o sujeito da oração adjetiva é "as novidades" (plural), portanto o correto seria "existem". A frase tenta dizer que as novidades existem nas redes sociais — o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito, que é "novidades". Erro: contradiz a regra de concordância verbal (sujeito plural exige verbo plural).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"No passado, as tarefas para as quais nosso organismo foi criado se resumia em procurar comida e cuidar da prole."

Aqui há dois problemas. Primeiro, o sujeito de "se resumia" é "as tarefas" (plural), então o verbo deveria ser "se resumiam". Segundo, o pronome relativo "as quais" está mal empregado: o correto seria "para as quais"? Não — o texto diz que o organismo foi criado para procurar comida, então a regência pede "para as quais", mas a frase usa "para as quais" e depois "se resumia" no singular, o que já quebra a concordância. Além disso, a construção "se resumia em" é questionável; o mais culto seria "se resumia a". Erro: contradiz a concordância verbal (sujeito plural com verbo no singular) e há desvio de regência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Para B. Damacena, a finalização do que ela tem agendado ficam sempre para as últimas horas."

O sujeito de "ficam" é "a finalização" (singular), então o verbo deveria ser "fica". O núcleo do sujeito é "finalização", e não "horas" — o verbo concorda com o núcleo, não com o termo mais próximo por atração indevida. Erro: contradiz a concordância verbal (sujeito singular com verbo no plural).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A procrastinação tem a ver com as exigências e o cansaço que impactam atualmente a sociedade."

O sujeito de "impactam" é o pronome relativo "que", cujo antecedente é "as exigências e o cansaço" — sujeito composto, portanto o verbo vai para o plural. A concordância está perfeita. Além disso, a frase mantém o sentido do texto (a relação entre procrastinação e excesso de tarefas) e não apresenta nenhum desvio de regência ou de colocação. É a única alternativa inteiramente correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Retardamos as obrigações à espera de que voltem a motivação e consigamos nos concentrar novamente."

O erro está na concordância do verbo "voltem": o sujeito é "a motivação" (singular), então o correto seria "volte". A frase diz "que voltem a motivação" — o verbo no plural não concorda com o núcleo singular. Erro: contradiz a concordância verbal (sujeito singular com verbo no plural).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sujeito simples e composto. Em C e E, o verbo está no plural porque o candidato se deixa levar por termos próximos no plural ("horas", "obrigações"), mas o núcleo do sujeito é singular. Em B, além do erro de concordância, há troca de pronome relativo. Fique atento: o verbo concorda com o núcleo do sujeito, não com a palavra mais próxima.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, sublinhe o verbo e pergunte: "quem pratica a ação?" A resposta é o sujeito. Depois, confira se o verbo está no singular ou plural conforme o número do núcleo. Em frases com pronome relativo ("que", "o qual"), o verbo concorda com o antecedente do pronome.

Conclusão: a única frase que respeita integralmente a variedade culta é a letra D, pois apresenta concordância verbal correta com sujeito composto e uso adequado do pronome relativo. As demais falham por desvio de concordância (A, B, C, E) ou por regência inadequada (B).

Gabarito: letra D

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