Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu204978
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2024
Cargo
PsiJ ( )
Assalto
Na feira, a senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,
correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira,
atravancada, mas provida de admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto
ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente
que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a
exclamar, e quem não tinha escutado escutou, multiplicando a
notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era
como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a
ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali,
na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.
Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias
que transportavam. Não era o instinto de propriedade que
os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no
atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam,
tomates esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão,
já não é de ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma
penca de bananas meio amassadas?
(Carlos Drummond de Andrade, 70 historinhas. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão. O rebuliço relatado no texto deveu-se
Aa uma brincadeira dos moleques da feira, que assustaram a freguesa medrosa da barraca de chuchu.
Ba um arrastão na feira, próximo à barraca onde havia uma senhora que se indignara com o preço do chuchu.
Ca um assalto a banco ocorrido tão logo a senhora começou a bradar contra o alto preço do chuchu.
Da um mal-entendido decorrente da reclamação da freguesa, que ficara indignada com o preço do chuchu.
Ea uma ação policial próxima à feira em que uma senhora fora assaltada depois de comprar os seus legume.
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GabaritoD — a um mal-entendido decorrente da reclamação da freguesa, que ficara indignada com o preço do chuchu.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O rebuliço na feira: um mal-entendido
Gabarito: letra D. O rebuliço relatado no texto deveu-se a um mal-entendido decorrente da reclamação da freguesa, que ficara indignada com o preço do chuchu. A prova está na passagem em que a senhora protesta "Isto é um assalto!" e, a partir daí, a notícia se espalha como se houvesse um assalto real a banco — mas nada disso aconteceu. A alternativa D é a única que capta essa causa verdadeira do alvoroço.
O comando pede compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, apenas reescrita com outras palavras (paráfrase). Não se trata de inferir nada além do que está dito; basta localizar a sequência de fatos: a senhora reclama do preço → alguém interpreta "assalto" literalmente → o boato se espalha → todos fogem. A banca quer que você perceba que não houve crime algum — apenas uma metáfora mal compreendida.
O texto de Drummond é uma crônica narrativa: a tese implícita é a ironia sobre como um exagero retórico ("isto é um assalto") pode ser levado ao pé da letra e gerar pânico coletivo. O movimento argumentativo está todo na construção do mal-entendido: a palavra "assalto" é usada em sentido figurado pela senhora, mas o narrador mostra como a comunicação espontânea da rua a transforma em fato concreto — "sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco".
A técnica que decide esta questão é simples: teste cada alternativa perguntando se o texto autoriza a causa apontada. A letra D é a única que se ancora diretamente no texto: a senhora reclama do preço, e o rebuliço decorre da interpretação literal da palavra "assalto". As demais alternativas ou extrapolam (inventam um assalto real, um arrastão, uma ação policial) ou contradizem o texto (como a brincadeira dos moleques, que não existe).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com um fato que parece verdadeiro: a palavra "assalto" no título e na fala da senhora pode induzir você a imaginar um crime real. Mas o texto deixa claro que foi apenas um mal-entendido — não há banco, não há assaltante, não há polícia.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife o comando ("deve-se a") e procure a causa no texto. Desconfie de alternativas que acrescentam detalhes que você não leu — elas quase sempre estão erradas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o rebuliço foi causado por uma brincadeira dos moleques da feira, que assustaram a freguesa. O texto não menciona nenhuma brincadeira; os moleques aparecem apenas depois do alvoroço, fugindo com seus carrinhos: "Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros". Eles são vítimas do pânico, não a causa. Erro: extrapolação — inventa uma motivação que não está no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa fala em arrastão na feira, próximo à barraca da senhora. O texto não menciona arrastão; o que ocorre é uma fuga generalizada após o boato de assalto. A palavra "arrastão" sugere um crime real, mas o texto deixa claro que tudo foi um mal-entendido. Erro: extrapolação — acrescenta um fato (arrastão) que não existe no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que houve um assalto a banco ocorrido logo após a senhora começar a bradar. O texto mostra exatamente o contrário: o narrador ironiza a notícia, dizendo "Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?" — ou seja, não houve assalto algum; foi apenas um boato. Erro: contradiz o texto — afirma como fato o que o texto nega.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa D é a única que identifica a causa real do rebuliço: um mal-entendido decorrente da reclamação da freguesa, que ficara indignada com o preço do chuchu. O texto comprova: a senhora protesta "Isto é um assalto!" (em sentido figurado, referindo-se ao preço), e a partir daí a notícia se espalha como se fosse um assalto real. O narrador deixa claro que não houve crime: "sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco" — mas logo questiona "Mas que banco? Havia banco naquela rua?" A alternativa D é uma paráfrase fiel do texto: a reclamação da freguesa gerou o mal-entendido que causou o rebuliço.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa fala em ação policial próxima à feira e em uma senhora que fora assaltada depois de comprar legumes. O texto não menciona nenhuma ação policial; o guarda é chamado, mas não há registro de sua chegada ou de qualquer intervenção. Além disso, a senhora não foi assaltada — ela apenas reclamou do preço. Erro: extrapolação — inventa uma ação policial e um assalto que não ocorreram.
Conclusão: a questão testa sua capacidade de localizar a causa explícita de um evento narrado. A letra D é a única que se sustenta no texto, pois aponta o mal-entendido como origem do rebuliço. As demais alternativas ou extrapolam (inventam crimes, arrastões, ações policiais) ou contradizem o texto (como a alternativa C, que afirma um assalto a banco). Lembre-se: em compreensão, a resposta está no texto, não na sua imaginação.