Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — VUNESP 2024
Português›Sinônimos e Antônimos
Código
vu204988
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2024
Cargo
Sold ( )
O chá, os fantasmas, os ventos encanados
Nasci no tempo dos ventos encanados, quando, para
evitar compromissos, a gente dizia estar com enxaqueca,
palavra horrível mas desculpa distinta. Ter enxaqueca não
era para todos, mas só para essas senhoras que tomavam
chá com o dedo mindinho espichado. Quando eu via aquilo,
ficava a pensar sozinho comigo (menino, naquele tempo,
não dava opinião) por que é que elas não usavam, para
cúmulo da elegância, um laçarote azul no dedo...
Também se falava misteriosamente em “moléstias de
senhoras” nos anúncios farmacêuticos que eu lia. Era decerto uma coisa privativa das senhoras, como as enxaquecas,
pois as criadas, essas, não tinham tempo para isso. Mas, em
compensação, me assustavam deliciosamente com histórias
de assombração. Nunca me apareceu nenhuma.
Pelo visto, era isso: nunca consegui comunicar-me com
este nem com o outro mundo. A não ser através d’O tico-tico
e da poesia de Camões, do qual até hoje me assombra este
verso único: “Que o menor mal de tudo seja a morte!”
Pois a verdadeira poesia sempre foi um meio de comunicação com este e com o outro mundo.
(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Considere as passagens:
• ... palavra horrível mas desculpa distinta.
• ... para cúmulo da elegância...
• ... uma coisa privativa das senhoras...
Os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Avexatória; exceção; própria.
Bdiferente; síntese; comum.
Csugestiva; limite; especial.
Delegante; auge; exclusiva.
Esóbria; exagero; anormal.
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GabaritoD — elegante; auge; exclusiva.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sinônimos em contexto: o sentido que o texto autoriza
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que os três termos — "distinta", "cúmulo" e "privativa" — recebem o sentido que o contexto do texto de Mario Quintana efetivamente autoriza: elegante, auge e exclusiva, respectivamente. A passagem que ancora a leitura é a do 1º parágrafo, em que o narrador ironiza as senhoras que "tomavam chá com o dedo mindinho espichado" e se pergunta por que elas não usavam "um laçarote azul no dedo" — ou seja, "distinta" ali significa refinada, elegante, e não "diferente" ou "vexatória".
O comando pede que você identifique o significado contextual de três palavras destacadas — não o sentido de dicionário isolado, mas o sentido que elas assumem naquele trecho específico. Isso muda tudo: a questão não é de vocabulário decorado, e sim de semântica aplicada ao texto. A técnica é substituir mentalmente cada termo pelas opções e ver qual preserva o sentido original sem alterar o tom irônico e nostálgico do cronista.
O texto de Quintana é uma crônica memorialista: o narrador relembra a época em que "enxaqueca" era uma desculpa elegante para evitar compromissos, privilégio de "senhoras que tomavam chá com o dedo mindinho espichado". A ironia percorre todo o trecho — "palavra horrível mas desculpa distinta" sugere que a palavra era feia, mas a desculpa era chique; "para cúmulo da elegância" indica o ponto máximo do refinamento; "coisa privativa das senhoras" marca o caráter exclusivo daquele suposto mal. É esse jogo irônico que a banca explora: cada termo carrega um juízo de valor sobre a distinção social.
A armadilha central está em trocar o sentido contextual pelo sentido literal ou por um sinônimo aproximado que não cabe no trecho. Veja o caso de "distinta": no dicionário, o primeiro sentido é "diferente", mas no texto ela qualifica "desculpa" como algo refinado — a alternativa A ("vexatória") inverte o valor, e a B ("diferente") fica no sentido solto. Já "cúmulo" pede a ideia de ponto máximo, não de "exceção" (A), "síntese" (B) ou "limite" (C). E "privativa" exige "exclusiva", pois o texto diz que as criadas "não tinham tempo para isso" — ou seja, aquilo não era comum, era restrito às senhoras.
"Ter enxaqueca não era para todos, mas só para essas senhoras que tomavam chá com o dedo mindinho espichado."
Essa passagem prova o sentido de "privativa": se não era para todos, mas só para as senhoras, o termo significa exclusiva, e não "comum" (B) ou "anormal" (E). O mesmo raciocínio vale para as outras duas palavras: o contexto de elegância e refinamento é a chave de leitura.
Sinônimos em contexto: Distinta (Vexatória (inverte o valor), Diferente (sentido literal), Elegante (refinada)); Cúmulo (Exceção (troca de conceito), Limite (restringe), Auge (ponto máximo)); Privativa (Comum (antônimo), Anormal (contradiz), Exclusiva (só as senhoras))
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Vexatória; exceção; própria" — O primeiro termo contradiz o texto: "distinta" aqui tem valor positivo (elegante), não negativo (vexatória). "Exceção" para "cúmulo" é troca de conceito — cúmulo é auge, ponto máximo, não exceção. "Própria" até se aproxima de "privativa", mas o conjunto já está comprometido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Diferente; síntese; comum" — "Diferente" é o sentido literal de "distinta", mas não o contextual (elegante). "Síntese" para "cúmulo" é troca de conceito — síntese é resumo, não auge. "Comum" é antônimo de "privativa": o texto diz que não era para todos, logo não era comum.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Sugestiva; limite; especial" — "Sugestiva" tangencia o sentido de "distinta" (elegante pode sugerir algo, mas não é o sentido), "limite" restringe o alcance de "cúmulo" (auge é ponto máximo, não limite), e "especial" é aproximado, mas o conjunto falha nos dois primeiros.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Elegante; auge; exclusiva" — Os três termos estão ancorados no texto: "distinta" = elegante (a desculpa refinada das senhoras do chá), "cúmulo" = auge (o ponto máximo da elegância, o laçarote azul), "privativa" = exclusiva (só as senhoras tinham, as criadas não). É a única alternativa em que todos os sentidos se sustentam no contexto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Sóbria; exagero; anormal" — "Sóbria" contradiz o tom: a desculpa era distinta, elegante, não sóbria. "Exagero" tangencia "cúmulo" (auge pode envolver exagero, mas não é o sentido). "Anormal" contradiz "privativa": o texto não diz que era anormal, e sim exclusiva das senhoras.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a troca do sentido contextual pelo literal — "distinta" como "diferente" (B) e "privativa" como "comum" (B) são os chamarizes. A palavra que decide é "cúmulo": só "auge" expressa o ponto máximo de elegância que o texto ironiza.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de sinônimo contextual, substitua cada termo destacado pelas opções e veja qual preserva o sentido e o tom do trecho. Se a troca mudar a ironia ou o valor (positivo/negativo), está errada.
A regra de ouro: o sentido de uma palavra mora no texto, não no dicionário. Teste cada alternativa perguntando: este sinônimo cabe aqui, com este tom, sem alterar o que o autor quis dizer? A única que passa no teste das três palavras é a D.