Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — VUNESP 2024
Português›Orações Subordinadas Adjetivas
Código
vu204990
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2024
Cargo
Sold ( )
O chá, os fantasmas, os ventos encanados
Nasci no tempo dos ventos encanados, quando, para
evitar compromissos, a gente dizia estar com enxaqueca,
palavra horrível mas desculpa distinta. Ter enxaqueca não
era para todos, mas só para essas senhoras que tomavam
chá com o dedo mindinho espichado. Quando eu via aquilo,
ficava a pensar sozinho comigo (menino, naquele tempo,
não dava opinião) por que é que elas não usavam, para
cúmulo da elegância, um laçarote azul no dedo...
Também se falava misteriosamente em “moléstias de
senhoras” nos anúncios farmacêuticos que eu lia. Era decerto uma coisa privativa das senhoras, como as enxaquecas,
pois as criadas, essas, não tinham tempo para isso. Mas, em
compensação, me assustavam deliciosamente com histórias
de assombração. Nunca me apareceu nenhuma.
Pelo visto, era isso: nunca consegui comunicar-me com
este nem com o outro mundo. A não ser através d’O tico-tico
e da poesia de Camões, do qual até hoje me assombra este
verso único: “Que o menor mal de tudo seja a morte!”
Pois a verdadeira poesia sempre foi um meio de comunicação com este e com o outro mundo.
(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Na frase – ... mas só para essas senhoras que tomavam chá com o dedo mindinho espichado. –, o pronome destacado organiza a junção de duas orações, exprimindo sentido de
Aadição.
Balternância.
Cexplicação.
Dcomparação.
Erestrição.
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GabaritoE — restrição.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O valor semântico do pronome relativo "que" na oração adjetiva restritiva
Gabarito: letra E. O pronome "que" em "senhoras que tomavam chá com o dedo mindinho espichado" é um pronome relativo e introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva, que restringe o sentido do substantivo "senhoras": não são todas as senhoras, apenas aquelas que tomavam chá com o mindinho espichado. A relação entre as orações é de restrição, não de adição, alternância, explicação ou comparação.
O comando da questão
O enunciado pergunta qual sentido o pronome "que" organiza na junção das duas orações. Isso é uma questão de classificação da oração subordinada adjetiva e do valor semântico que ela estabelece com o termo antecedente. Não se trata de conjunção coordenativa (que liga orações independentes), mas de pronome relativo (que liga uma oração subordinada a um termo da oração principal).
O texto e a passagem decisiva
No trecho:
"... mas só para essas senhoras que tomavam chá com o dedo mindinho espichado."
A palavra "que" retoma "senhoras" e introduz a informação "tomavam chá com o dedo mindinho espichado". Essa informação especifica quais senhoras estão sendo mencionadas: não todas, mas apenas aquelas que tinham esse hábito. A oração "que tomavam chá..." funciona como um adjetivo (equivale a "chá com mindinho espichado") e restringe o conjunto de senhoras. Por isso, é uma oração subordinada adjetiva restritiva.
A técnica que decide
Para identificar o valor da oração adjetiva, pergunte: a oração restringe ou explica? Se a oração for sem vírgula e essencial para identificar o antecedente, é restritiva — ela restringe o sentido. Se vier entre vírgulas e trouxer uma característica já conhecida, é explicativa. No trecho, não há vírgula antes de "que", e a oração é indispensável para saber quais senhoras têm enxaqueca: as que tomam chá com o mindinho espichado. Logo, o sentido é de restrição.
Análise das alternativas
Orações subordinadas adjetivas
1Restritiva
Sem vírgula
Essencial para identificar
Restringe o antecedente
2Explicativa
Entre vírgulas
Característica já conhecida
Não restringe
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Adição é o valor de conjunções coordenativas como "e", "nem", "não só... mas também". O "que" não é conjunção aditiva; é pronome relativo. A oração não soma uma ideia à outra, mas restringe o antecedente. A banca tenta confundir com o sentido de "e" (adição), mas o texto não autoriza essa leitura.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Alternância é o valor de conjunções como "ou", "ora... ora", "já... já". Não há qualquer ideia de escolha ou alternância entre as orações. O "que" não expressa alternância; ele introduz uma característica restritiva das senhoras.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Explicação é o valor de conjunções como "porque", "pois", "que" (em orações coordenadas explicativas). Mas aqui o "que" é pronome relativo, não conjunção explicativa. A oração não explica o motivo de algo; ela restringe o sentido de "senhoras". A banca explora a confusão entre o "que" explicativo (coordenado) e o "que" relativo (subordinado).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Comparação é o valor de conjunções como "como", "tal qual", "mais... do que". Não há comparação entre as senhoras ou entre ações. O "que" não estabelece comparação; ele retoma "senhoras" e restringe o conjunto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A oração "que tomavam chá com o dedo mindinho espichado" restringe o sentido de "senhoras": não são todas, mas só aquelas com esse hábito. O pronome relativo "que" introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva, cujo valor semântico é de restrição. A palavra "só" no texto reforça essa ideia: "mas só para essas senhoras que...". A restrição é a única relação que o texto autoriza.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece sentidos de conjunções coordenadas (adição, alternância, explicação, comparação) para confundir, mas o "que" é pronome relativo e introduz oração subordinada adjetiva restritiva. A presença de "só" é a pista decisiva: restringe o conjunto.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver "que" após um substantivo, pergunte: é pronome relativo (retoma o substantivo) ou conjunção? Se for relativo, classifique a oração como adjetiva — restritiva (sem vírgula) ou explicativa (com vírgula). O sentido de restrição é o mais comum em provas.