Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2024
Português›Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu204999
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2024
Cargo
Sold ( )
Na dengue, corremos atrás do prejuízo
A população brasileira já sabe que o ano começa com
Carnaval, chuvas e dengue. Entretanto o surto da doença em
2024 quebra recordes. Nas cinco primeiras semanas epidemiológicas, o país registrou quase o dobro de casos ante o
mesmo período de 2023, passando de 82.840 para 156.871.
Os casos vêm aumentando em todo o mundo na última
década, atingindo em 2023 até países anteriormente livres do
vírus, como Itália, França e Espanha.
No Brasil, segundo a série histórica do Ministério da
Saúde com início em 2000, a marca de 1 milhão foi cruzada pela primeira vez em 2015. No ano passado, houve
1.658.816 de casos, dado só superado pelos 1.688.688
de 2015.
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a
alta global se deve a mudanças climáticas, aumento de circulação de pessoas e urbanização desordenada. Países emergentes, como o Brasil, sofrem ainda com saneamento precário.
A dengue é uma doença que sobrecarrega os aparelhos
de saúde. Governos nas esferas federal, estadual e municipal também falharam ao não preparar a infraestrutura física,
logística e de pessoal do sistema para lidar com a alta de
pacientes, muitos agora atendidos em tendas improvisadas.
Com o estrago já feito, resta ao poder público correr contra o tempo para incrementar o atendimento, aliado a medidas de prevenção e conscientização. Segundo especialistas,
o pior ainda está por vir.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 08.02.2024. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Considere as reescritas de informações do texto:
• A população brasileira já tem consciência o ano começa com Carnaval, chuvas e dengue.
• O governo não estava atento necessidades de infraestrutura física, logística e de pessoal do sistema para lidar com a alta de pacientes.
• A dengue é uma doença que sobrecarrega os aparelhos de saúde. Portanto, os governos nas esferas federal, estadual e municipal devem manter o zelo condições de infraestrutura física, logística e de pessoal do sistema.
De acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Ade que ... a ... pelas
Bque ... com ... nas
Cque ... ante ... às
Dde que ... com ... a
Ede que ... de ... de
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — de que ... a ... pelas
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Regência nominal e verbal na reescritura
Gabarito: letra A. A questão testa a regência de três expressões: "ter consciência de que" (o substantivo "consciência" exige a preposição "de" antes da conjunção "que"), "atento a" (adjetivo que rege a preposição "a", com crase diante de palavra feminina) e "zelo por" (substantivo que rege a preposição "por", com a forma "pelas" diante de "condições"). A alternativa A é a única que preenche corretamente as três lacunas: "de que ... a ... pelas".
O comando
O enunciado pede que você complete as lacunas de três reescritas, respeitando a norma-padrão. Isso é uma questão de regência nominal e verbal — ou seja, você precisa saber qual preposição cada palavra exige. Não é interpretação de texto; é gramática aplicada ao texto. A dica é: identifique a palavra que rege cada lacuna e lembre da preposição que ela pede.
O texto
O texto fala sobre o surto de dengue no Brasil e a falta de preparo do poder público. As reescritas mantêm o sentido original, mas mudam a estrutura. Por exemplo, o trecho original diz:
"Governos nas esferas federal, estadual e municipal também falharam ao não preparar a infraestrutura física, logística e de pessoal do sistema para lidar com a alta de pacientes"
A reescrita troca "falharam ao não preparar" por "não estava atento às necessidades". Aqui, o adjetivo "atento" exige a preposição "a", e como "necessidades" é feminino plural, ocorre crase: "atento às necessidades". Já "zelo" rege "por", e diante de "condições" (feminino plural) temos "pelas condições".
A técnica que decide
Regência nominal é a relação de dependência entre um nome (substantivo, adjetivo) e seu complemento, mediada por preposição. Regência verbal é a relação entre o verbo e seus complementos. Aqui, as três lacunas dependem de nomes:
"consciência" — quem tem consciência, tem consciência de algo. Por isso, antes da oração subordinada substantiva completiva nominal, usa-se "de que".
"atento" — quem está atento, está atento a algo. Como "necessidades" é palavra feminina, ocorre crase: "atento às necessidades".
"zelo" — quem tem zelo, tem zelo por algo. Diante de "condições", a preposição "por" se funde com o artigo "as": "pelas condições".
A pegadinha da banca está em confundir a regência de "consciência" (que pede "de") com a de verbos como "lembrar-se" (que também pede "de", mas em contextos diferentes) e em esquecer a crase obrigatória em "atento a + palavra feminina".
Regência nominal: Consciência (de que (oração completiva)); Atento (a (com crase: às)); Zelo (por (pelas))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A traz "de que ... a ... pelas". Confira cada lacuna:
"A população brasileira já tem consciência de que o ano começa com Carnaval, chuvas e dengue." — O substantivo "consciência" exige a preposição "de". A oração "que o ano começa..." é completiva nominal, introduzida por "de que".
"O governo não estava atento a necessidades de infraestrutura..." — O adjetivo "atento" rege a preposição "a". Como "necessidades" é feminino plural e está determinado (as necessidades), ocorre crase: "atento às necessidades". A alternativa usa apenas "a", mas a crase está implícita na fusão com o artigo; na escrita, seria "às". A banca considerou correta a forma sem acento, pois a lacuna pede apenas a preposição.
"...devem manter o zelo pelas condições de infraestrutura..." — O substantivo "zelo" rege a preposição "por". Diante de "condições" (feminino plural com artigo "as"), temos "pelas".
Portanto, a alternativa A é a única que atende à norma-padrão nas três lacunas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B traz "que ... com ... nas".
"consciência que" — falta a preposição "de". O correto é "consciência de que".
"atento com" — o adjetivo "atento" rege "a", não "com".
"zelo nas" — o substantivo "zelo" rege "por", não "em".
Erro: troca de preposição em todas as lacunas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C traz "que ... ante ... às".
"consciência que" — novamente falta "de".
"atento ante" — "ante" significa "diante de", não é a regência de "atento".
"zelo às" — "zelo" rege "por", não "a".
Erro: troca de preposição e uso indevido de "ante".
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D traz "de que ... com ... a".
"consciência de que" — correta.
"atento com" — errado, pois "atento" rege "a".
"zelo a" — errado, pois "zelo" rege "por".
Erro: troca de preposição nas duas últimas lacunas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E traz "de que ... de ... de".
"consciência de que" — correta.
"atento de" — errado, pois "atento" rege "a".
"zelo de" — errado, pois "zelo" rege "por".
Erro: troca de preposição nas duas últimas lacunas.
Conclusão
A única alternativa que respeita a regência nominal das três expressões é a letra A. Lembre-se: para resolver questões de regência, identifique o termo regente (quem exige a preposição) e o termo regido (o complemento). Decore as regências mais cobradas: "consciência de", "atento a", "zelo por".
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescritura, sublinhe o termo que rege a lacuna e pergunte: "quem tem consciência, tem consciência de quê?" — a resposta já traz a preposição.