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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2024

PortuguêsConjunção
Código
vu205075
Banca
VUNESP
Órgão
SBCPREV
Ano
2024
Cargo
Ana Prev ( )

Por vezes assalta-me a sensação de que estou me esquecendo da realidade com a mesma rapidez com que me esqueço dos sonhos. Começa a ser difícil saber se estou me esquecendo de um sonho ou da realidade.

 

Acontece-me, por exemplo, assistir a um filme e, no meio, descobrir que já o vi antes. Com os livros de ficção, isso nunca me aconteceu, o que me leva a supor que a leitura implique uma mobilização mais profunda de certas áreas do cérebro. Faz sentido, na medida em que ao lermos um romance somos convidados a recriá-lo, imaginando o rosto dos personagens, e uma larga parte dos cenários e das situações. Cada leitor rescreve o romance que está lendo.

 

O problema é que aquilo que me acontece com os filmes também ocorre com as pessoas. Encontro com alguém num casamento, começamos a conversar, e só quando a festa se aproxima do fim é que o reconheço.

 

Pode ser que o problema não seja meu, e sim do cinema que se faz hoje – e da atual humanidade. Talvez eu julgue estar revendo um filme, e seja um outro; no entanto, os enredos, o estilo, os cenários, é tudo tão parecido que muito antes do final eu já conheço o desfecho.

 

Para funcionar, da forma mais eficiente possível, um exército começa por uniformizar os seus soldados; ou seja, por lhes retirar a individualidade. As nossas sociedades tecnológicas estão fazendo o mesmo a um nível mais íntimo e profundo. Acho isso assustador.

Fico feliz quando encontro um filme (ou uma pessoa) capaz de me surpreender, como “Dias perfeitos”, de Wim Wenders, que acompanha o cotidiano de um homem de meia-idade, Hirayama, responsável pela limpeza de banheiros públicos em Tóquio. Hirayama cumpre a sua tarefa com extraordinário zelo e dedicação.

 

Na sua aparente simplicidade, Hirayama distingue-se de quem o rodeia. Não é uniformizável. O faxineiro erudito de Wim Wenders é um colecionador de pequenos espantos, de fulgores e de momentos únicos. É um colecionador de vida. Pessoas e personagens assim são inconfundíveis e inesquecíveis. Precisamos deles para travar a uniformização do mundo e ressuscitar a alegria e o espanto.

 

(José Eduardo Agualusa. A vida ambiciona o espanto. https://oglobo.globo. com, 03.02.2024. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

 

No trecho “Faz sentido, na medida em que ao lermos um romance somos convidados a recriá-lo…” , a expressão destacada estabelece relação de sentido de

  1. Acondição.
  2. Bexplicação.
  3. Cconcessão.
  4. Dproporção.
  5. Econclusão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — explicação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção "na medida em que": valor causal

Gabarito: letra B. A locução "na medida em que" estabelece relação de explicação/causa — o trecho que ela introduz justifica por que "faz sentido" a afirmação anterior. Como se lê no texto: "Faz sentido, na medida em que ao lermos um romance somos convidados a recriá-lo…" — a segunda parte explica o porquê de a leitura mobilizar mais o cérebro.

O comando

A questão pede que você identifique a relação de sentido estabelecida pela expressão destacada. Isso é uma questão de semântica das conjunções: não basta saber que é uma locução conjuntiva; é preciso reconhecer qual valor ela carrega no contexto. A banca testa se você distingue os valores que uma mesma conjunção pode ter conforme o uso.

O texto

O autor afirma que nunca se esqueceu de um livro de ficção, o que o leva a supor que a leitura exige uma mobilização mais profunda do cérebro. Em seguida, justifica essa suposição: "Faz sentido, na medida em que ao lermos um romance somos convidados a recriá-lo…". Ou seja, a locução introduz a justificativa para a ideia anterior — é uma relação de causa/explicação.

A técnica

A locução "na medida em que" é clássica: tem valor causal (equivale a "já que", "uma vez que", "porque"). Cuidado para não confundir com "à medida que", que tem valor proporcional (equivale a "à proporção que"). A banca adora essa pegadinha! Veja a diferença:

Locução

Valor

Exemplo

na medida em que

causa/explicação

"Faz sentido, na medida em que somos convidados a recriar o romance."

à medida que

proporção

"À medida que estudamos, aprendemos mais."

No trecho, a oração introduzida por "na medida em que" explica por que faz sentido a suposição do autor. Não há condição, concessão, proporção ou conclusão — há uma justificativa.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Condição seria expressa por "se", "caso", "desde que" — uma hipótese necessária para a ocorrência do fato. No trecho, não há condição; há uma explicação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A locução "na medida em que" tem valor causal/explicativo. O trecho "ao lermos um romance somos convidados a recriá-lo" explica por que "faz sentido" a suposição anterior. Equivale a "porque", "já que", "uma vez que".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Concessão seria expressa por "embora", "ainda que", "conquanto" — uma ideia de oposição/ressalva. Não há oposição no trecho; há causa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Proporção seria expressa por "à medida que", "ao passo que" — uma relação de simultaneidade/proporcionalidade. A banca tenta confundir com a locução parecida, mas o valor aqui é causal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Conclusão seria expressa por "logo", "portanto", "por isso" — uma ideia de fechamento/resultado. O trecho não conclui; ele explica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "na medida em que" (causa) e "à medida que" (proporção). Guarde: "na medida em que" = porque; "à medida que" = à proporção que.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de uma conjunção, substitua por outra de valor conhecido e veja se o sentido se mantém. Se "porque" couber, é causa; se "embora" couber, é concessão; se "à proporção que" couber, é proporção.

Gabarito: letra B.

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