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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — VUNESP 2024

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
vu205076
Banca
VUNESP
Órgão
SBCPREV
Ano
2024
Cargo
Ana Prev ( )

Por vezes assalta-me a sensação de que estou me esquecendo da realidadea com a mesma rapidez com que me esqueço dos sonhos. Começa a ser difícil saber se estou me esquecendo de um sonho ou da realidade.

 

Acontece-me, por exemplo, assistir a um filme e, no meio, descobrir que já o vi antes. Com os livros de ficção, isso nunca me aconteceu, o que me leva a supor que a leitura implique uma mobilização mais profundab de certas áreas do cérebro. Faz sentido, na medida em que ao lermos um romance somos convidados a recriá-lo, imaginando o rosto dos personagens, e uma larga parte dos cenários e das situações. Cada leitor rescreve o romance que está lendo.

 

O problema é que aquilo que me acontece com os filmes também ocorre com as pessoas. Encontro com alguém num casamento, começamos a conversar, e só quando a festa se aproxima do fim é que o reconheço.c

 

Pode ser que o problema não seja meu, e sim do cinema que se faz hoje – e da atual humanidade. Talvez eu julgue estar revendo um filme, e seja um outro; no entanto, os enredos, o estilo, os cenários, é tudo tão parecido que muito antes do final eu já conheço o desfecho.d

 

Para funcionar, da forma mais eficiente possível, um exército começa por uniformizar os seus soldados; ou seja, por lhes retirar a individualidade.e As nossas sociedades tecnológicas estão fazendo o mesmo a um nível mais íntimo e profundo. Acho isso assustador.

 

Fico feliz quando encontro um filme (ou uma pessoa) capaz de me surpreender, como “Dias perfeitos”, de Wim Wenders, que acompanha o cotidiano de um homem de meia-idade, Hirayama, responsável pela limpeza de banheiros públicos em Tóquio. Hirayama cumpre a sua tarefa com extraordinário zelo e dedicação.

 

Na sua aparente simplicidade, Hirayama distingue-se de quem o rodeia. Não é uniformizável. O faxineiro erudito de Wim Wenders é um colecionador de pequenos espantos, de fulgores e de momentos únicos. É um colecionador de vida. Pessoas e personagens assim são inconfundíveis e inesquecíveis. Precisamos deles para travar a uniformização do mundo e ressuscitar a alegria e o espanto.

 

(José Eduardo Agualusa. A vida ambiciona o espanto. https://oglobo.globo. com, 03.02.2024. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   Assinale a alternativa em que a expressão destacada substitui, sem prejuízo do sentido e da correção gramatical, o que está entre colchetes.
  1. APor vezes assalta-me a sensação de que estou me esquecendo da realidade… [consome-me pela] –
  2. B… o que me leva a supor que a leitura implique uma mobilização mais profunda… [acarrete numa] –
  3. CEncontro com alguém num casamento, começamos a conversar, e só quando a festa se aproxima do fim é que o reconheço. [Deparo a].
  4. D… os enredos, o estilo, os cenários, é tudo tão parecido que muito antes do final eu já conheço o desfecho. [sei do] –
  5. E… um exército começa por uniformizar os seus soldados; ou seja, por lhes retirar a individualidade. [apartar da] –
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GabaritoD — … os enredos, o estilo, os cenários, é tudo tão parecido que muito antes do final eu já conheço o desfecho. [sei do] –

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de expressão sem prejuízo de sentido e correção gramatical

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que a expressão destacada — [sei do] — substitui o trecho original "eu já conheço o desfecho" sem alterar o sentido e mantendo a correção gramatical, pois "conhecer" e "saber de" são sinônimos nesse contexto, ambos indicando ter ciência prévia do final. Como se lê no 4º parágrafo: "muito antes do final eu já conheço o desfecho".

O comando pede uma reescritura sem prejuízo de sentido e de correção gramatical. Isso significa que a alternativa deve (1) preservar o significado original da expressão destacada e (2) manter a frase gramaticalmente correta, respeitando regência, concordância e colocação pronominal. Não se trata de interpretar o texto, mas de avaliar se a troca proposta é semanticamente equivalente e gramaticalmente válida.

O texto de Agualusa discute a dificuldade de distinguir realidade e sonho, a uniformização das sociedades tecnológicas e a importância de pessoas e personagens que surpreendem, como Hirayama. A questão, porém, não exige compreensão global do texto: foca em trechos específicos, testando se o candidato reconhece sinônimos adequados e construções gramaticais corretas.

A técnica central é testar cada substituição no contexto da frase original, verificando se o sentido se mantém e se a regência verbal é respeitada. Muitas alternativas erram justamente na regência: verbos como "consome-me", "acarrete", "Deparo" e "apartar" exigem preposições ou complementos diferentes dos que aparecem no texto, o que quebra a correção gramatical.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura troca de vocábulo com erro de regência. A alternativa que parece sinônima ("apartar" por "retirar") falha porque "apartar" exige a preposição "de" antes do complemento, enquanto o texto usa "lhes" (objeto indireto). Já "sei do" funciona porque "saber de" aceita o complemento introduzido por "de", e "conhecer" e "saber de" são equivalentes no contexto.

1Exige
Sentido equivalente
Correção gramatical (regência)
2Pegadinha clássica
Sinônimo aparente
Erro de regência
3Exemplos
"sei do" = "conheço o" (gabarito)
"apartar da" ≠ "retirar a" (regência)
"acarrete numa" (regência)
"Deparo a" (regência)
Substituição sem prejuízo
LEVELsoulevel.com.br
Substituição sem prejuízo: Exige (Sentido equivalente, Correção gramatical (regência)); Pegadinha clássica (Sinônimo aparente, Erro de regência); Exemplos ("sei do" = "conheço o" (gabarito), "apartar da" ≠ "retirar a" (regência), "acarrete numa" (regência), "Deparo a" (regência))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A expressão [consome-me pela] não substitui "estou me esquecendo da realidade" sem prejuízo de sentido. O verbo "consumir" tem sentido de "devorar, gastar, destruir", completamente diferente de "esquecer". Além disso, "consome-me pela" exigiria uma reestruturação da frase: "a sensação consome-me pela realidade" não faz sentido. A alternativa extrapola o sentido original, trocando o ato de esquecer por um de consumir.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A expressão [acarrete numa] substitui "implique uma" com erro de regência. O verbo "acarretar" é transitivo direto: acarreta algo, sem preposição. A forma "acarretar numa" é incorreta na norma-padrão. Além disso, "acarretar" tem sentido de "provocar, ocasionar", enquanto "implicar" aqui significa "exigir, envolver" — sentidos próximos, mas a regência errada invalida a alternativa. A banca contradiz a correção gramatical.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A expressão [Deparo a] substitui "Encontro com" com erro de regência. O verbo "deparar" pode ser transitivo indireto (deparar com algo) ou pronominal (deparar-se com algo), mas nunca "deparar a". A forma "Deparo a alguém" é gramaticalmente incorreta. Além disso, "deparar" tem sentido de "encontrar por acaso", que se aproxima de "encontrar com", mas a regência errada invalida a alternativa. A banca contradiz a correção gramatical.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A expressão [sei do] substitui "conheço o" sem prejuízo de sentido e com correção gramatical. No trecho "eu já conheço o desfecho", o verbo "conhecer" significa "ter conhecimento de, saber". A substituição por "sei do desfecho" mantém o sentido: "eu já sei do desfecho" = "eu já conheço o desfecho". Gramaticalmente, "saber de" é transitivo indireto com a preposição "de", e "sei do" (sei + de + o) está correto. A alternativa preserva o sentido e a correção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A expressão [apartar da] substitui "retirar a" com erro de regência. O verbo "apartar" é transitivo direto: apartar algo (separar algo), sem preposição. A forma "apartar da" exigiria um complemento com "de", mas o texto usa "lhes" (objeto indireto): "por lhes retirar a individualidade". A substituição por "por apartar da individualidade" quebraria a estrutura. Além disso, "apartar" tem sentido de "separar, afastar", que se aproxima de "retirar", mas a regência errada invalida a alternativa. A banca contradiz a correção gramatical.

NÃO CAIA NESSA!

Em questões de substituição, teste sempre a regência do verbo proposto: pergunte "o verbo exige preposição? qual?" e confira se o complemento do texto se encaixa. A alternativa que parece sinônima, mas quebra a regência, é a pegadinha clássica.

Gabarito: letra D.

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