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Questão de Português — Questões Variadas de Classe de Palavras — VUNESP 2024

PortuguêsQuestões Variadas de Classe de Palavras
Código
vu205079
Banca
VUNESP
Órgão
SBCPREV
Ano
2024
Cargo
Ana Prev ( )

Feições geológicas no subsolo do centro de São Paulo indicam que houve um terremoto de grande magnitude há pelo menos 2,5 milhões de anos – bem pouco tempo do ponto de vista geológico. Um trabalho recente, publicado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do ABC (UFABC), é o primeiro a documentar registros de abalos sísmicos de magnitude tão alta na região.

 

O estudo revela que pelo menos um grande terremoto ocorreu na região, alcançando magnitude de no mínimo 6 graus na escala Richter – o que seria suficiente para destruir boa parte do centro da cidade se ocorresse nos dias de hoje.

 

Os pesquisadores não sabem exatamente o que pode ter causado terremoto tão intenso na capital paulista, mas uma das principais suspeitas é de que tenha sido provocado pela queda de um meteorito.

 

Os bairros de Colônia e Vargem Grande foram erguidos na região onde o meteorito teria caído. Apenas na década de 1960, imagens aéreas e de satélite revelaram a cratera. Pela análise das bordas e dos sedimentos do fundo do grande buraco, é possível dizer que ele foi causado pela queda de um meteorito.

 

A outra hipótese levantada pelos pesquisadores é de que o terremoto tenha sido causado por atividade tectônica. Contudo, os abalos sísmicos são raros por aqui, pois o Brasil está localizado bem no centro da placa Sul-Americana. Terremotos são muito mais frequentes em regiões onde placas diferentes se encontram justamente porque há o risco de choque entre elas. É o caso de países como o Chile ou o Japão.

 

Entretanto, os cientistas alertam para a possibilidade de tremores também em outras áreas pela simples movimentação das placas. Se foi essa movimentação que provocou os abalos sísmicos, existe um risco, ainda que remoto, de ela acontecer novamente na região.

 

(Roberta Jansen. O que cientistas descobriram sobre

grande terremoto queatingiu área da cidade de São Paulo? www.estadao.com.br, 11.02.2024. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

 

No trecho “Terremotos são muito mais frequentes em regiões onde placas diferentes se encontram…”, o vocábulo muito pertence à mesma classe de palavras que o destacado em:

  1. ACertos cataclismos ocorreram na Terra muito antes de existir qualquer sinal de civilização.
  2. BMuito do que se acreditava ser apenas um relevo atípico esconde uma história muito antiga.
  3. CRequer-se muito estudo para conseguir determinar a idade geológica de certas formações.
  4. DA intensa atividade das placas tectônicas moldou muito do relevo de lugares por onde passamos.
  5. EHá descobertas que deixam pesquisadores com o sentimento de que eles já realizaram muito na vida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Certos cataclismos ocorreram na Terra muito antes de existir qualquer sinal de civilização.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classe de palavras: o "muito" advérbio de intensidade

Gabarito: letra A. No trecho do texto, "muito" é advérbio de intensidade, pois intensifica o adjetivo "frequentes" (muito frequentes). A alternativa A é a única em que "muito" exerce a mesma função: intensifica o advérbio "antes" (muito antes). Nas demais, "muito" é pronome indefinido substantivo (B, D) ou adjetivo (C, E). A pista decisiva é o termo que "muito" modifica: advérbio/adjetivo = classe advérbio; substantivo = pronome/adjetivo.

O comando pede uma análise morfológica contextual: identificar a classe da palavra "muito" no trecho do texto e encontrar a alternativa em que ela pertence à mesma classe. Isso não é decoreba de regra isolada — é observar a função sintática que a palavra exerce na frase. A palavra "muito" é polissêmica quanto à classe: pode ser advérbio, pronome indefinido ou adjetivo, dependendo do que modifica.

No texto-base, o trecho é:

"Terremotos são muito mais frequentes em regiões onde placas diferentes se encontram…"

Aqui, "muito" intensifica o advérbio "mais", que por sua vez intensifica o adjetivo "frequentes". Ou seja, "muito" está modificando um advérbio — função típica de advérbio de intensidade. A classe é invariável e indica grau.

A técnica para resolver: substitua "muito" por "bastante" ou "extremamente" (advérbios de intensidade) e veja se a frase mantém o sentido. Se sim, é advérbio. Se a substituição por "muita coisa" ou "grande quantidade" fizer sentido, é pronome/adjetivo. Vamos aplicar isso a cada alternativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia de "muito" — a mesma palavra com classes diferentes. A armadilha é achar que "muito" é sempre advérbio, mas ele pode ser pronome indefinido ("Muito do que...") ou adjetivo ("muito estudo"). O que decide é o termo que ele modifica.

1Advérbio de intensidade
Modifica verbo, adjetivo ou advérbio
Substitui por "bastante"
Ex.: muito frequentes (texto)
Ex.: muito antes (gabarito A)
2Pronome indefinido
Substitui substantivo
Substitui por "muita coisa"
Ex.: Muito do que (B, D)
Ex.: realizaram muito (E)
3Adjetivo
Acompanha substantivo
Ex.: muito estudo (C)
"Muito" (polissemia de classe)
LEVELsoulevel.com.br
"Muito" (polissemia de classe): Advérbio de intensidade (Modifica verbo, adjetivo ou advérbio, Substitui por "bastante", Ex.: muito frequentes (texto), Ex.: muito antes (gabarito A)); Pronome indefinido (Substitui substantivo, Substitui por "muita coisa", Ex.: Muito do que (B, D), Ex.: realizaram muito (E)); Adjetivo (Acompanha substantivo, Ex.: muito estudo (C))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Certos cataclismos ocorreram na Terra muito antes de existir qualquer sinal de civilização."

Aqui, "muito" intensifica o advérbio "antes" (muito antes = bastante antes). Assim como no texto, "muito" é advérbio de intensidade modificando outro advérbio. A substituição por "bastante" funciona: "bastante antes". Classe idêntica à do trecho original.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Muito do que se acreditava ser apenas um relevo atípico esconde uma história muito antiga."

O primeiro "muito" é pronome indefinido substantivo — substitui um substantivo ("muita coisa do que..."). O segundo "muito" (em "muito antiga") é advérbio, mas o destacado na alternativa é o primeiro, que não corresponde à classe pedida. Erro: troca de classe — pronome indefinido no lugar de advérbio.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Requer-se muito estudo para conseguir determinar a idade geológica de certas formações."

Aqui, "muito" modifica o substantivo "estudo" (muito estudo = grande quantidade de estudo). É adjetivo (ou pronome indefinido adjetivo), pois acompanha e qualifica um substantivo. Não é advérbio. Erro: troca de classe — adjetivo no lugar de advérbio.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A intensa atividade das placas tectônicas moldou muito do relevo de lugares por onde passamos."

"Muito" aqui é pronome indefinido substantivo — está sozinho, substituindo um substantivo ("muita parte do relevo"). Não modifica verbo, adjetivo ou advérbio. Erro: troca de classe — pronome indefinido no lugar de advérbio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Há descobertas que deixam pesquisadores com o sentimento de que eles já realizaram muito na vida."

"Muito" aqui funciona como pronome indefinido substantivo — representa "muitas coisas" (realizaram muitas coisas na vida). Não intensifica nenhum termo; tem valor de substantivo. Erro: troca de classe — pronome indefinido no lugar de advérbio.

Conclusão: a questão testa a polissemia de "muito" — a mesma palavra pode ser advérbio, pronome ou adjetivo. A regra de ouro: pergunte sempre "muito modifica o quê?". Se modifica verbo, adjetivo ou advérbio → advérbio. Se substitui ou acompanha substantivo → pronome/adjetivo. A alternativa A é a única em que "muito" intensifica outro advérbio, exatamente como no texto.

Gabarito: letra A

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