Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — VUNESP 2024
Português›Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc)
Código
vu205163
Banca
VUNESP
Órgão
CM Campinas
Ano
2024
Cargo
Tec ( )
Mal nos limpamos da areia contrabandeada do Réveillon,
e o ano já chega repleto de propostas de trabalho, estudo,
esporte e lazer. Energias renovadas e um certo erro de cálculo nos fazem crer que as promessas assumidas hoje encontrarão a mesma pessoa para pagá-las amanhã.
Agenda cheia é a marca da pessoa produtiva e plena de
energia, ou seja, eternamente jovem e bem-sucedida. Não
é o caso da mão de obra em uma grande cidade, cujo deslocamento para o emprego ocupa grande parte do dia, da
paciência e da saúde. Essa sonha com tempo livre do qual
não pode dispor, pois seu sustento está sob ameaça perene.
Acostumada a receber convites para dar palestras em
diferentes instituições e sem poder ir a todas, me surpreendi
com uma resposta específica a uma negativa minha. A pessoa queria entender a razão pela qual eu não poderia atender
a solicitação dela que, afinal, ocorreria à noite, só se estenderia por duas horas e era perto da minha casa. Para me
justificar, desfiei o rosário dos compromissos que assumi logo
nos primeiros dias do ano: consultório, aulas, grupos de estudo, livro, coordenação de um instituto. A petulância diante do
meu “não” seria só uma anedota, se não me tivesse percebido tão irritada. Daí, claro, já não se trata da falta de sensibilidade do anfitrião, a quem respondi educadamente, mas de
um incômodo comigo mesma.
Meu mal-estar decorria do fato de eu cobrar de mim aceitar um evento à noite, que só dura duas horas e é perto da
minha casa. Minha resposta apresentando os compromissos
previamente assumidos era para aplacar a fúria de alguém
que se espelha em um fazer sem descanso. Daí que, se quisermos rever uma produtividade que começa logo ao abrir os
olhos com o uso do celular, teremos que dizer “não” para nós
mesmos antes de tudo.
(Vera Iaconelli. A arte de dizer não para si.
www1.folha.uol.com.br, 29.01.2024. Adaptado)
No trecho “A pessoa queria entender a razão pela qual eu não poderia atender a solicitação dela…”, a expressão destacada pode ser substituída, sem prejuízo do sentido e da correção gramatical do trecho, por:
Ao porque de
Bo por que que
Cpor que
Dporque
Eporquê
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GabaritoC — por que
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Uso dos porquês: substituição sem prejuízo de sentido
Gabarito: letra C. No trecho “a razão pela qual eu não poderia atender a solicitação dela”, a expressão destacada é a combinação da preposição por com o pronome relativo a qual, retomando “razão”. A substituição que preserva o sentido e a correção gramatical é “por que”, pois também equivale a “pela qual”. Como se lê no texto: “A pessoa queria entender a razão pela qual eu não poderia atender a solicitação dela”. A forma “por que” (separada e sem acento) é exatamente a que se usa quando equivale a “pelo qual/pela qual”.
O comando
A questão pede uma substituição sem prejuízo do sentido e da correção gramatical. Isso significa que a alternativa correta deve manter o mesmo valor semântico e sintático da expressão original. Não se trata de interpretação de texto, mas de conhecimento gramatical aplicado ao contexto: identificar a função de “pela qual” e encontrar a forma equivalente entre os “porquês”.
O texto e a expressão destacada
No trecho, “a razão pela qual” é uma locução em que “pela qual” funciona como pronome relativo, retomando “razão” e introduzindo a oração adjetiva “eu não poderia atender a solicitação dela”. A preposição “por” é exigida pela regência de “razão” (razão por algo), e o pronome relativo “a qual” concorda com “razão”.
A substituição por “por que” é possível porque, nesse caso, “por que” também é a soma da preposição por + pronome relativo que, equivalendo a “pelo qual/pela qual”. Veja o paralelo:
“a razão pela qual” = “a razão por que”
“os motivos pelos quais” = “os motivos por que”
Essa é a chave da questão: quando “por que” equivale a “pelo qual/pela qual”, ele é escrito separado e sem acento.
A regra dos porquês
Para resolver com segurança, lembre-se do quadro:
Forma
Uso
Exemplo
Por que
Em perguntas (direta/indireta) ou = “pelo qual/pela qual”
“Não sei por que ele saiu.” / “A razão por que luto.”
Porque
Conjunção causal/explicativa
“Saí porque estava cansado.”
Por quê
Final de frase, com acento
“Saiu cedo, por quê?”
Porquê
Substantivo, com artigo/determinante
“Quero saber o porquê.”
No trecho, “pela qual” não é conjunção, não está em pergunta e não é substantivo: é pronome relativo. Logo, a única forma equivalente é “por que”.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
“o porque de” — Aqui, “porque” é substantivo (porquê) e viria antecedido de artigo, mas a grafia está errada (deveria ser “o porquê de”). Além disso, “o porque de” não equivale a “pela qual”; mudaria o sentido para “o motivo de”, o que não se encaixa na estrutura “a razão o porque de eu não poderia...”. Erro: troca de classe gramatical e grafia incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“o por que que” — Dupla incorreção: “o por que” não é locução pronominal relativa (o correto seria “por que” sem artigo), e o segundo “que” é desnecessário e quebra a estrutura. A frase ficaria “a razão o por que que eu não poderia...”, sem sentido e gramaticalmente inválida. Erro: acréscimo de termos e estrutura incorreta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“por que” — É a forma correta, pois equivale a “pela qual”, retomando “razão”. A substituição mantém o sentido e a correção: “a razão por que eu não poderia atender a solicitação dela”. Correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“porque” — É conjunção causal/explicativa, usada para introduzir causa ou explicação. No trecho, não há relação de causa; há uma oração adjetiva. Substituir por “porque” mudaria o sentido para “a razão porque eu não poderia...”, o que não equivale a “pela qual”. Erro: troca de classe gramatical (conjunção em vez de pronome relativo).
Alternativa E — ❌ Incorreta
“porquê” — É substantivo, sinônimo de “motivo”, e normalmente vem antecedido de artigo ou determinante. No trecho, não cabe substantivo; a estrutura exige pronome relativo. Além disso, “porquê” não equivale a “pela qual”. Erro: troca de classe gramatical (substantivo em vez de pronome relativo).
Conclusão
A questão testa o uso dos porquês em contexto. A chave é identificar a função sintática da expressão destacada: se equivale a “pelo qual/pela qual”, a forma é “por que” (separado e sem acento). As demais formas têm usos distintos e não podem substituir sem alterar o sentido.
PEGA ESSA DICA!
Ao substituir, pergunte: “equivale a ‘pelo qual’?” Se sim, use por que. Se for conjunção causal, use porque. Se for substantivo, use porquê. Se estiver no fim da frase, use por quê.