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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205235
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2024
Cargo
Fisc (Sorocaba)

Na última reunião de pais no colégio, a professora de um dos meus filhos fez um apelo: “Por favor, peçam a seus filhos para lerem mais em casa, porque as leituras que fazemos na escola não são suficientes”. Fui obrigada a concordar com ela e saí disposta a colaborar. Mas a lição de casa tem se revelado árdua com tantos jogos, telas e recursos digitais disponíveis a um clique. Em muitas famílias, fazer crianças e adolescentes focarem apenas no bom e velho livro virou desafio hercúleo hoje em dia.

 

E é justamente dele que trata o livro Faça-os ler! Para não criar cretinos digitais, do neurocientista francês Michel Desmurget. No livro, o autor apresenta pesquisas, feitas em países europeus, que sustentam, entre outros pontos, que os “nativos digitais” podem ser os primeiros filhos a ter QI inferior ao dos pais.

 

Segundo o autor, o abandono da leitura pelas novas gerações tem consequências não só no desempenho escolar, como também no vocabulário, na estruturação do pensamento, na nutrição da memória e na apropriação de conhecimentos complexos. A troca do livro pelo uso massivo de telas também está ligada a prejuízos no sono e na aquisição da linguagem, problemas de concentração e aumento da ansiedade e do risco de obesidade.

 

Esse recuo generalizado da leitura é sentido de forma mais marcante no meio universitário. Desmurget destaca em seu novo livro que pesquisas mostram que muitos estudantes sabem que é importante ler, sabem que os professores esperam que eles leiam e sabem que isso terá impacto em suas notas. Mesmo assim, não leem. Penso que aí o problema se agrava muito, porque os não leitores de hoje serão os professores de amanhã.

 

Desmurget defende que é hora de demonstrar que a leitura “por prazer” de maneira alguma constitui uma prática elitista, reservada a alguns privilegiados eruditos, mas é, sim, uma necessidade urgente de desenvolvimento para as crianças. Só há um problema: o gosto pela leitura não é inato. Ou seja, não brota espontaneamente em todos os seres humanos − precisa, em vez disso, ser transmitido. E aí nada como os pais − ou cuidadores − para assumir essa missão.

 

“Vasculhei a literatura científica em todas as direções e não encontrei um antídoto melhor para a estupidificação das mentes do que a leitura”, escreve o pesquisador francês.

 

“Ela é uma verdadeira máquina para moldar a inteligência em sua dimensão cognitiva (aquela que permite pensar, refletir e raciocinar), mas também, de maneira ampla, socioemocional (aquela que permite entender a si mesmo e aos outros, para benefício das relações sociais). O leitor é o anticretino digital!”.

 

(https://www.estadao.com.br/cultura/luciana-garbin/nao-quer-criarcretinos-

digitais-entao-faca-seus-filhos-ler/. 07.03.2024. Adaptado)

De acordo com o texto, é correto afirmar que
  1. Aa leitura em meios digitais prejudica a compreensão das informações apresentadas nos textos.
  2. Bestudantes do ensino superior não têm o hábito da leitura, ainda que reconheçam sua importância.
  3. Cainda não há estudos confiáveis que comprovem um efeito positivo da leitura sobre a memória.
  4. Do vocabulário escasso é o principal e mais nocivo efeito da pouca leitura praticada pelos jovens.
  5. Eos jovens têm preferido os exercícios escolares de escrita às atividades de interpretação de textos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — estudantes do ensino superior não têm o hábito da leitura, ainda que reconheçam sua importância.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: a resposta mora no 4º parágrafo

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única inteiramente sustentada pelo texto: o 4º parágrafo afirma que "muitos estudantes sabem que é importante ler, sabem que os professores esperam que eles leiam e sabem que isso terá impacto em suas notas. Mesmo assim, não leem" — exatamente o que a letra B parafraseia: estudantes do ensino superior não têm o hábito da leitura, ainda que reconheçam sua importância. As demais alternativas ou extrapolam o que o texto diz ou o contradizem.

O comando pede compreensão ("De acordo com o texto, é correto afirmar que"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma informação explícita — nada de deduzir além do que está escrito. A técnica é simples: para cada alternativa, pergunte "onde o texto autoriza isto?" e confronte com a passagem exata.

O texto é uma crônica/artigo de opinião sobre a importância da leitura e os perigos do uso excessivo de telas. A tese central é que a leitura é essencial para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional, e que os pais devem incentivar o hábito. O 4º parágrafo é o coração da questão: ele trata especificamente do meio universitário, afirmando que os estudantes sabem da importância da leitura, mas não leem.

"Desmurget destaca em seu novo livro que pesquisas mostram que muitos estudantes sabem que é importante ler, sabem que os professores esperam que eles leiam e sabem que isso terá impacto em suas notas. Mesmo assim, não leem."

A alternativa B é a reescritura desse trecho: troca "muitos estudantes" por "estudantes do ensino superior" (sinônimo contextual, já que o parágrafo fala do meio universitário), "sabem que é importante ler" por "reconheçam sua importância" e "não leem" por "não têm o hábito da leitura". É uma paráfrase perfeita, sem acrescentar nem suprimir nada.

A armadilha central da banca é a extrapolação: oferecer afirmações que parecem plausíveis (e até verdadeiras no mundo real), mas que não estão no texto. A letra A, por exemplo, fala de "leitura em meios digitais" — o texto menciona "telas" e "recursos digitais", mas nunca afirma que a leitura digital prejudica a compreensão. A letra D hierarquiza os efeitos ("principal e mais nocivo"), mas o texto apenas lista consequências sem estabelecer gradação. A letra C contradiz o texto, que cita a "nutrição da memória" como um dos benefícios da leitura. A letra E foge completamente ao tema, falando de "exercícios escolares de escrita" — assunto ausente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos verdadeiros que o texto não menciona. A letra A é o exemplo clássico: "leitura em meios digitais prejudica a compreensão" soa razoável, mas o texto só fala de "telas" e "recursos digitais" como concorrentes do livro, sem qualquer afirmação sobre compreensão. Desconfie de alternativas que acrescentam uma relação de causa e efeito que o autor não estabeleceu.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que corresponde a cada alternativa. Se não achar, a alternativa está errada — mesmo que pareça verdadeira. A resposta certa é sempre a que reescreve o texto, não a que complementa com ideias de fora.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona "jogos, telas e recursos digitais" como concorrentes do livro, mas não afirma que a leitura em meios digitais prejudica a compreensão das informações. Essa relação de causa e efeito é uma invenção do candidato — o texto não a sustenta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel do 4º parágrafo. O texto diz que "muitos estudantes sabem que é importante ler... Mesmo assim, não leem". A alternativa B reescreve isso com outras palavras: "estudantes do ensino superior não têm o hábito da leitura, ainda que reconheçam sua importância". Nada foi acrescentado nem suprimido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O 3º parágrafo afirma que o abandono da leitura afeta "a nutrição da memória" — ou seja, o texto sustenta que a leitura tem efeito positivo sobre a memória. A alternativa C nega isso, dizendo que "ainda não há estudos confiáveis", o que é o oposto do que o autor defende.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: restringe e hierarquiza. O texto lista várias consequências da pouca leitura: "desempenho escolar, vocabulário, estruturação do pensamento, nutrição da memória, apropriação de conhecimentos complexos". A alternativa D elege o vocabulário como "principal e mais nocivo", mas o texto não estabelece essa gradação — é uma restrição indevida do alcance da afirmação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: fuga ao tema. O texto fala de leitura, telas e hábitos de estudo, mas não menciona "exercícios escolares de escrita" nem "atividades de interpretação de textos". A alternativa E trata de um assunto que não está no texto — é uma tangente que parece pertinente, mas não tem base.

Conclusão: a questão testa sua capacidade de localizar e parafrasear uma informação explícita. A letra B é a única que encontra respaldo literal no 4º parágrafo; as demais ou extrapolam, contradizem ou fogem ao texto. Lembre-se: em compreensão, a resposta mora no texto — se você precisou "completar" com o que sabe do mundo, errou.

Gabarito: letra B

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