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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205253
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2024
Cargo
TCA ( )

Na última reunião de pais no colégio, a professora de um dos meus filhos fez um apelo: “Por favor, peçam a seus filhos para lerem mais em casa, porque as leituras que fazemos na escola não são suficientes”. Fui obrigada a concordar com ela e saí disposta a colaborar. Mas a lição de casa tem se revelado árdua com tantos jogos, telas e recursos digitais disponíveis a um clique. Em muitas famílias, fazer crianças e adolescentes focarem apenas no bom e velho livro virou desafio hercúleo hoje em dia.

 

E é justamente dele que trata o livro Faça-os ler! Para não criar cretinos digitais, do neurocientista francês Michel Desmurget. No livro, o autor apresenta pesquisas, feitas em países europeus, que sustentam, entre outros pontos, que os “nativos digitais” podem ser os primeiros filhos a ter QI inferior ao dos pais.

 

Segundo o autor, o abandono da leitura pelas novas gerações tem consequências não só no desempenho escolar, como também no vocabulário, na estruturação do pensamento, na nutrição da memória e na apropriação de conhecimentos complexos. A troca do livro pelo uso massivo de telas também está ligada a prejuízos no sono e na aquisição da linguagem, problemas de concentração e aumento da ansiedade e do risco de obesidade.

 

Esse recuo generalizado da leitura é sentido de forma mais marcante no meio universitário. Desmurget destaca em seu novo livro que pesquisas mostram que muitos estudantes sabem que é importante ler, sabem que os professores esperam que eles leiam e sabem que isso terá impacto em suas notas. Mesmo assim, não leem. Penso que aí o problema se agrava muito, porque os não leitores de hoje serão os professores de amanhã.

 

Desmurget defende que é hora de demonstrar que a leitura “por prazer” de maneira alguma constitui uma prática elitista, reservada a alguns privilegiados eruditos, mas é, sim, uma necessidade urgente de desenvolvimento para as crianças. Só há um problema: o gosto pela leitura não é inato. Ou seja, não brota espontaneamente em todos os seres humanos − precisa, em vez disso, ser transmitido. E aí nada como os pais − ou cuidadores − para assumir essa missão.

 

“Vasculhei a literatura científica em todas as direções e não encontrei um antídoto melhor para a estupidificação das mentes do que a leitura”, escreve o pesquisador francês.

 

“Ela é uma verdadeira máquina para moldar a inteligência em sua dimensão cognitiva (aquela que permite pensar, refletir e raciocinar), mas também, de maneira ampla, socioemocional (aquela que permite entender a si mesmo e aos outros, para benefício das relações sociais). O leitor é o anticretino digital!”.

 

(https://www.estadao.com.br/cultura/luciana-garbin/nao-quer-criarcretinos-

digitais-entao-faca-seus-filhos-ler/. 07.03.2024. Adaptado)

Pode-se inferir corretamente que, na opinião da autora,
  1. Aescrevem mal as pessoas que não se dedicam à leitura.
  2. Ba escola não estimula o interesse pelo conhecimento.
  3. Ca leitura é fundamental na formação de professores.
  4. Dexiste uma predisposição natural do ser humano para a leitura.
  5. Eaparelhos eletrônicos deveriam ser banidos das escolas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — a leitura é fundamental na formação de professores.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre a opinião da autora: a leitura como base da formação docente

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que se sustenta como inferência legítima a partir da opinião da autora: a leitura é fundamental na formação de professores. A pista está no 4º parágrafo, quando a autora afirma: "Penso que aí o problema se agrava muito, porque os não leitores de hoje serão os professores de amanhã". Essa passagem autoriza deduzir que, para ela, a leitura é condição essencial para quem vai ensinar — sem leitores, não se formam bons professores.

O comando pede uma inferência ("Pode-se inferir corretamente que, na opinião da autora"), ou seja, a resposta não está literal, mas é uma dedução ancorada em pistas do texto. Diferente de uma questão de compreensão (que pede paráfrase do que está escrito), aqui você precisa encontrar a ideia que o texto obriga a concluir, sem acrescentar nada de fora. Vamos ver como cada alternativa se comporta frente a esse critério.

O texto é um artigo de opinião sobre a importância da leitura, especialmente diante do avanço das telas e da cultura digital. A autora relata o apelo da professora, apresenta o livro de Michel Desmurget e desenvolve a tese de que a leitura é indispensável para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional. O ponto-chave para esta questão está no 4º parágrafo, onde ela conecta a falta de leitura dos universitários ao futuro da profissão docente.

A técnica central aqui é distinguir inferência legítima de extrapolação. Inferência legítima se apoia em um pressuposto deixado pelo próprio texto — como "os não leitores de hoje serão os professores de amanhã", que pressupõe que quem não lê não estará preparado para ensinar. Extrapolação é quando a alternativa acrescenta uma ideia que o texto não autoriza, mesmo que ela soe verdadeira no mundo real. Teste cada alternativa perguntando: "o texto me obriga a concluir isso, ou eu estou trazendo informação de fora?".

1Inferência legítima
Apoia-se em pista textual
O texto obriga a concluir
Ex.: leitura fundamental na formação de professores
2Extrapolação
Acrescenta ideia de fora
Soa verdadeira, mas não autorizada
Ex.: quem não lê escreve mal
3Contradição
Inverte o que o texto afirma
Ex.: gosto pela leitura é inato
Inferência em interpretação de texto
LEVELsoulevel.com.br
Inferência em interpretação de texto: Inferência legítima (Apoia-se em pista textual, O texto obriga a concluir, Ex.: leitura fundamental na formação de professores); Extrapolação (Acrescenta ideia de fora, Soa verdadeira, mas não autorizada, Ex.: quem não lê escreve mal); Contradição (Inverte o que o texto afirma, Ex.: gosto pela leitura é inato)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto fala em consequências do abandono da leitura no "vocabulário, na estruturação do pensamento, na nutrição da memória e na apropriação de conhecimentos complexos", mas não afirma que quem não lê escreve mal. A alternativa A acrescenta uma consequência específica (escrever mal) que não está mencionada em nenhum trecho. É uma dedução plausível no mundo real, mas fora do escopo do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A autora relata o apelo da professora: "Por favor, peçam a seus filhos para lerem mais em casa, porque as leituras que fazemos na escola não são suficientes". Isso mostra que a escola estimula o interesse pela leitura — apenas reconhece que o tempo escolar é insuficiente. A alternativa B inverte essa ideia ao dizer que a escola não estimula o interesse pelo conhecimento, o que contraria diretamente o texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Inferência legítima. A autora afirma: "Penso que aí o problema se agrava muito, porque os não leitores de hoje serão os professores de amanhã". Essa passagem autoriza deduzir que, na opinião dela, a leitura é fundamental na formação de professores: se os futuros professores não leem, a qualidade do ensino estará comprometida. A alternativa C é uma paráfrase inferencial dessa ideia — não está literal, mas é a conclusão que o texto obriga a tirar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O 5º parágrafo afirma explicitamente: "Só há um problema: o gosto pela leitura não é inato. Ou seja, não brota espontaneamente em todos os seres humanos − precisa, em vez disso, ser transmitido". A alternativa D diz exatamente o oposto ao afirmar que existe uma predisposição natural para a leitura. É uma contradição direta com o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto critica o "uso massivo de telas" e menciona prejuízos associados, mas em nenhum momento defende o banimento dos aparelhos eletrônicos das escolas. A alternativa E ultrapassa o que o texto diz, propondo uma medida radical que a autora não sugere. É uma extrapolação clássica: pega uma crítica presente no texto e a leva a uma conclusão que não está autorizada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com aparência de verdade. As alternativas A e E soam plausíveis no mundo real (quem não lê escreve mal; telas atrapalham), mas o texto não as sustenta. A correta, C, é a única que se apoia em uma pista textual concreta — a frase sobre os futuros professores.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, grife o comando ("infere-se") e procure a pista textual que obriga à conclusão. Se a alternativa parece verdadeira mas você não consegue apontar o trecho que a autoriza, ela é extrapolação — descarte.

Gabarito: letra C. A leitura é fundamental na formação de professores porque o texto afirma que os não leitores de hoje serão os professores de amanhã, o que torna a alternativa C a única inferência ancorada no texto.

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