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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205336
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SBC
Ano
2024
Cargo
Ag Cult ( )

Ando de carro pelo interior de São Paulo. Pelas estradas, vou contemplando vastos campos de cana-de-açúcar, café, laranja e até seringueiras. Nenhuma daquelas plantas é dali. Vieram de outros continentes ou de outras partes do Brasil. Adaptaram-se a uma vontade externa que as deslocou da sua área de origem. Sabemos que a agricultura em larga escala de espécies não originais cria riquezas, mas pode conter riscos.

 

Educar-se é um exercício agrícola. Precisamos eliminar ervas daninhas, os hábitos pouco produtivos. Necessitamos valorizar habilidades naturais (espécies nativas) e saber quais novas merecem o cultivo. Tudo deve ser irrigado, protegidode riscos e pragas.

 

A maior erva daninha de hoje é a falta de foco. O vilão? O celular, com seus vídeos sedutores e mensagens contínuas. Eu me sento um minuto para ver algo e, de repente, vejo que se passou meia hora. A falta de foco mata qualquer planta promissora. O viajante Saint-Hilaire advertia há quase dois séculos: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. A praga do celular é pior do que a da formiga voraz. O celular come pela raiz o tempo. Reaja, antes de ficar seco como um tronco abandonado.

 

Voltando à cena do interior de São Paulo. Trazer uma espécie exótica atrai alguns riscos ao ambiente. São necessários estudos. Nem tudo é possível. A manga e a jaca adaptaram-se tanto ao Brasil que parecem ter nascido aqui. A cana-de-açúcar fez um longo trajeto da Ásia para o sul da Europa, e ilhas atlânticas, até ocupar imensos espaços no território brasileiro. Se você quiser introduzir um hábito novo na sua vida, saiba que a adaptação será deveras complicada. É necessário persistência, reflexão e bastante cautela. Criar foco, desenvolver disciplina de trabalho, conter acessos de raiva, superar preconceitos: tudo implica muito cuidado. A tentação da volta é realmente constante. O bom agricultor sabe que não existe domingo ou feriado para uma excelente safra. A natureza é generosa e exigente. Tenha esperança de equilibrar as suas virtudes naturais e boa colheita.

 

(Leandro Karnal. Reaja, antes de ficar seco como um tronco. www.estadao.com.br, 08.11.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

 

A partir da leitura do texto, é correto afirmar que o autor

  1. Adefende a ideia de que vegetações não nativas tiraram o foco dos agricultores que deveriam ter se dedicado a cultivar plantas típicas.
  2. Bacredita que os riscos apresentados pela importação de espécies não originais ao Brasil não justificam as vantagens financeiras por trás desse ato.
  3. Cusa as práticas agrícolas como fonte de ensinamentos sobre a adaptação, os quais podem ser aplicados à vida cotidiana das pessoas.
  4. Dexplica que a mangueira e a jaqueira parecem ser originárias da agricultura brasileira por serem frutas comumente associadas a climas quentes.
  5. Eentende que o celular é danoso para as relações humanas, por dar às pessoas a falsa sensação de que o tempo está passando mais rápido.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — usa as práticas agrícolas como fonte de ensinamentos sobre a adaptação, os quais podem ser aplicados à vida cotidiana das pessoas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto: a metáfora agrícola como ensinamento

Gabarito: letra C. O autor usa as práticas agrícolas como fonte de ensinamentos sobre adaptação, aplicáveis à vida cotidiana — é o que se lê no 2º parágrafo: "Educar-se é um exercício agrícola" e, no 4º, "Se você quiser introduzir um hábito novo na sua vida, saiba que a adaptação será deveras complicada". A alternativa C é a única que parafraseia fielmente essa tese central, sem acrescentar nada que o texto não diga.

O comando pede uma compreensão ("é correto afirmar que o autor"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase de uma ideia explícita no texto — não uma inferência ousada nem uma extrapolação. A tarefa é localizar a passagem que sustenta cada alternativa e verificar se ela diz exatamente aquilo, nem mais, nem menos.

O texto desenvolve uma analogia prolongada: o autor observa plantações no interior de São Paulo e, a partir delas, constrói uma metáfora sobre a vida. No 2º parágrafo, a tese é anunciada: "Educar-se é um exercício agrícola". No 4º, a aplicação fica explícita: "Se você quiser introduzir um hábito novo na sua vida, saiba que a adaptação será deveras complicada. É necessário persistência, reflexão e bastante cautela." É exatamente essa ponte entre o campo e a vida cotidiana que a alternativa C captura.

A técnica que decide esta questão é simples: teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto?". A correta é a que encontra eco literal no texto; as erradas, em geral, extrapolam — acrescentam uma opinião, uma causa ou uma consequência que o autor não afirmou. Vamos ver cada uma.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor defende que "vegetações não nativas tiraram o foco dos agricultores que deveriam ter se dedicado a cultivar plantas típicas". O texto não diz isso. O autor menciona que as plantas exóticas "criam riquezas, mas pode conter riscos" (1º parágrafo), mas não afirma que elas tiraram o foco dos agricultores nem que estes deveriam cultivar apenas plantas típicas. Isso é uma extrapolação: o texto não estabelece essa relação de causa e efeito entre plantas exóticas e falta de foco. A falta de foco, no texto, é atribuída ao celular, não às plantas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que o autor acredita que "os riscos apresentados pela importação de espécies não originais ao Brasil não justificam as vantagens financeiras por trás desse ato". O texto não faz essa ponderação. Ele apenas afirma que "a agricultura em larga escala de espécies não originais cria riquezas, mas pode conter riscos" (1º parágrafo) e que "Trazer uma espécie exótica atrai alguns riscos ao ambiente. São necessários estudos" (4º parágrafo). O autor não diz que os riscos superam as vantagens financeiras; ele apenas aponta a necessidade de estudos e cautela. A alternativa acrescenta uma opinião que não está no texto — é uma extrapolação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa C é a única inteiramente sustentada pelo texto. O autor constrói uma analogia entre agricultura e vida: assim como o agricultor cuida das plantas, a pessoa deve cuidar dos próprios hábitos e virtudes. Isso está explícito no 2º parágrafo: "Educar-se é um exercício agrícola. Precisamos eliminar ervas daninhas, os hábitos pouco produtivos. Necessitamos valorizar habilidades naturais (espécies nativas) e saber quais novas merecem o cultivo." E no 4º parágrafo: "Se você quiser introduzir um hábito novo na sua vida, saiba que a adaptação será deveras complicada. É necessário persistência, reflexão e bastante cautela." A alternativa C parafraseia essa ideia: as práticas agrícolas servem como fonte de ensinamentos sobre adaptação, aplicáveis à vida cotidiana. Não há acréscimo nem restrição — é a tese central do texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor explica que "a mangueira e a jaqueira parecem ser originárias da agricultura brasileira por serem frutas comumente associadas a climas quentes". O texto diz: "A manga e a jaca adaptaram-se tanto ao Brasil que parecem ter nascido aqui" (4º parágrafo). A razão dada pelo autor é a adaptação, não o fato de serem frutas de climas quentes. A alternativa troca a causa: o texto atribui a aparência de origem à adaptação, não ao clima. Isso é uma troca de conceito — a alternativa usa uma informação plausível (frutas tropicais) que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa diz que o autor entende que "o celular é danoso para as relações humanas, por dar às pessoas a falsa sensação de que o tempo está passando mais rápido". O texto afirma que o celular é a "maior erva daninha" e que "O celular come pela raiz o tempo" (3º parágrafo), mas não menciona "relações humanas" nem "falsa sensação de que o tempo está passando mais rápido". O autor fala da falta de foco causada pelo celular, não de danos às relações humanas nem de percepção de tempo. A alternativa extrapola ao acrescentar consequências que o texto não aborda.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com ideias que parecem verdadeiras no mundo real (como o celular prejudicar relações ou frutas tropicais parecerem nativas), mas que não estão no texto. A correta é sempre a que encontra eco literal na passagem.

PEGA ESSA DICA!

Ao ler o comando "é correto afirmar que o autor", grife a tese do texto (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa como uma paráfrase — se precisar acrescentar qualquer informação de fora, está errada.

Gabarito: letra C — a única que parafraseia a tese central do texto, sem extrapolar, restringir ou contradizer o que o autor escreveu.

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