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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2024

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu205338
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SBC
Ano
2024
Cargo
Ag Cult ( )

Ando de carro pelo interior de São Paulo. Pelas estradas, vou contemplando vastos campos de cana-de-açúcar, café, laranja e até seringueiras. Nenhuma daquelas plantas é dali. Vieram de outros continentes ou de outras partes do Brasil. Adaptaram-se a uma vontade externa que as deslocou da sua área de origem. Sabemos que a agricultura em larga escala de espécies não originais cria riquezas, mas pode conter riscos.

 

Educar-se é um exercício agrícola. Precisamos eliminar ervas daninhas, os hábitos pouco produtivos. Necessitamos valorizar habilidades naturais (espécies nativas) e saber quais novas merecem o cultivo. Tudo deve ser irrigado, protegidode riscos e pragas.

 

A maior erva daninha de hoje é a falta de foco. O vilão? O celular, com seus vídeos sedutores e mensagens contínuas. Eu me sento um minuto para ver algo e, de repente, vejo que se passou meia hora. A falta de foco mata qualquer planta promissora. O viajante Saint-Hilaire advertia há quase dois séculos: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. A praga do celular é pior do que a da formiga voraz. O celular come pela raiz o tempo. Reaja, antes de ficar seco como um tronco abandonado.

 

Voltando à cena do interior de São Paulo. Trazer uma espécie exótica atrai alguns riscos ao ambiente. São necessários estudos. Nem tudo é possível. A manga e a jaca adaptaram-se tanto ao Brasil que parecem ter nascido aqui. A cana-de-açúcar fez um longo trajeto da Ásia para o sul da Europa, e ilhas atlânticas, até ocupar imensos espaços no território brasileiro. Se você quiser introduzir um hábito novo na sua vida, saiba que a adaptação será deveras complicada. É necessário persistência, reflexão e bastante cautela. Criar foco, desenvolver disciplina de trabalho, conter acessos de raiva, superar preconceitos: tudo implica muito cuidado. A tentação da volta é realmente constante. O bom agricultor sabe que não existe domingo ou feriado para uma excelente safra. A natureza é generosa e exigente. Tenha esperança de equilibrar as suas virtudes naturais e boa colheita.

 

(Leandro Karnal. Reaja, antes de ficar seco como um tronco. www.estadao.com.br, 08.11.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

 

No trecho “O viajante Saint-Hilaire advertia há quase dois séculos…”, a forma verbal do vocábulo destacado foi empregada para indicar uma ação

  1. Aque ocorreu no passado mais de uma vez.
  2. Bque ocorreu no passado pontualmente.
  3. Chipotética, que poderia ter ocorrido no passado.
  4. Dno presente, dependente de outra ação no passado.
  5. Eno passado, anterior a outra que também ocorreu no passado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — que ocorreu no passado mais de uma vez.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego do pretérito imperfeito: ação habitual no passado

Gabarito: letra A. A forma verbal "advertia" está no pretérito imperfeito do indicativo, tempo que, no texto, expressa uma ação que ocorreu no passado mais de uma vez — ou seja, uma ação habitual, repetitiva, não pontual. A pista está no próprio trecho: o viajante Saint-Hilaire "advertia há quase dois séculos", e o conteúdo da advertência é citado em seguida, indicando que ele repetidamente fazia essa advertência, não uma única vez.

"O viajante Saint-Hilaire advertia há quase dois séculos: 'Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil'."

O pretérito imperfeito é o tempo da ação contínua, habitual ou repetida no passado. Diferente do pretérito perfeito ("advertiu"), que marcaria uma ação pontual, concluída — "advertiu uma vez". O imperfeito, ao contrário, sugere duração ou repetição: "advertia" = costumava advertir, advertia sempre que a ocasião pedia. É exatamente esse valor de habitualidade que a alternativa A captura.

  1. 1Perfeito: ação pontualadvertiu
  2. 2Imperfeito: ação habitualadvertia
  3. 3Mais-que-perfeito: anterior a outraadvertira
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A forma "advertia" é pretérito imperfeito do indicativo. Esse tempo verbal, no contexto, indica ação passada habitual, que se repetia. O verbo "advertir" está no singular, 3ª pessoa, e o sentido é de uma ação que se repetia no passado: Saint-Hilaire costumava advertir, não advertiu uma única vez. A alternativa A está correta porque descreve exatamente esse valor: "que ocorreu no passado mais de uma vez".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que a ação ocorreu pontualmente no passado. Isso corresponderia ao pretérito perfeito ("advertiu"), que indica ação concluída, momentânea. No texto, porém, o uso do imperfeito "advertia" afasta a pontualidade: a ação é repetida, habitual. Portanto, a B contradiz o valor do tempo verbal empregado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C fala em ação hipotética, que poderia ter ocorrido no passado. Isso é próprio do futuro do pretérito ("advertiria") ou do pretérito imperfeito do subjuntivo ("advertisse"), não do pretérito imperfeito do indicativo. O modo indicativo expressa certeza, fato, não hipótese. Logo, a C extrapola o sentido do texto, atribuindo um valor que o verbo não tem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que a ação está no presente, dependente de outra ação no passado. Isso não se sustenta: "advertia" está claramente no passado (o próprio texto diz "há quase dois séculos"). Além disso, não há relação de dependência com outra ação. A D contradiz o tempo verbal e tangencia o texto, pois não há base para essa leitura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que a ação ocorreu no passado, anterior a outra que também ocorreu no passado. Isso é próprio do pretérito mais-que-perfeito ("advertira"), que indica anterioridade a outro fato passado. No trecho, não há outra ação passada à qual "advertia" seja anterior; a ação é simplesmente habitual. Portanto, a E troca o conceito de pretérito imperfeito pelo de mais-que-perfeito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os valores dos pretéritos: perfeito (pontual), imperfeito (habitual) e mais-que-perfeito (anterior a outro). A forma "advertia" é a chave: se fosse "advertiu", seria pontual; se fosse "advertira", seria anterior. Como é "advertia", é habitual.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o tempo verbal, pergunte: a ação é pontual (perfeito), habitual (imperfeito) ou anterior a outra (mais-que-perfeito)? O contexto e os advérbios ("há quase dois séculos") ajudam a decidir.

Gabarito: letra A.

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