Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205350
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SBC
Ano
2024
Cargo
ATIP ( )
Redescobrir a leitura é preciso
A dependência das ferramentas da era digital é um fato. Os adolescentes não desgrudam do celular. Passam horas navegando na web ou absortos nos videogames. Mas não só eles. Todos, jovens e menos jovens, estamos reféns do mundo digital.
Para o norte-americano Nicholas Carr, formado em Harvard e autor de livros de tecnologia e administração, a dependência no uso da internet está empobrecendo nossa cultura, matando talentos e causando distúrbios psíquicos. Ele não fala do uso da internet, mas da compulsividade virtual.
Segundo Carr, o uso exagerado da internet está reduzindo nossa capacidade de pensar com independência e profundidade. “Você fica pulando de um site para o outro. Recebe várias mensagens ao mesmo tempo. Isso desenvolve um novo tipo de intelecto, mais adaptado a lidar com as múltiplas funções simultâneas, mas está perdendo a capacidade de se concentrar, ler atentamente ou pensar com profundidade.”
A nova geração de adolescentes tem mais acesso à informação que qualquer outra antes dela. Mas isso não se reflete em um ganho cultural. De fato, há uma perda considerável de qualidade da mão de obra. Os índices de leitura e de compreensão de texto vêm caindo intensamente. A conclusão é que, apesar do maior acesso às tecnologias, não se vê um ganho expressivo em termos de apreensão de conhecimento.
A internet é uma formidável ferramenta. Mas não deve perder o seu caráter instrumental. O excesso de internet termina em compulsão, um tipo de desvio que já começa a preocupar os especialistas em saúde mental. Usemos a internet, mas tenhamos moderação. Precisamos, todos, redescobrir o prazer e a beleza da leitura.
A literatura é o Waze que nos conduz na aventura da vida.
(Carlos Alberto Di Franco, Redescobrir a leitura é preciso. https://www.estadao.com.br, 22.01.2024. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão. O autor recorre às ideias do norte-americano Nicholas Carr para mostrar que
Aa dependência das ferramentas da era digital atinge estritamente o público adolescente da sociedade contemporânea.
Ba internet vem propiciando uma nova forma de leitura, que representa um expressivo ganho cultural aos adolescentes.
Ca quantidade de informações na internet atrai os jovens, por isso a dependência virtual é um problema de fácil resolução.
Da compulsividade virtual vem tolhendo a capacidade de concentração dos jovens modernos, que leem mais superficialmente.
Ea redução da capacidade de pensar com independência e profundidade mudou com os jovens de hoje, que são mais atentos.
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GabaritoD — a compulsividade virtual vem tolhendo a capacidade de concentração dos jovens modernos, que leem mais superficialmente.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O autor recorre a Nicholas Carr para mostrar o quê?
Gabarito: letra D. O autor recorre às ideias de Nicholas Carr para mostrar que a compulsividade virtual tolhe a capacidade de concentração dos jovens, que passam a ler de forma mais superficial. Essa é a tese central defendida por Carr e endossada pelo autor do texto, como se lê no 3º parágrafo: "o uso exagerado da internet está reduzindo nossa capacidade de pensar com independência e profundidade" e "está perdendo a capacidade de se concentrar, ler atentamente ou pensar com profundidade".
A questão é de compreensão/recorrência: o enunciado pede que se identifique a ideia que o autor endossa ao citar Carr — não uma opinião pessoal do candidato, nem uma inferência além do texto. A resposta correta é uma paráfrase fiel do que Carr afirma e o autor incorpora. Vamos ao método.
O comando e o texto
O comando "O autor recorre às ideias de Nicholas Carr para mostrar que" pede que você identifique a função argumentativa da citação: o autor traz Carr como autoridade para sustentar sua própria tese sobre os males do excesso de internet. Não se trata de resumir tudo o que Carr diz, mas de captar o núcleo da crítica que o autor compartilha.
O texto tem uma estrutura clara:
Introdução: constata a dependência digital generalizada ("Todos, jovens e menos jovens, estamos reféns do mundo digital").
Desenvolvimento: apresenta a visão de Carr — a compulsividade virtual empobrece a cultura, reduz a capacidade de concentração e de pensamento profundo.
Conclusão: defende a moderação e o redescobrimento da leitura.
A citação de Carr está no 3º parágrafo, e é ali que mora a resposta. O autor concorda com Carr e o usa para fundamentar sua argumentação.
A técnica que decide
A armadilha central desta questão é a extrapolação com um fato verdadeiro: várias alternativas contêm ideias que parecem plausíveis ou que são parcialmente verdadeiras, mas que o texto não autoriza — ou porque restringem indevidamente, ou porque invertem o sentido, ou porque acrescentam opiniões de fora.
O teste para cada alternativa é simples: o texto diz isso, ou exige que eu acrescente algo de fora? Se a alternativa depende de informação que não está no texto, ela está errada — ainda que soe razoável no mundo real.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"A dependência das ferramentas da era digital atinge estritamente o público adolescente da sociedade contemporânea."
Erro: restrição indevida (generalização). O texto afirma exatamente o contrário no 1º parágrafo:
"Mas não só eles. Todos, jovens e menos jovens, estamos reféns do mundo digital."
A palavra "estritamente" é o termo que derruba a alternativa: ela restringe a dependência apenas aos adolescentes, quando o texto diz que atinge a todos. A banca trocou o alcance real da afirmação por um recorte falso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"A internet vem propiciando uma nova forma de leitura, que representa um expressivo ganho cultural aos adolescentes."
Erro: contradiz o texto. O autor e Carr afirmam o oposto. No 4º parágrafo:
"A nova geração de adolescentes tem mais acesso à informação que qualquer outra antes dela. Mas isso não se reflete em um ganho cultural. De fato, há uma perda considerável de qualidade da mão de obra."
A alternativa inverte a conclusão do texto: em vez de ganho cultural, há perda. O conectivo "mas" já sinaliza a oposição — o acesso à informação não se converte em ganho.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"A quantidade de informações na internet atrai os jovens, por isso a dependência virtual é um problema de fácil resolução."
Erro: extrapolação + opinião embutida. O texto não diz que a dependência é de fácil resolução. Pelo contrário, o 5º parágrafo a trata como um desvio que preocupa especialistas:
"O excesso de internet termina em compulsão, um tipo de desvio que já começa a preocupar os especialistas em saúde mental."
A primeira parte ("a quantidade de informações atrai os jovens") até encontra eco no texto, mas a conclusão ("problema de fácil resolução") é uma opinião que o autor não externou — é um acréscimo do candidato. A banca embute um juízo de valor que não está no texto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"A compulsividade virtual vem tolhendo a capacidade de concentração dos jovens modernos, que leem mais superficialmente."
Esta é a paráfrase fiel do 3º parágrafo, onde o autor cita Carr:
"Segundo Carr, o uso exagerado da internet está reduzindo nossa capacidade de pensar com independência e profundidade. [...] está perdendo a capacidade de se concentrar, ler atentamente ou pensar com profundidade."
"Compulsividade virtual" = "uso exagerado da internet" / "compulsividade virtual" (termo usado no 2º parágrafo).
"Tolhendo a capacidade de concentração" = "está perdendo a capacidade de se concentrar".
"Leem mais superficialmente" = "ler atentamente" está sendo perdido — logo, a leitura se torna superficial.
Cada termo da alternativa encontra correspondência direta no texto. Não há acréscimo, não há restrição, não há inversão. É a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"A redução da capacidade de pensar com independência e profundidade mudou com os jovens de hoje, que são mais atentos."
Erro: contradiz o texto + troca de vocábulo. O texto diz que os jovens estão perdendo a capacidade de concentração e atenção; a alternativa afirma que eles são mais atentos. O 3º parágrafo é explícito:
"está perdendo a capacidade de se concentrar, ler atentamente ou pensar com profundidade."
A alternativa inverte o sentido com a troca de "perdendo" por "mais atentos". É a clássica pegadinha de trocar um vocábulo crucial que inverte a direção do argumento.
Fechamento
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife no texto os termos que a alternativa usa ("concentração", "superficial", "ganho cultural") e verifique se há correspondência literal. Se a alternativa usar palavras absolutas como "estritamente", "todos", "apenas", desconfie: quase sempre há uma restrição indevida.
A regra de ouro: a resposta correta é a que parafraseia o texto sem acrescentar, sem restringir e sem inverter. As erradas cometem exatamente esses três erros — restringem (A), invertem (B e E) e extrapolam com opinião (C). A letra D é a única que se limita a reescrever o que o texto já diz.