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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2024

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu205364
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2024
Cargo
Prof S (Piracicaba)

A pandemia foi um desastre para a educação no mundo. Para o Brasil também, mas não tão ruim quanto se esperava. A edição de 2022 do Pisa, o exame da OCDE* que mede competências de colegiais de 81 países em leitura, matemática e ciências, mostra que, em comparação a seus pares de 20 anos atrás, o desempenho dos alunos dos países ricos já era ligeiramente pior antes da pandemia e piorou com ela. O dos brasileiros era ligeiramente melhor e manteve-se estável. O País mostrou-se resiliente. Mas é uma resiliência na penúria: o Brasil segue atolado no pelotão dos 25% com pior desempenho, abaixo de muitos países em condições socioeconômicas similares.

 

Houve avanços desde a redemocratização, notadamente na universalização do ensino, mas também nos sistemas de avaliação e na governança dos recursos públicos. Desde 1988, o financiamento por aluno aumentou cinco vezes, e a taxa de conclusão do primário saltou de 33% para 80%. Mas, qualitativamente, os resultados deixam a desejar. Como resumiu um diagnóstico do Ipea: “O Brasil empenhou-se em organizar e fortalecer o ensino público, e o resultado foi este: a criança começa aprendendo em níveis razoáveis e termina o ensino médio com uma inaptidão irrazoável”. A última geração fez muito para democratizar o ensino. A atual tem o desafio de elevá-lo à excelência.

 

Não há passe de mágica. Educação ruim não é destino, e experiências de países há poucas gerações pobres e iletrados, como Coreia do Sul e Cingapura, hoje no topo do ranking, ou, mais recentemente, de países em desenvolvimento, como Peru ou Catar, ou ainda, no plano doméstico, do Ceará, no ensino fundamental, de Pernambuco, no médio, ou de vários Estados com o ensino integral, mostram ser possível avançar muito em pouco tempo, mesmo com recursos limitados.

 

Do complexo de boas práticas cotejadas pela literatura especializada, dois pilares se destacam: a priorização da educação básica e a qualificação dos professores. A docência no Brasil é desprestigiada. Os professores recebem abaixo de profissionais com seu nível de escolaridade e são recrutados entre alunos com baixo desempenho. Faculdades de pedagogia têm muita teoria e pouca prática. A formação tem sido precarizada pela proliferação indiscriminada de cursos à distância. Um funcionalismo público avesso à progressão de carreira por mérito e metas desincentiva a capacitação continuada de professores e gestores.

(O Estado de S.Paulo, 18 de dezembro de 2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão

   

Assinale a alternativa em que a expressão em destaque na frase do 2o parágrafo está substituída de acordo com a norma-padrão de regência.

 

• O Brasil empenhou-se em organizar…


  1. AO Brasil batalhou com organizar…
  2. BO Brasil dedicou-se por organizar…
  3. CO Brasil comprometeu-se a organizar…
  4. DO Brasil pleiteou em organizar…
  5. EO Brasil obrigou-se em organizar…
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — O Brasil comprometeu-se a organizar…

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal: substituição de "empenhou-se em" sem alterar o sentido

Gabarito: letra C. A única substituição que preserva a regência e o sentido do original é "O Brasil comprometeu-se a organizar…", pois o verbo comprometer-se rege a preposição a e mantém a ideia de assumir um encargo, exatamente como empenhar-se em. As demais alternativas ou usam preposição incorreta para o verbo proposto ou alteram o sentido da frase.

A questão cobra regência verbal — a relação de subordinação entre o verbo e seu complemento. No trecho do 2º parágrafo, o verbo empenhar-se exige a preposição em antes do infinitivo: "O Brasil empenhou-se em organizar…". A tarefa é encontrar, entre as opções, um verbo que, além de semanticamente equivalente, exija a preposição correta. Não basta que a frase "soe bem": é preciso que a regência esteja de acordo com a norma-padrão.

O verbo comprometer-se é pronominal e transitivo indireto, regendo a preposição a: "comprometer-se a fazer algo". Essa construção é idêntica em função à original — ambas introduzem um complemento com preposição e mantêm o sentido de "assumir o compromisso de". As outras opções falham justamente na preposição: batalhar rege por ou para (não "com"); dedicar-se rege a (não "por"); pleitear é transitivo direto (não admite "em"); obrigar-se rege a (não "em").

A pegadinha da banca está em oferecer verbos que, no uso coloquial, aparecem com preposições trocadas. O candidato desatento pode aceitar "dedicar-se por" ou "obrigar-se em" como corretos, mas a norma-padrão exige a preposição específica de cada verbo. Para resolver com segurança, teste cada alternativa substituindo o verbo na frase original e verificando se a preposição está correta e se o sentido de "empenhar-se" (dedicar esforço, comprometer-se) é mantido.

Verbo

Regência correta

Exemplo

Empenhar-se

em

empenhar-se em organizar

Comprometer-se

a

comprometer-se a organizar

Dedicar-se

a

dedicar-se a organizar

Obrigar-se

a

obrigar-se a organizar

Batalhar

por / para

batalhar por organizar

Pleitear

(transitivo direto)

pleitear a organização

Alternativa A — ❌ Incorreta

"O Brasil batalhou com organizar…" — O verbo batalhar rege a preposição por ou para (ex.: "batalhar por um objetivo"), não "com". Além disso, "batalhar com" pode sugerir luta contra algo, alterando o sentido. Erro: regência inadequada e mudança de sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O Brasil dedicou-se por organizar…" — O verbo dedicar-se rege a preposição a (ex.: "dedicar-se ao trabalho"), não "por". A preposição "por" é típica de verbos como lutar ou batalhar. Erro: regência inadequada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O Brasil comprometeu-se a organizar…" — O verbo comprometer-se rege a preposição a (ex.: "comprometer-se a cumprir"). Mantém o sentido de "assumir o encargo de", equivalente a "empenhar-se em". A regência está correta e o sentido é preservado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"O Brasil pleiteou em organizar…" — O verbo pleitear é transitivo direto, ou seja, não exige preposição (ex.: "pleitear uma vaga"). A construção "pleitear em" é incorreta. Erro: regência inadequada (verbo transitivo direto usado com preposição).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"O Brasil obrigou-se em organizar…" — O verbo obrigar-se rege a preposição a (ex.: "obrigar-se a cumprir"), não "em". A preposição "em" é típica de verbos como empenhar-se, mas não de obrigar-se. Erro: regência inadequada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre verbos que pedem preposições diferentes. "Dedicar-se" e "obrigar-se" pedem "a", não "por"/"em". O candidato que memoriza a regência de cada verbo evita o erro.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um verbo, verifique a preposição exigida por ele e teste a frase mentalmente. Se a preposição não for a correta, a alternativa está errada, mesmo que o sentido pareça próximo.

Gabarito: letra C — a única que respeita a regência do verbo comprometer-se (preposição a) e mantém o sentido de "empenhar-se em".

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