Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205367
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2024
Cargo
Prof S (Piracicaba)
A educação pós-moderna é a da era dos computadores, da internet, dos recursos multimídia. Embora ela tenha trazido vantagens visíveis, são gritantes as suas falhas.
Toda vacina expõe o corpo a antígenos que, muitas vezes, é um vírus atenuado. O objetivo é que o corpo receba um choque metabólico para produzir anticorpos, para que um dia, quando a pessoa for infectada com um vírus ativo, possa combatê-lo.
Aqui há um princípio psicológico e pedagógico. Muitos pais não sabem como ajudar seus filhos a construir “anticorpos” contra as intempéries da vida. Muitos querem poupar seus filhos dos riscos sociais e existenciais, criam-nos numa bolha artificial.
Claro que os computadores e a internet podem ser úteis para o desenvolvimento de algumas áreas da inteligência. Mas um computador não critica, não rejeita, não pressiona, não provoca ansiedade ou frustrações existenciais, finalmente, não estimula o sistema “autoimune” da psique.
É preciso ensinar aos jovens que a vida é um contrato de risco, levá-los a compreender que há um mundo lá fora diferente do espaço controlado da sala de aula, da sala de casa e do ambiente da internet.
(Augusto Cury. Maria, a maior educadora da história. Editora Planeta do Brasil Ltda, 2014. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão Ao comparar a educação de filhos com o modo como a vacina funciona no corpo, fazendo referência ao princípio psicológico e pedagógico, o objetivo do autor é demonstrar que
Aos pais protegem os filhos dos riscos psicológicos e existenciais que o mundo apresenta, colocando-os numa redoma.
Ba escola tem o papel pedagógico de ser a organizadora da vida das crianças, fazendo com que seus organismos criem anticorpos para algumas doenças virais.
Co computador traz benefícios para o desenvolvimento de todas as áreas da inteligência, embora produza também ansiedade nas crianças.
Das crianças estarão se imunizando dos malefícios que a internet e a multimídia trouxeram, se sofrerem críticas, rejeição e pressão.
Eas oportunidades de construir mecanismos pessoais para enfrentar as dificuldades que surgem na vida estão na infância.
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GabaritoE — as oportunidades de construir mecanismos pessoais para enfrentar as dificuldades que surgem na vida estão na infância.
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Objetivo do autor: a metáfora da vacina na educação
Gabarito: letra E. Ao comparar a educação de filhos com o funcionamento da vacina, o autor quer demonstrar que as oportunidades de construir mecanismos pessoais para enfrentar as dificuldades da vida estão na infância. Essa é a única alternativa que capta o núcleo da analogia: assim como a vacina expõe o corpo a um antígeno para que ele produza anticorpos, a educação deve expor a criança a desafios para que ela desenvolva seus próprios mecanismos de enfrentamento. A passagem que ancora essa leitura está no 3º parágrafo, quando o autor fala em ajudar os filhos a construir "anticorpos" contra as intempéries da vida.
O comando pede que se identifique o objetivo do autor ao usar a comparação — ou seja, a intenção argumentativa por trás da metáfora. Não se trata de localizar uma informação explícita, mas de inferir a finalidade da analogia a partir das pistas textuais. A resposta não está dita literalmente; ela se constrói pela relação entre a explicação do mecanismo da vacina (2º parágrafo) e a aplicação pedagógica (3º parágrafo).
O texto parte de uma crítica à educação pós-moderna (1º parágrafo), explica como a vacina funciona (2º parágrafo) e, então, estabelece o paralelo: muitos pais criam os filhos numa "bolha artificial", poupando-os dos riscos, quando deveriam ajudá-los a construir "anticorpos" contra as intempéries da vida (3º parágrafo). O autor reforça que o computador não estimula o "sistema autoimune" da psique (4º parágrafo) e conclui que é preciso ensinar aos jovens que a vida é um contrato de risco (5º parágrafo).
A técnica que decide a questão é não extrapolar: a alternativa correta deve permanecer exatamente no que o texto autoriza. A letra E fala em "oportunidades de construir mecanismos pessoais para enfrentar as dificuldades" — isso é uma paráfrase direta de "construir 'anticorpos' contra as intempéries da vida". As demais alternativas ou restringem indevidamente o alcance do texto, ou acrescentam informações que não estão nele, ou contradizem o que o autor afirma.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação — oferece alternativas que parecem plausíveis, mas que vão além do que o texto diz (como a letra D, que transforma a crítica do autor em uma receita de imunização contra a internet).
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os pais protegem os filhos dos riscos, colocando-os numa redoma. O texto realmente menciona a "bolha artificial" e os pais que querem poupar os filhos dos riscos, mas o objetivo do autor ao usar a comparação não é descrever essa proteção — é criticá-la e mostrar que ela impede a construção de anticorpos. A alternativa tangencia o texto: cita um elemento real (a bolha), mas erra a finalidade da analogia, que é demonstrar a necessidade de exposição aos riscos, não a proteção contra eles.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa atribui à escola o papel de "organizadora da vida das crianças" e fala em criar anticorpos para "doenças virais". O texto não menciona a escola como organizadora da vida, nem fala em doenças virais no sentido literal — a vacina é usada como metáfora para a educação emocional. A alternativa extrapola ao introduzir a escola como agente central e ao literalizar a metáfora, transformando-a em algo que o texto não afirma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa diz que o computador traz benefícios para "todas as áreas da inteligência". O texto afirma o contrário: "Claro que os computadores e a internet podem ser úteis para o desenvolvimento de algumas áreas da inteligência" — a palavra "algumas" restringe o alcance. A alternativa restringe indevidamente ao trocar "algumas" por "todas", generalizando o que o texto limita. Além disso, o objetivo da comparação com a vacina não é discutir os benefícios do computador.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as crianças estarão se imunizando dos malefícios da internet se sofrerem críticas, rejeição e pressão. O texto menciona que o computador "não critica, não rejeita, não pressiona", mas isso serve para mostrar que ele não estimula o sistema autoimune da psique — não para afirmar que sofrer essas coisas imuniza contra a internet. A alternativa extrapola ao transformar uma constatação sobre o que o computador não faz em uma receita de imunização. O autor não diz que críticas e rejeição imunizam contra a internet; ele diz que elas são necessárias para desenvolver mecanismos de enfrentamento da vida.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa é a única que capta o objetivo central da analogia. O autor compara a vacina à educação para mostrar que, assim como o corpo precisa ser exposto a antígenos para produzir anticorpos, a criança precisa ser exposta a desafios para construir seus próprios mecanismos de enfrentamento. O texto afirma:
"Muitos pais não sabem como ajudar seus filhos a construir 'anticorpos' contra as intempéries da vida."
E conclui:
"É preciso ensinar aos jovens que a vida é um contrato de risco."
A expressão "mecanismos pessoais para enfrentar as dificuldades" é uma paráfrase de "anticorpos contra as intempéries da vida", e a ideia de que essas oportunidades estão na infância está implícita no fato de o autor falar em "filhos" e "jovens" — ou seja, no período de formação. A alternativa não extrapola: permanece exatamente no que o texto autoriza.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o objetivo de uma comparação, pergunte-se: "o que o autor quer provar com essa analogia?" A resposta está na aplicação que ele faz da metáfora, não na metáfora em si. Grife o trecho em que o autor explica o paralelo — é ali que mora a resposta.
Gabarito: letra E. A questão ensina que, em interpretação, a resposta correta é a que permanece fiel ao texto, sem acrescentar nem restringir. Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige que eu traga algo de fora?"