A educação pós-moderna é a da era dos computadores, da internet, dos recursos multimídia. Embora ela tenha trazido vantagens visíveis, são gritantes as suas falhas.
Toda vacina expõe o corpo a antígenos que, muitas vezes, é um vírus atenuado. O objetivo é que o corpo receba um choque metabólico para produzir anticorpos, para que um dia, quando a pessoa for infectada com um vírus ativo, possa combatê-lo.
Aqui há um princípio psicológico e pedagógico. Muitos pais não sabem como ajudar seus filhos a construir “anticorpos” contra as intempéries da vida. Muitos querem poupar seus filhos dos riscos sociais e existenciais, criam-nos numa bolha artificial.
Claro que os computadores e a internet podem ser úteis para o desenvolvimento de algumas áreas da inteligência. Mas um computador não critica, não rejeita, não pressiona, não provoca ansiedade ou frustrações existenciais, finalmente, não estimula o sistema “autoimune” da psique.
É preciso ensinar aos jovens que a vida é um contrato de risco, levá-los a compreender que há um mundo lá fora diferente do espaço controlado da sala de aula, da sala de casa e do ambiente da internet.
(Augusto Cury. Maria, a maior educadora da história. Editora Planeta do Brasil Ltda, 2014. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão Nas frases modificadas do texto, o sinal indicativo de crase está empregado de acordo com a norma-padrão na alternativa:
A… levá-los à compreensão de que há um mundo lá fora…
BToda vacina expõe o corpo à antígeno…
C… quando a pessoa for infectada com um vírus ativo, passe à combatê-lo.
D… um computador não se presta à críticas…
E… a vida se compara à um contrato de risco.
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GabaritoA — … levá-los à compreensão de que há um mundo lá fora…
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Crase em reescrituras: a fusão da preposição com o artigo
Gabarito: letra A. A única reescritura em que o acento grave é legítimo é "levá-los à compreensão": o verbo "levar" exige a preposição a (levar alguém a algo) e o substantivo feminino "compreensão" admite o artigo a — logo, a + a = à. Nas demais, o "à" aparece onde não há artigo feminino (antes de masculino, verbo ou pronome indefinido), o que torna o acento grave um erro de norma-padrão.
O comando
A questão pede que você identifique, entre reescrituras de trechos do texto, aquela em que a crase está de acordo com a norma-padrão. Isso não é interpretação de texto: é uma questão de gramática aplicada — você precisa testar cada reescritura com a regra de ouro da crase: só há crase quando há fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" de pronomes demonstrativos/relativos).
A regra que decide
A crase é a fusão de duas vogais idênticas: a preposição a + o artigo a. Para saber se há crase, faça o teste: troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o" ou "a" sem preposição, não há.
"levar à compreensão" → levar a + a compreensão → "levar ao entendimento" (masculino) → aparece ao → crase correta.
"expõe o corpo à antígeno" → "antígeno" é masculino → não há artigo feminino → crase proibida.
"passe à combatê-lo" → "combatê-lo" é verbo → antes de verbo, crase é proibida.
"não se presta à críticas" → "críticas" está no plural, mas sem artigo definido "as" (apenas preposição) → crase proibida.
"se compara à um contrato" → "um" é artigo indefinido masculino → crase proibida.
Análise das alternativas
Teste
Reescritura
Termo seguinte
Crase?
A
levar à compreensão
substantivo feminino
✅ Correta
B
expõe o corpo à antígeno
substantivo masculino
❌ Proibida
C
passe à combatê-lo
verbo
❌ Proibida
D
presta à críticas
plural sem artigo
❌ Proibida
E
compara à um contrato
artigo indefinido masculino
❌ Proibida
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A reescritura "levá-los à compreensão de que há um mundo lá fora" está correta. O verbo "levar" rege a preposição a (levar alguém a algo), e o substantivo feminino "compreensão" admite o artigo a. A fusão a + a = à é legítima. Confirme com o teste do masculino: "levá-los ao entendimento" — aparece ao, logo há crase.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Toda vacina expõe o corpo à antígeno" — "antígeno" é palavra masculina. Não há artigo feminino "a" para fundir com a preposição. O correto seria "expõe o corpo a antígeno" (sem crase). A banca tenta atrair quem decora "expõe a" sem verificar o gênero do termo seguinte.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"passe à combatê-lo" — "combatê-lo" é um verbo no infinitivo. Antes de verbo, a crase é proibida. O correto é "passe a combatê-lo". A pegadinha aqui é o "a" de movimento (ir a algum lugar) que não se funde com artigo, pois não há substantivo feminino.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"um computador não se presta à críticas" — "críticas" está no plural, mas sem o artigo definido "as". Apenas a preposição "a" é exigida pelo verbo "prestar-se a". Sem artigo, não há fusão. O correto é "não se presta a críticas". A banca explora a confusão entre plural com artigo e plural genérico sem artigo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"a vida se compara à um contrato de risco" — "um" é artigo indefinido masculino. Não há artigo feminino "a" para fundir. O correto é "se compara a um contrato". A pegadinha é o verbo "comparar-se a", que pede preposição, mas o termo seguinte é masculino, então não há crase.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a regra de ouro da crase: só há crase quando há preposição "a" + artigo feminino "a". Em todas as incorretas, falta o artigo feminino (masculino, verbo, plural sem artigo, indefinido).
PEGA ESSA DICA!
Antes de marcar, faça o teste do masculino: troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer "o" ou "a" sem preposição, não há.
Gabarito: letra A — a única em que a fusão preposição + artigo feminino é legítima.