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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu205371
Banca
VUNESP
Órgão
APS
Ano
2024
Cargo
Enf Trab ( )

Com tanta coisa acontecendo no mundo, deve ser moleza arranjar assunto fresquinho para escrever. Foi o que me disseram outro dia, e me flagrei pensando: quem dera.

 

Recebemos uma overdose de informação, mas isso não significa que os acontecimentos sejam surpreendentes a ponto de fazer a festa dos colunistas. É leite tirado de pedra diariamente. Como ser original quando tudo se repete e repete e repete?

 

O Brasil inteiro está comentando a lista de convocados pelo técnico, uns o criticando, outros o absolvendo, e daqui a pouco uma nova Copa começará em que a nossa seleção terá boa chance de vencer, e alguma de perder. Já não passamos por isso antes, igualzinho?

 

Questões envolvendo a extradição de um criminoso, ataques sangrentos em alguns países, crise nas Bolsas de Valores, barreiras comerciais afetando a relação entre países, alerta para chuva forte, violência nas estradas. Mais do mesmo.

 

Atos insanos surgem aqui e ali, nos escandalizando por alguns dias, fazendo com que discutamos sobre mentes doentias e a necessidade que tantos têm de espetacularizar a própria história, e então, passado o susto, viramos a página.

 

Crises econômicas, conflitos religiosos, garotos matando colegas de aula, casamentos e separações de celebridades, denúncias de corrupção, tendências da moda outono-inverno, últimos capítulos de novela. O que ainda suspende a nossa respiração? O que é que ainda falta dizer? O que ainda nos deixa perplexos? Como ofertar um pouco de originalidade ao leitor? Que pretensão.

 

É só um desabafo: hoje os absurdos se sucedem em escala industrial e os fatos novos são como mariposas, nascem e morrem no mesmo dia. Por essas e outras, persevero no trivial, que, contrariando sua natureza, passou a ser o inusitado da vida.

 

(Martha Medeiros, Feliz por nada. Adaptado)

Assinale a alternativa em que se expressa adequadamente, nos parênteses, o sentido próprio da frase no contexto.
  1. A… assunto fresquinho… (tema de pouca densidade…)
  2. B… quem dera. – (tomara que assim fosse.)
  3. CÉ leite tirado de pedra… (É trabalho braçal…)
  4. D… viramos a página. (Mudamos de interpretação.)
  5. EQue pretensão. (É muita vontade.)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — … quem dera. – (tomara que assim fosse.)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido próprio e figurado: a armadilha da banca

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que a expressão entre parênteses — "tomara que assim fosse" — traduz fielmente o sentido próprio (denotativo) da frase "quem dera" no contexto. O texto diz: "Foi o que me disseram outro dia, e me flagrei pensando: quem dera." Aqui, "quem dera" é uma interjeição que expressa desejo irrealizado — a autora gostaria que fosse fácil arranjar assunto, mas sabe que não é. "Tomara que assim fosse" é exatamente isso: um desejo de que a situação (ser moleza) fosse verdadeira. As demais alternativas ou trocam o sentido por uma interpretação figurada (A, C, D) ou acrescentam uma ideia que não está no texto (E).

O comando: o que a banca pede

O enunciado pede que você assinale a alternativa em que se expressa adequadamente, nos parênteses, o sentido próprio da frase no contexto. Isso significa: a paráfrase entre parênteses deve corresponder ao sentido literal, dicionarizado da expressão destacada, tal como empregada no texto. Não se trata de interpretar o sentido figurado (conotativo), mas de reconhecer o sentido próprio — aquele que a expressão tem em si, mesmo dentro do contexto. A banca mistura expressões que, no texto, são usadas em sentido figurado (metáforas, expressões idiomáticas) e pede que você identifique qual paráfrase capta o sentido próprio — ou seja, o sentido que a expressão tem literalmente, não o que ela sugere metaforicamente.

O texto: tema e movimento argumentativo

O texto de Martha Medeiros é um desabafo sobre a dificuldade de ser original em um mundo saturado de informações repetidas. A autora ironiza a ideia de que "deve ser moleza arranjar assunto fresquinho" e, em seguida, lista uma série de fatos que se repetem (Copa, crises, violência), concluindo que "os fatos novos são como mariposas, nascem e morrem no mesmo dia". A tese central é a dificuldade de produzir algo original diante da repetição. As expressões destacadas nas alternativas aparecem nesse contexto, e a questão pede que você reconheça o sentido próprio de cada uma — não o sentido figurado que elas adquirem no texto.

A técnica: denotação × conotação

A distinção central é entre denotação (sentido literal, próprio, dicionarizado) e conotação (sentido figurado, contextual, metafórico). Veja:

Expressão

Sentido próprio (denotativo)

Sentido figurado no texto (conotativo)

"assunto fresquinho"

assunto recém-produzido, novo

assunto atual, interessante (mas o texto ironiza)

"quem dera"

expressão de desejo irrealizado

desejo de que fosse fácil (contexto)

"leite tirado de pedra"

extrair leite de pedra (impossível)

algo muito difícil de obter

"viramos a página"

virar a página de um livro

superar, esquecer um assunto

"Que pretensão"

que ato de pretender, ambição

ironia: que pretensão a minha de querer ser original

A banca explora exatamente essa confusão: as alternativas A, C e D oferecem paráfrases que captam o sentido figurado (conotativo) das expressões, mas o enunciado pede o sentido próprio (denotativo). A única que mantém o sentido próprio é a B, pois "quem dera" é uma expressão cristalizada que significa "tomara", "oxalá", "queira Deus" — e "tomara que assim fosse" é uma paráfrase literal desse desejo.

Análise das alternativas

Sentido próprio (denotativo)
  • 1Expressão cristalizada
    • "quem dera" = tomara
    • "oxalá", "queira Deus"
  • 2Paráfrase literal
    • Preserva o sentido
    • Sem metáfora
  • 3Sentido figurado (conotativo)
    • Metáfora ou expressão idiomática
      • "leite de pedra" = difícil
      • "virar a página" = superar
    • Paráfrase figurada
      • Troca o sentido
      • Errada no comando
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"assunto fresquinho" — (tema de pouca densidade)

Erro: troca de sentido (figurado por próprio). No texto, "assunto fresquinho" é usado em sentido figurado: significa "assunto novo, atual, recém-chegado" — não "tema de pouca densidade". A paráfrase "tema de pouca densidade" atribui um sentido que não está no texto: o texto não fala de densidade, mas de novidade. Além disso, "fresquinho" no contexto tem conotação de "recente", não de "superficial". A alternativa extrapola ao acrescentar a ideia de "pouca densidade", que não é autorizada pelo texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"quem dera." — (tomara que assim fosse.)

Correta. "Quem dera" é uma expressão fixa que expressa desejo irrealizado — equivale a "tomara", "oxalá", "queira Deus". No contexto, a autora diz que "deve ser moleza arranjar assunto fresquinho" e, em seguida, "quem dera" — ou seja, ela deseja que fosse assim, mas sabe que não é. "Tomara que assim fosse" é uma paráfrase literal desse desejo: "tomara" também expressa desejo, e "que assim fosse" retoma a ideia de que a situação (ser moleza) fosse verdadeira. A paráfrase preserva o sentido próprio da expressão, sem recorrer a metáforas ou acréscimos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"É leite tirado de pedra…" — (É trabalho braçal…)

Erro: troca de sentido (figurado por próprio). A expressão "tirar leite de pedra" é uma metáfora que significa "conseguir algo muito difícil, quase impossível". No texto, a autora usa para dizer que é difícil ser original: "É leite tirado de pedra diariamente." A paráfrase "É trabalho braçal" capta a ideia de esforço físico, mas não o sentido de impossibilidade ou dificuldade extrema que a expressão carrega. Além disso, "trabalho braçal" é um sentido figurado (conotativo) — não o sentido próprio de "tirar leite de pedra", que é literalmente impossível. A alternativa restringe o sentido ao trocar a ideia de impossibilidade por mero esforço.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"… viramos a página." — (Mudamos de interpretação.)

Erro: troca de sentido (figurado por próprio). "Virar a página" é uma expressão idiomática que significa "superar, esquecer, deixar para trás". No texto: "passado o susto, viramos a página" — ou seja, depois do susto, esquecemos o assunto. A paráfrase "Mudamos de interpretação" não corresponde a esse sentido: mudar de interpretação seria reinterpretar o fato, não esquecê-lo. A alternativa contradiz o sentido da expressão, pois "virar a página" implica encerrar o assunto, não reinterpretá-lo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Que pretensão." — (É muita vontade.)

Erro: extrapolação. No texto, "Que pretensão" é uma ironia: a autora diz que é uma pretensão querer ser original ("Como ofertar um pouco de originalidade ao leitor? Que pretensão."). A paráfrase "É muita vontade" não capta a ironia nem o sentido de pretensão (ambição desmedida, presunção). "Vontade" é desejo, mas "pretensão" no contexto é presunção — a autora se critica por achar que pode ser original. A alternativa extrapola ao trocar o sentido de pretensão por mera vontade, ignorando a ironia.

Fechamento

A regra de ouro: quando a banca pedir "sentido próprio", procure a paráfrase que mantém o sentido literal da expressão, sem recorrer a metáforas ou acréscimos. Desconfie de alternativas que oferecem paráfrases figuradas (como "trabalho braçal" ou "mudamos de interpretação") — elas captam o sentido conotativo, não o denotativo. A única que preserva o sentido próprio é a letra B.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "sentido próprio" = denotativo. Se a paráfrase usa outra metáfora ou expressão idiomática, ela está no campo da conotação — e, portanto, errada.

Gabarito: letra B

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