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Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2024

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu205373
Banca
VUNESP
Órgão
APS
Ano
2024
Cargo
Enf Trab ( )

Com tanta coisa acontecendo no mundo, deve ser moleza arranjar assunto fresquinho para escrever. Foi o que me disseram outro dia, e me flagrei pensando: quem dera.

 

Recebemos uma overdose de informação, mas isso não significa que os acontecimentos sejam surpreendentes a ponto de fazer a festa dos colunistas. É leite tirado de pedra diariamente. Como ser original quando tudo se repete e repete e repete?

 

O Brasil inteiro está comentando a lista de convocados pelo técnico, uns o criticando, outros o absolvendo, e daqui a pouco uma nova Copa começará em que a nossa seleção terá boa chance de vencer, e alguma de perder. Já não passamos por isso antes, igualzinho?

 

Questões envolvendo a extradição de um criminoso, ataques sangrentos em alguns países, crise nas Bolsas de Valores, barreiras comerciais afetando a relação entre países, alerta para chuva forte, violência nas estradas. Mais do mesmo.

 

Atos insanos surgem aqui e ali, nos escandalizando por alguns dias, fazendo com que discutamos sobre mentes doentias e a necessidade que tantos têm de espetacularizar a própria história, e então, passado o susto, viramos a página.

 

Crises econômicas, conflitos religiosos, garotos matando colegas de aula, casamentos e separações de celebridades, denúncias de corrupção, tendências da moda outono-inverno, últimos capítulos de novela. O que ainda suspende a nossa respiração? O que é que ainda falta dizer? O que ainda nos deixa perplexos? Como ofertar um pouco de originalidade ao leitor? Que pretensão.

 

É só um desabafo: hoje os absurdos se sucedem em escala industrial e os fatos novos são como mariposas, nascem e morrem no mesmo dia. Por essas e outras, persevero no trivial, que, contrariando sua natureza, passou a ser o inusitado da vida.

 

(Martha Medeiros, Feliz por nada. Adaptado)

A alternativa em que, de acordo com a norma-padrão, o pronome destacado só pode ser colocado na posição em que se encontra na frase é:
  1. A… disseram outro dia, e me flagrei pensando: quem dera.
  2. B… uns o criticando, outros o absolvendo…
  3. CAtos insanos surgem aqui e ali, nos escandalizando por alguns dias…
  4. DO que ainda nos deixa perplexos?
  5. E… hoje os absurdos se sucedem em escala industrial…
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GabaritoD — O que ainda nos deixa perplexos?

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: próclise obrigatória após pronome interrogativo

Gabarito: letra D. A questão pede a frase em que o pronome oblíquo átono só pode ficar na posição em que está — ou seja, em que a colocação é obrigatória, não facultativa. Na alternativa D, "O que ainda nos deixa perplexos?", o pronome "nos" está em próclise obrigatória porque é atraído pelo pronome interrogativo "que", conforme a regra clássica de colocação pronominal. Nas demais alternativas, a posição do pronome é facultativa (pode haver ênclise ou próclise, dependendo do contexto), o que as torna incorretas para o que o enunciado pede.

O comando: o que a banca quer

O verbo do enunciado é "só pode ser colocado". Isso muda tudo: não basta a frase estar correta — é preciso que a posição do pronome seja a única possível segundo a norma-padrão. A banca não pergunta "qual está correta?", mas "qual é obrigatória?". Essa distinção é crucial: várias frases podem estar gramaticalmente aceitáveis, mas apenas uma tem o pronome em posição fixa.

A regra que decide: próclise obrigatória

A próclise (pronome antes do verbo) é obrigatória quando há certas palavras atrativas antes do verbo. Entre elas, estão os pronomes interrogativos (que, quem, qual, quanto) e os pronomes relativos. Veja o trecho da alternativa D:

"O que ainda nos deixa perplexos?"

Aqui, "que" é um pronome interrogativo (inicia uma pergunta direta). A presença dele obriga o pronome "nos" a vir antes do verbo "deixa". Não há outra posição aceitável: "O que ainda deixa-nos perplexos?" seria inaceitável na norma-padrão. Portanto, a posição é única — exatamente o que o enunciado pede.

Por que as outras alternativas são facultativas

Nas demais alternativas, o pronome está em posição que poderia ser alterada sem ferir a norma-padrão. Vejamos cada uma:

  • A) "...e me flagrei pensando" — o pronome "me" está após a conjunção "e". A conjunção coordenativa "e" não atrai próclise obrigatória. Poderia ser "...e flagrei-me pensando" (ênclise), igualmente correto. Logo, a posição é facultativa.

  • B) "...uns o criticando, outros o absolvendo" — aqui, "o" está antes do gerúndio "criticando"/"absolvendo". Com gerúndio, a próclise é facultativa (a menos que haja palavra atrativa, o que não ocorre). Poderia ser "...uns criticando-o, outros absolvendo-o". Portanto, facultativa.

  • C) "Atos insanos surgem aqui e ali, nos escandalizando" — novamente gerúndio. A próclise é facultativa; "escandalizando-nos" também seria aceitável. Facultativa.

  • E) "...hoje os absurdos se sucedem" — o advérbio "hoje" atrai próclise, mas não obrigatoriamente; a ênclise "sucedem-se" também é aceita (embora menos comum). Portanto, facultativa.

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre posição possível e posição obrigatória. Todas as frases estão corretas, mas apenas uma tem o pronome em posição fixa. O candidato desatento marca qualquer uma que "soe bem", sem verificar se a posição é única.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece frases em que a próclise é possível, mas não exclusiva. A única com próclise obrigatória é a que tem pronome interrogativo antes do verbo.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "só pode" no enunciado, procure a palavra atrativa que obriga a próclise: pronomes interrogativos, relativos, indefinidos, conjunções subordinativas, advérbios (em alguns casos), palavras negativas. Se houver palavra atrativa, a próclise é obrigatória; se não, é facultativa.

Análise das alternativas

Próclise obrigatória
  • 1Palavras atrativas
    • Pronomes interrogativos (que, quem, qual)
    • Pronomes relativos
    • Palavras negativas
    • Conjunções subordinativas
  • 2Exemplo
    • "O que nos deixa perplexos?"
  • 3Próclise facultativa
    • Conjunção coordenativa "e"
      • "me flagrei" / "flagrei-me"
    • Gerúndio
      • "o criticando" / "criticando-o"
    • Advérbio
      • "se sucedem" / "sucedem-se"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"...disseram outro dia, e me flagrei pensando: quem dera."

O pronome "me" está após a conjunção coordenativa "e". Essa conjunção não atrai próclise obrigatória. A forma "flagrei-me" também é correta. Portanto, a posição é facultativa — não atende ao requisito de "só pode".

Alternativa B — ❌ Incorreta

"...uns o criticando, outros o absolvendo..."

O pronome "o" está antes do gerúndio. Com gerúndio, a próclise é facultativa (salvo palavra atrativa, que não há). "Criticando-o" e "absolvendo-o" são igualmente corretos. Logo, facultativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Atos insanos surgem aqui e ali, nos escandalizando por alguns dias..."

Novamente gerúndio. A próclise é facultativa; "escandalizando-nos" também é aceitável. Facultativa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O que ainda nos deixa perplexos?"

O pronome interrogativo "que" obriga a próclise. Não se pode escrever "O que ainda deixa-nos perplexos?". A posição é única — exatamente o que o enunciado pede.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"...hoje os absurdos se sucedem em escala industrial..."

O advérbio "hoje" atrai próclise, mas não obrigatoriamente. A ênclise "sucedem-se" também é aceita (embora menos comum). Portanto, facultativa.

Conclusão

A única alternativa em que o pronome só pode ficar na posição em que está é a D, devido à próclise obrigatória após pronome interrogativo. Nas demais, a posição é facultativa. Lembre-se: "só pode" = posição fixa; procure a palavra atrativa que a determina.

Gabarito: letra D

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