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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205376
Banca
VUNESP
Órgão
APS
Ano
2024
Cargo
Enf Trab ( )

O mundo bizarro dos influencers

 

Apesar de deplorar uma cultura em que o fenômeno do influencer pode alçar nulidades à fama e à fortuna, tento controlar meu desdém. Afinal, controlar os gostos e os interesses de muitos milhões de pessoas ao mesmo tempo sem saber nada sobre elas individualmente nem sobre as circunstâncias de suas vidas é muita arrogância.

 

Com base em que, então, eu condeno o fenômeno da cultura influencer? Tenho alguma razão para fazer isso além de um gosto pessoal visceral?

 

Talvez a existência de influenciadores de sucesso distorça e corrompa as ambições dos jovens. Isso desvia as pessoas de sonhos alcançáveis e úteis para sonhos de fama e riqueza fáceis, mas muito improváveis. Diz-se que para cada influenciador bem-sucedido existe um número desconhecido de pessoas tentando se tornar influenciadoras. Suas vidas são desperdiçadas na busca dessa utopia.

 

Fica a sensação de que existe diferença entre aqueles que fracassam em ambições dignas e aqueles que buscam a fama como influenciadores. Não é fácil decifrar o talento necessário para tentar ser um influenciador, além de um quê de descaramento e exibicionismo, o que, em todo caso, são características, não talentos. As reais habilidades necessárias para influenciadores de sucesso, retirados da obscuridade e alçados à fama, parecem ser modestas, para dizer o mínimo.

 

(Theodore Dalrymple. Revista Oeste, ed. de 27.01.2023. Adaptado)

A afirmação do texto com a qual o autor busca minimizar sua contundência na crítica à cultura influencer é:

  1. A… tento controlar meu desdém.
  2. B… um gosto pessoal visceral?
  3. CSuas vidas são desperdiçadas…
  4. D… um quê de descaramento e exibicionismo…
  5. E… para dizer o mínimo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — … tento controlar meu desdém.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A afirmação que suaviza a crítica à cultura influencer

Gabarito: letra A. A alternativa A — "… tento controlar meu desdém" — é a única que expressa uma contenção deliberada da própria crítica, ou seja, um esforço do autor para minimizar a contundência de seu ataque à cultura influencer. Isso se prova no primeiro parágrafo, quando o autor declara: "Apesar de deplorar uma cultura em que o fenômeno do influencer pode alçar nulidades à fama e à fortuna, tento controlar meu desdém." O verbo "tento" + o substantivo "controlar" revelam um freio intencional ao julgamento negativo, exatamente o que o enunciado pede.

O comando: o que a banca quer

A questão pede a afirmação com a qual o autor busca minimizar sua contundência — ou seja, o trecho em que ele ameniza, suaviza, modera o próprio ataque. Não se trata de localizar a crítica mais forte, nem a mais irônica, mas sim o momento em que o autor recua ou pondera diante da própria severidade. É uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, em forma de paráfrase do que o autor faz.

O texto: onde mora a resposta

O texto é um artigo de opinião em que o autor critica duramente a cultura influencer — chama os influenciadores de "nulidades", diz que "distorcem e corrompem as ambições dos jovens" e que "suas vidas são desperdiçadas". No entanto, logo no primeiro parágrafo, ele introduz uma ressalva:

"Apesar de deplorar uma cultura em que o fenômeno do influencer pode alçar nulidades à fama e à fortuna, tento controlar meu desdém."

A conjunção "apesar de" já sinaliza a oposição: mesmo deplorando, ele tenta controlar o desdém. O verbo "tento" indica esforço, e "controlar" indica moderação. É exatamente o gesto de minimizar a contundência — ele reconhece a própria aversão, mas se esforça para não deixá-la dominar o discurso. As demais alternativas são trechos em que a crítica aparece em sua forma plena, sem qualquer atenuação.

A técnica: como testar cada alternativa

A pergunta decisiva para cada alternativa é: este trecho atenua a crítica ou a intensifica? Se o trecho reforça o ataque, ele não pode ser a resposta. Se o trecho pondera, recua ou modera, ele é candidato. A única que faz isso é a letra A, pois "tento controlar meu desdém" é um ato de moderação explícito — o autor não diz "não critico", mas sim "controlo minha crítica", o que é diferente de abandoná-la.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Apesar de deplorar uma cultura em que o fenômeno do influencer pode alçar nulidades à fama e à fortuna, tento controlar meu desdém."

O trecho é a única passagem em que o autor modera o próprio discurso. O verbo "tento" + "controlar" expressa um esforço consciente de conter o desdém que ele sente. É a resposta exata ao que o enunciado pede: a afirmação com a qual o autor busca minimizar sua contundência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Tenho alguma razão para fazer isso além de um gosto pessoal visceral?"

Este trecho é uma pergunta retórica que o autor faz a si mesmo, questionando se sua crítica tem fundamento além do gosto pessoal. Embora demonstre autocrítica, ele não minimiza a contundência — pelo contrário, ele reafirma a existência do "gosto pessoal visceral", ou seja, da aversão intensa. A pergunta não suaviza o ataque; ela o problematiza, mas sem conter a força da crítica. Erro: tangencia o sentido — confunde "questionar a própria crítica" com "minimizar a crítica".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Suas vidas são desperdiçadas na busca dessa utopia."

Este trecho é uma das críticas mais duras do texto. Dizer que as vidas são "desperdiçadas" é um julgamento severo e condenatório — não há nenhuma atenuação. Pelo contrário, a afirmação intensifica a contundência da crítica, pois classifica a busca pela fama como algo que destrói vidas. Erro: contradiz o comando — em vez de minimizar, maximiza o ataque.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"… um quê de descaramento e exibicionismo…"

Este trecho também é crítico: atribui aos influenciadores características negativas como "descaramento" e "exibicionismo". Embora o autor reconheça que são "características, não talentos", a passagem reforça a visão negativa — não há moderação. O autor está qualificando negativamente o fenômeno, não suavizando sua crítica. Erro: contradiz o comando — é mais um elemento de ataque, não de atenuação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"… para dizer o mínimo."

Esta expressão é uma ironia que, na verdade, intensifica a crítica. Quando o autor diz que as habilidades dos influenciadores "parecem ser modestas, para dizer o mínimo", ele está sugerindo que são ainda piores do que ele afirma. A expressão "para dizer o mínimo" é um recurso irônico que reforça o ataque, não o minimiza. Erro: contradiz o comando — a ironia amplia a contundência em vez de reduzi-la.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "questionar a própria crítica" (letra B) e "minimizar a crítica" (letra A). A pergunta retórica de B parece ponderada, mas não contém o ataque — apenas o problematiza. Já "tento controlar meu desdém" é um ato explícito de moderação.

PEGA ESSA DICA!

Ao procurar a afirmação que "minimiza a contundência", pergunte: o autor está contendo o ataque ou o reforçando? Trechos com ironia ("para dizer o mínimo") ou julgamentos duros ("vidas desperdiçadas") intensificam; trechos com verbos de esforço ("tento controlar") moderam.

Gabarito: letra A — a única passagem em que o autor modera deliberadamente sua crítica, em vez de reforçá-la ou questioná-la.

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