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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205377
Banca
VUNESP
Órgão
APS
Ano
2024
Cargo
GP ( )

Você é um carpinteiro ou um jardineiro?

 

A maioria dos pais e mães que conheço tem entre suas preocupações a filha ou o filho “ser alguém na vida”. Há uma grande ansiedade em atuar desde criança para que os filhos “cheguem lá”. E aí é que pode morar o perigo, segundo a psicóloga comportamental americana Alison Gopnik. Para ela, nessa ânsia de impulsionar resultados dos rebentos, o que os pais e mães acabam muitas vezes fazendo é limitar o potencial deles.

 

“Muitos pais se concentram em fazer com que os filhos aprendam mais, melhor e mais rápido”, escreve Alison no livro O jardineiro e o Carpinteiro. “Nosso trabalho como pais não é moldar a mente dos nossos filhos: é deixar que explorem todas as possibilidades que o mundo permite. Não é dizer às crianças como brincar: é disponibilizar os brinquedos.”

 

Conheci Alison num curso. Em sua palestra, ela mostrou vídeos de um experimento feito com crianças em idade pré- -escolar e um brinquedo de tubos em que um fazia barulho, outro acendia, outro tocava música, outro tinha um espelho. Para metade das crianças, o pesquisador falou algo na linha: “Olhe meu brinquedo! Vou mostrar como funciona”. Para a outra metade, não disse nada. As crianças ensinadas previamente a usá-lo interagiam com ele de forma mais limitada. Já as demais brincaram mais livremente.

 

Ao mesmo tempo que as famílias foram encolhendo e tendo filhos mais tarde, muitos pais e mães passaram a trabalhar mais, focar a carreira e apelar a sites, canais e livros que “ensinam” a educar as crianças.

 

E aí está outro problema na visão de Alison: o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho, em vez de forma de amor. “Se você aceita a ideia de que ser pai é um tipo de trabalho, então você deve escolher entre esse tipo de trabalho e outros tipos de trabalho. As mães vivem infinitamente em conflito e se sentem forçadas a escolher entre diminuir a importância da maternidade e renunciar à carreira.”, afirma Alison.

 

E o que tudo isso tem a ver com o jardineiro e o carpinteiro do livro de Alison? O pai carpinteiro é o que tenta esculpir o filho para se tornar um certo tipo de pessoa. Já o jardineiro não consegue formar sozinho as plantas ou flores: trabalha para criar as condições para que elas floresçam.

 

A ideia de atuar como jardineiro pode ajudar a preparar os pais para a independência dos filhos. “Nossos filhos não só são independentes de nós e autônomos, como também fazem parte de uma nova geração que é autônoma e independente da anterior”, afirma.

 

E aí? Você se identifica mais com o estilo jardineiro ou carpinteiro?

(Luciana Garbin. O Estado de S.Paulo, 4 de abril de 2024. Adaptado)

Segundo a psicóloga Alison,
  1. Apais que consideram o ato de educar um filho um tipo de trabalho devem conciliá-lo com qualquer outro tipo de trabalho.
  2. Ba educação dos filhos, para a geração de hoje, constitui mais uma tarefa de amor e dedicação do que um encargo de tarefas.
  3. Cas mulheres que privilegiam a carreira profissional, em geral, abrem mão da maternidade, porém não vivem essa situação conflituosa com serenidade.
  4. Das famílias, hoje, costumam priorizar a profissão e têm os filhos mais tarde, quando a educação se torna mais eficiente porque tem suporte em livros educativos.
  5. Eos pais devem formar a mente dos filhos para que desenvolvam o potencial que têm e para que, no futuro, tenham o mesmo sucesso dos pais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — as mulheres que privilegiam a carreira profissional, em geral, abrem mão da maternidade, porém não vivem essa situação conflituosa com serenidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência a partir das pistas do texto

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que se sustenta por uma inferência ancorada no texto: a psicóloga afirma que as mães "vivem infinitamente em conflito e se sentem forçadas a escolher entre diminuir a importância da maternidade e renunciar à carreira", o que autoriza concluir que não vivem essa situação com serenidade. As demais alternativas ou extrapolam (acrescentam ideias que o texto não diz) ou contradizem o que está escrito.

O comando pede o que a psicóloga Alison afirma — ou seja, uma questão de compreensão (informação que está no texto, ainda que por vezes implícita). A tarefa é localizar a passagem que sustenta cada alternativa e verificar se ela diz exatamente aquilo, sem acrescentar nada de fora. A banca adora oferecer alternativas que parecem verdadeiras no mundo real, mas que o texto não autoriza — é o erro clássico de extrapolação.

O texto gira em torno da crítica de Alison Gopnik à forma como muitos pais tratam a educação dos filhos como um "trabalho" de moldar a criança (o "carpinteiro"), em vez de criar condições para que ela floresça (o "jardineiro"). No parágrafo central, ela aponta o conflito das mães:

"As mães vivem infinitamente em conflito e se sentem forçadas a escolher entre diminuir a importância da maternidade e renunciar à carreira."

Essa é a pista que sustenta a alternativa C: se vivem "em conflito" e "se sentem forçadas", a conclusão de que não vivem essa situação com serenidade é uma inferência legítima — o texto obriga a essa leitura, pois "conflito" e "forçadas" pressupõem desconforto, não tranquilidade.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto?". Se a resposta exigir acrescentar uma ideia que não está lá, é extrapolação — e extrapolar é errar, ainda que a frase soe verdadeira. A alternativa correta é a única que se apoia em uma pista textual (o conflito das mães) e não em suposições externas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa diz que pais que consideram a educação um trabalho "devem conciliá-lo com qualquer outro tipo de trabalho". O texto não diz isso. Alison apenas afirma que, se ser pai é um tipo de trabalho, "então você deve escolher entre esse tipo de trabalho e outros tipos de trabalho" — ou seja, há uma escolha, não uma conciliação. A alternativa contradiz o texto ao trocar "escolher" por "conciliar".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a educação dos filhos "constitui mais uma tarefa de amor e dedicação do que um encargo de tarefas". O texto, na verdade, critica exatamente o oposto: diz que "o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho, em vez de forma de amor". A alternativa inverte o sentido — o texto lamenta que o cuidado seja visto como trabalho, não que seja visto como amor. Contradiz o texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como vimos, a passagem "As mães vivem infinitamente em conflito e se sentem forçadas a escolher entre diminuir a importância da maternidade e renunciar à carreira" autoriza a inferência de que as mulheres que privilegiam a carreira não vivem essa situação com serenidade. O termo "conflito" e a expressão "se sentem forçadas" são pistas claras de desconforto. A alternativa é uma paráfrase fiel do que o texto permite concluir.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa diz que as famílias têm filhos mais tarde "quando a educação se torna mais eficiente porque tem suporte em livros educativos". O texto menciona que as famílias "foram encolhendo e tendo filhos mais tarde" e que os pais "apelam a sites, canais e livros que 'ensinam' a educar", mas não afirma que isso torna a educação "mais eficiente" — pelo contrário, o texto vê isso como "outro problema". A alternativa extrapola ao acrescentar um juízo positivo que o autor não faz.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os pais devem "formar a mente dos filhos para que desenvolvam o potencial que têm". O texto diz exatamente o oposto: "Nosso trabalho como pais não é moldar a mente dos nossos filhos: é deixar que explorem todas as possibilidades que o mundo permite". A alternativa contradiz o texto ao defender a "formação" da mente, que é justamente o que Alison critica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura extrapolação (alternativas D e A) com contradição (B e E). A correta exige inferência — não está literal, mas é obrigatória pelas pistas do texto.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "Segundo a psicóloga" pede o que ela afirma — mas cuidado: "afirma" pode incluir o que está implícito (inferência). Desconfie de alternativas que usam palavras absolutas como "qualquer", "sempre", "todos" — elas quase sempre restringem ou generalizam demais.

Gabarito: letra C. A resposta mora na passagem sobre o conflito das mães: quem vive "em conflito" e "se sente forçada" não vive com serenidade. As demais ou acrescentam o que o texto não diz (extrapolação) ou invertem o que ele afirma (contradição).

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