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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2024

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu205383
Banca
VUNESP
Órgão
APS
Ano
2024
Cargo
GP ( )

Você é um carpinteiro ou um jardineiro?

 

A maioria dos pais e mães que conheço tem entre suas preocupações a filha ou o filho “ser alguém na vida”. Há uma grande ansiedade em atuar desde criança para que os filhos “cheguem lá”. E aí é que pode morar o perigo, segundo a psicóloga comportamental americana Alison Gopnik. Para ela, nessa ânsia de impulsionar resultados dos rebentos, o que os pais e mães acabam muitas vezes fazendo é limitar o potencial deles.

 

“Muitos pais se concentram em fazer com que os filhos aprendam mais, melhor e mais rápido”, escreve Alison no livro O jardineiro e o Carpinteiro. “Nosso trabalho como pais não é moldar a mente dos nossos filhos: é deixar que explorem todas as possibilidades que o mundo permite. Não é dizer às crianças como brincar: é disponibilizar os brinquedos.”

 

Conheci Alison num curso. Em sua palestra, ela mostrou vídeos de um experimento feito com crianças em idade pré- -escolar e um brinquedo de tubos em que um fazia barulho, outro acendia, outro tocava música, outro tinha um espelho. Para metade das crianças, o pesquisador falou algo na linha: “Olhe meu brinquedo! Vou mostrar como funciona”. Para a outra metade, não disse nada. As crianças ensinadas previamente a usá-lo interagiam com ele de forma mais limitada. Já as demais brincaram mais livremente.

 

Ao mesmo tempo que as famílias foram encolhendo e tendo filhos mais tarde, muitos pais e mães passaram a trabalhar mais, focar a carreira e apelar a sites, canais e livros que “ensinam” a educar as crianças.

 

E aí está outro problema na visão de Alison: o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho, em vez de forma de amor. “Se você aceita a ideia de que ser pai é um tipo de trabalho, então você deve escolher entre esse tipo de trabalho e outros tipos de trabalho. As mães vivem infinitamente em conflito e se sentem forçadas a escolher entre diminuir a importância da maternidade e renunciar à carreira.”, afirma Alison.

 

E o que tudo isso tem a ver com o jardineiro e o carpinteiro do livro de Alison? O pai carpinteiro é o que tenta esculpir o filho para se tornar um certo tipo de pessoa. Já o jardineiro não consegue formar sozinho as plantas ou flores: trabalha para criar as condições para que elas floresçam.

 

A ideia de atuar como jardineiro pode ajudar a preparar os pais para a independência dos filhos. “Nossos filhos não só são independentes de nós e autônomos, como também fazem parte de uma nova geração que é autônoma e independente da anterior”, afirma.

 

E aí? Você se identifica mais com o estilo jardineiro ou carpinteiro?

(Luciana Garbin. O Estado de S.Paulo, 4 de abril de 2024. Adaptado)

As aspas presentes no trecho – ... muitos pais e mães passaram a trabalhar mais, focar a carreira e apelar a sites, canais e livros que “ensinam” a educar as crianças. – foram empregadas para
  1. Adeterminar o sentido exato do termo.
  2. Bespecificar uma palavra anterior.
  3. Cconcluir sobre a eficácia dos métodos digitais.
  4. Dreforçar a qualidade dos livros educativos.
  5. Ecolocar em dúvida alguns métodos educativos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — colocar em dúvida alguns métodos educativos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso das aspas: sentido de distanciamento crítico

Gabarito: letra E. As aspas em “ensinam” foram empregadas para colocar em dúvida a eficácia dos métodos educativos oferecidos por sites, canais e livros, marcando um distanciamento crítico da autora em relação a esses métodos. Isso se prova no próprio texto, que apresenta a visão da psicóloga Alison Gopnik de que os pais, ao tentarem impulsionar resultados, acabam limitando o potencial dos filhos — contexto que autoriza ler o verbo “ensinam” com ironia/ressalva.

O comando

A questão pergunta pela função das aspas em um trecho específico. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber que aspas podem indicar citação, ironia ou estrangeirismo; é preciso identificar qual desses usos ocorre naquele contexto. O comando "foram empregadas para" pede o efeito de sentido que o sinal produz ali.

O texto

O texto discute a diferença entre educar como "carpinteiro" (moldar a criança) e como "jardineiro" (criar condições para florescer). A tese central, atribuída a Alison Gopnik, é que a ânsia de impulsionar resultados limita o potencial das crianças. No trecho em questão, a autora diz que os pais passaram a "apelar a sites, canais e livros que 'ensinam' a educar as crianças". O verbo "ensinam" aparece entre aspas porque esses materiais não ensinam de verdade — eles prometem um método que, na visão da psicóloga, é justamente o oposto do que funciona.

A técnica

As aspas têm múltiplas funções: citação literal, destaque, estrangeirismo, gíria, ironia. A chave para distinguir é o contexto. Aqui, o verbo "ensinam" não é uma citação de ninguém, nem um estrangeirismo. É uma palavra usada com sentido especial: a autora a coloca entre aspas para sinalizar que não concorda com o que ela representa. É o uso irônico/distanciador: as aspas indicam que o termo deve ser lido com reserva, como se dissesse "os tais métodos que dizem ensinar".

"muitos pais e mães passaram a trabalhar mais, focar a carreira e apelar a sites, canais e livros que 'ensinam' a educar as crianças."

O contexto imediatamente anterior reforça essa leitura: a autora já apresentou a crítica de Alison de que os pais, ao tentarem "impulsionar resultados", limitam o potencial dos filhos. Ou seja, esses métodos que "ensinam" são justamente o alvo da crítica. As aspas marcam o distanciamento crítico da autora em relação à pretensa eficácia desses materiais.

Análise das alternativas

Aspas
  • 1Funções
    • Citação literal
    • Destaque
    • Estrangeirismo
    • Ironia/ressalva
  • 2Uso no texto
    • "ensinam"
    • Distanciamento crítico
    • Dúvida sobre a eficácia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Determinar o sentido exato do termo. As aspas não "determinam" sentido exato; pelo contrário, elas suspende o sentido literal, indicando que a palavra deve ser lida com ressalva. Determinar sentido exato seria função de uma definição, não de aspas. A alternativa tangencia o uso real.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Especificar uma palavra anterior. Não há palavra anterior que "ensinam" especifique. O verbo não retoma nem detalha nenhum termo anterior; ele é um elemento novo na enumeração. A alternativa extrapola uma função que não se aplica ao caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Concluir sobre a eficácia dos métodos digitais. As aspas não "concluem" nada; elas apenas sinalizam uma ressalva. Além disso, o texto não chega a uma conclusão sobre a eficácia — ele apenas critica a postura dos pais. A alternativa acrescenta uma informação (a conclusão) que não está no trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Reforçar a qualidade dos livros educativos. É exatamente o oposto: as aspas indicam que esses materiais não têm a qualidade que prometem. A alternativa contradiz o sentido do texto, que é crítico em relação a esses métodos.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Colocar em dúvida alguns métodos educativos. As aspas em "ensinam" marcam o distanciamento crítico da autora: ela não endossa que esses sites, canais e livros realmente ensinem. O contexto do texto — a crítica à ânsia de "impulsionar resultados" que "limita o potencial" — autoriza ler o verbo com ironia/ressalva. É o uso clássico de aspas para indicar que a palavra foi empregada com sentido especial, de desconfiança.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de sentido: as alternativas C e D parecem plausíveis porque falam de "métodos" e "livros", mas invertem o valor — o texto é crítico, não elogioso. A pegadinha está em não perceber que as aspas marcam ironia, não reforço.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver aspas, pergunte: "o autor concorda com o que a palavra diz, ou está se distanciando?" Se o contexto for crítico, é ironia/ressalva. Se for neutro, pode ser citação ou destaque.

Gabarito: letra E.

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