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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2024

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu205386
Banca
VUNESP
Órgão
APS
Ano
2024
Cargo
GP ( )

Você é um carpinteiro ou um jardineiro?

 

A maioria dos pais e mães que conheço tem entre suas preocupações a filha ou o filho “ser alguém na vida”. Há uma grande ansiedade em atuar desde criança para que os filhos “cheguem lá”. E aí é que pode morar o perigo, segundo a psicóloga comportamental americana Alison Gopnik. Para ela, nessa ânsia de impulsionar resultados dos rebentos, o que os pais e mães acabam muitas vezes fazendo é limitar o potencial deles.

 

“Muitos pais se concentram em fazer com que os filhos aprendam mais, melhor e mais rápido”, escreve Alison no livro O jardineiro e o Carpinteiro. “Nosso trabalho como pais não é moldar a mente dos nossos filhos: é deixar que explorem todas as possibilidades que o mundo permite. Não é dizer às crianças como brincar: é disponibilizar os brinquedos.”

 

Conheci Alison num curso. Em sua palestra, ela mostrou vídeos de um experimento feito com crianças em idade pré- -escolar e um brinquedo de tubos em que um fazia barulho, outro acendia, outro tocava música, outro tinha um espelho. Para metade das crianças, o pesquisador falou algo na linha: “Olhe meu brinquedo! Vou mostrar como funciona”. Para a outra metade, não disse nada. As crianças ensinadas previamente a usá-lo interagiam com ele de forma mais limitada. Já as demais brincaram mais livremente.

 

Ao mesmo tempo que as famílias foram encolhendo e tendo filhos mais tarde, muitos pais e mães passaram a trabalhar mais, focar a carreira e apelar a sites, canais e livros que “ensinam” a educar as crianças.

 

E aí está outro problema na visão de Alison: o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho, em vez de forma de amor. “Se você aceita a ideia de que ser pai é um tipo de trabalho, então você deve escolher entre esse tipo de trabalho e outros tipos de trabalho. As mães vivem infinitamente em conflito e se sentem forçadas a escolher entre diminuir a importância da maternidade e renunciar à carreira.”, afirma Alison.

 

E o que tudo isso tem a ver com o jardineiro e o carpinteiro do livro de Alison? O pai carpinteiro é o que tenta esculpir o filho para se tornar um certo tipo de pessoa. Já o jardineiro não consegue formar sozinho as plantas ou flores: trabalha para criar as condições para que elas floresçam.

 

A ideia de atuar como jardineiro pode ajudar a preparar os pais para a independência dos filhos. “Nossos filhos não só são independentes de nós e autônomos, como também fazem parte de uma nova geração que é autônoma e independente da anterior”, afirma.

 

E aí? Você se identifica mais com o estilo jardineiro ou carpinteiro?

(Luciana Garbin. O Estado de S.Paulo, 4 de abril de 2024. Adaptado)

A frase cujas concordâncias verbal e/ou nominal obedecem à norma-padrão é:
  1. AOs pais, eles mesmo devem optar por serem carpinteiros ou jardineiros.
  2. BDado as condições de as plantas florescer, o trabalho do jardineiro é essencial.
  3. CO cuidado dos filhos deixou de ser, para alguns, uma forma de amor.
  4. DSegue, no livro de Alison, as orientações para uma educação consciente.
  5. EFoi realizado uma palestra em que Alison mostrou uma experiência com crianças.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — O cuidado dos filhos deixou de ser, para alguns, uma forma de amor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal e nominal: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra C. A única frase que respeita integralmente a norma-padrão é "O cuidado dos filhos deixou de ser, para alguns, uma forma de amor" — nela, o verbo "deixou" concorda corretamente com o núcleo do sujeito "cuidado" (singular), e não há qualquer desvio nominal. As demais alternativas apresentam erros clássicos de concordância: sujeito posposto com verbo no singular (D), particípio invariável com sujeito feminino plural (E), locução "dado as condições" com concordância equivocada (B) e pronome "mesmo" sem flexão (A).

O comando: o que a banca pede

A questão é de correção gramatical — mais especificamente, de concordância verbal e nominal. O enunciado pede a frase que "obedece à norma-padrão", ou seja, aquela em que verbo concorda com sujeito e adjetivos/pronomes/particípios concordam com seus referentes em gênero e número. Não se trata de interpretação de texto: o conteúdo do texto-base serve apenas como pano de fundo; o que importa é a estrutura sintática de cada alternativa.

A técnica que decide: localize o núcleo do sujeito e o termo que exige concordância

Antes de testar cada alternativa, lembre-se do princípio central: o verbo concorda com o núcleo do sujeito em pessoa e número, e os determinantes (artigos, adjetivos, pronomes, particípios) concordam com o substantivo a que se referem. A banca adora "esconder" o sujeito depois do verbo ou intercalar termos entre eles para confundir. Por isso, o primeiro passo é isolar o núcleo do sujeito — o termo que realmente manda no verbo — e identificar a que palavra cada adjetivo/pronome/particípio se refere.

No texto-base, a passagem que inspira a alternativa correta é:

"o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho, em vez de forma de amor"

A alternativa C parafraseia essa ideia com estrutura sintática impecável: sujeito "O cuidado" (núcleo singular) + verbo "deixou" (3ª pessoa do singular) + predicativo "uma forma de amor". Não há termo exigindo flexão que esteja desalinhado.

As armadilhas da banca: o que cada erro ensina

A VUNESP montou as distratoras com os erros de concordância mais frequentes em prova. Veja o padrão:

Alternativa

Erro cometido

Tipo de concordância

A

"eles mesmo" — pronome "mesmo" sem flexão

Nominal

B

"Dado as condições" — particípio invariável com sujeito feminino plural

Nominal

D

"Segue... as orientações" — verbo no singular com sujeito posposto plural

Verbal

E

"Foi realizado uma palestra" — particípio invariável com sujeito feminino singular

Verbal/Nominal

A pegadinha central é confundir o núcleo do sujeito com termos intercalados. Em D, por exemplo, "no livro de Alison" é adjunto adverbial; o sujeito é "as orientações" (plural), então o verbo deveria ser "seguem". Em E, "uma palestra" é o sujeito paciente; como é feminino singular, o particípio deve concordar: "Foi realizada".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a concordância com sujeito posposto e com particípio em voz passiva — dois pontos em que o candidato tende a "achar" que o verbo concorda com o termo mais próximo, quando na verdade deve concordar com o núcleo do sujeito.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar cada alternativa, sublinhe o verbo e pergunte: quem pratica a ação? O termo que responde é o sujeito; o verbo deve concordar com o núcleo dele, não com o termo mais próximo.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: concordância nominal do pronome "mesmo". Em "Os pais, eles mesmo devem optar", o pronome "mesmo" refere-se a "eles" (masculino plural) e deveria flexionar: "eles mesmos". A forma invariável "mesmo" só é correta quando equivale a "realmente" (advérbio), o que não ocorre aqui. O texto-base fala de "pais e mães" que devem escolher entre os estilos, mas a alternativa erra justamente na flexão do pronome.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: concordância nominal do particípio "dado". Em "Dado as condições de as plantas florescer", o particípio "dado" concorda com o substantivo feminino plural "condições": o correto é "Dadas as condições". A forma invariável "dado" só é aceita em expressões como "dado que" (conjunção), o que não é o caso. O texto-base menciona o jardineiro que "trabalha para criar as condições para que elas floresçam", mas a alternativa erra na concordância do particípio.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Concordância verbal e nominal perfeitas. O sujeito é "O cuidado" (núcleo singular), o verbo "deixou" está na 3ª pessoa do singular, e o predicativo "uma forma de amor" concorda em gênero e número com o sujeito. Não há pronome, adjetivo ou particípio desalinhado. A frase é uma paráfrase direta do texto-base:

"o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho, em vez de forma de amor"

A alternativa troca "passou a ser visto" por "deixou de ser" — mantendo o sentido — e insere "para alguns", sem qualquer desvio gramatical.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: concordância verbal com sujeito posposto. Em "Segue, no livro de Alison, as orientações para uma educação consciente", o sujeito é "as orientações" (plural), posposto ao verbo. O correto é "Seguem... as orientações". O adjunto adverbial "no livro de Alison" intercala-se entre verbo e sujeito, mas não altera a concordância: o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito, que é plural.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: concordância do particípio em voz passiva. Em "Foi realizado uma palestra", o sujeito paciente é "uma palestra" (feminino singular). O particípio deve concordar com ele: "Foi realizada uma palestra". O texto-base menciona que Alison "mostrou vídeos de um experimento" em sua palestra, mas a alternativa erra na flexão do particípio, que deve acompanhar o gênero e o número do sujeito.

Conclusão: a única frase que obedece integralmente à norma-padrão é a letra C. As demais cometem erros clássicos de concordância — nominal (A, B) e verbal (D, E) — que a banca adora cobrar. Ao resolver questões assim, sempre isole o núcleo do sujeito e verifique a que termo cada palavra variável se refere; isso elimina a maioria das pegadinhas.

Gabarito: letra C

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