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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu205387
Banca
VUNESP
Órgão
APS
Ano
2024
Cargo
GP ( )

Você é um carpinteiro ou um jardineiro?

 

A maioria dos pais e mães que conheço tem entre suas preocupações a filha ou o filho “ser alguém na vida”. Há uma grande ansiedade em atuar desde criança para que os filhos “cheguem lá”. E aí é que pode morar o perigo, segundo a psicóloga comportamental americana Alison Gopnik. Para ela, nessa ânsia de impulsionar resultados dos rebentos, o que os pais e mães acabam muitas vezes fazendo é limitar o potencial deles.

 

“Muitos pais se concentram em fazer com que os filhos aprendam mais, melhor e mais rápido”, escreve Alison no livro O jardineiro e o Carpinteiro. “Nosso trabalho como pais não é moldar a mente dos nossos filhos: é deixar que explorem todas as possibilidades que o mundo permite. Não é dizer às crianças como brincar: é disponibilizar os brinquedos.”

 

Conheci Alison num curso. Em sua palestra, ela mostrou vídeos de um experimento feito com crianças em idade pré- -escolar e um brinquedo de tubos em que um fazia barulho, outro acendia, outro tocava música, outro tinha um espelho. Para metade das crianças, o pesquisador falou algo na linha: “Olhe meu brinquedo! Vou mostrar como funciona”. Para a outra metade, não disse nada. As crianças ensinadas previamente a usá-lo interagiam com ele de forma mais limitada. Já as demais brincaram mais livremente.

 

Ao mesmo tempo que as famílias foram encolhendo e tendo filhos mais tarde, muitos pais e mães passaram a trabalhar mais, focar a carreira e apelar a sites, canais e livros que “ensinam” a educar as crianças.

 

E aí está outro problema na visão de Alison: o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho, em vez de forma de amor. “Se você aceita a ideia de que ser pai é um tipo de trabalho, então você deve escolher entre esse tipo de trabalho e outros tipos de trabalho. As mães vivem infinitamente em conflito e se sentem forçadas a escolher entre diminuir a importância da maternidade e renunciar à carreira.”, afirma Alison.

 

E o que tudo isso tem a ver com o jardineiro e o carpinteiro do livro de Alison? O pai carpinteiro é o que tenta esculpir o filho para se tornar um certo tipo de pessoa. Já o jardineiro não consegue formar sozinho as plantas ou flores: trabalha para criar as condições para que elas floresçam.

 

A ideia de atuar como jardineiro pode ajudar a preparar os pais para a independência dos filhos. “Nossos filhos não só são independentes de nós e autônomos, como também fazem parte de uma nova geração que é autônoma e independente da anterior”, afirma.

 

E aí? Você se identifica mais com o estilo jardineiro ou carpinteiro?

(Luciana Garbin. O Estado de S.Paulo, 4 de abril de 2024. Adaptado)

Leia as frases:

 

E aí é que pode morar o perigo, segundo a psicóloga...

 

... o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho...

 

... trabalha para criar as condições para que elas floresçam...

 

Os termos em destaque estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido ou circunstância de:

  1. Aconformidade; inclusão; finalidade.
  2. Bexplicação; alternância; origem.
  3. Cconclusão; explicação; finalidade.
  4. Dexplicação; condição; conclusão.
  5. Econformidade; acréscimo; oposição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — conformidade; inclusão; finalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações de sentido: conformidade, inclusão e finalidade

Gabarito: letra A. A questão pede que se identifiquem as relações de sentido estabelecidas pelos termos destacados: "segundo" (conformidade), "também" (inclusão) e "para que" (finalidade). A alternativa A é a única que nomeia corretamente essas três relações, como se prova nos trechos do texto.

O comando é direto: pede que se reconheça a circunstância ou relação de sentido que cada termo destacado estabelece no contexto em que aparece. Não se trata de interpretar o texto, mas de analisar o valor semântico de conectivos e palavras denotativas — uma questão de semântica aplicada ao texto.

No texto, cada termo aparece em um contexto que revela seu valor:

"E aí é que pode morar o perigo, segundo a psicóloga..."

Aqui, "segundo" introduz a fonte da informação, ou seja, indica conformidade com o que a psicóloga diz. É o mesmo valor de "conforme", "de acordo com".

"...o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho..."

"Também" é uma palavra denotativa de inclusão: acrescenta uma nova possibilidade à ideia anterior (o cuidado como forma de amor e, também, como forma de trabalho). Não é alternância, nem explicação — é soma, acréscimo.

"...trabalha para criar as condições para que elas floresçam..."

"Para que" é uma locução conjuntiva que introduz oração subordinada adverbial final: indica a finalidade do trabalho do jardineiro. Responde à pergunta "para quê?" — para que as plantas floresçam.

A técnica para resolver: teste cada termo substituindo por sinônimos. Se "segundo" = "conforme" → conformidade; se "também" = "além disso" → inclusão; se "para que" = "a fim de que" → finalidade. A alternativa que mantém os três sentidos é a correta.

1"segundo"
Conformidade
= conforme, de acordo com
2"também"
Inclusão
= soma, acréscimo
3"para que"
Finalidade
= a fim de que
Relações de sentido
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Relações de sentido: "segundo" (Conformidade, = conforme, de acordo com); "também" (Inclusão, = soma, acréscimo); "para que" (Finalidade, = a fim de que)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A nomeia exatamente as três relações: conformidade ("segundo" = conforme a psicóloga), inclusão ("também" = soma, acréscimo) e finalidade ("para que" = a fim de que). Cada termo, no contexto, tem exatamente esse valor. É a única que acerta as três.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "segundo" como explicação (é conformidade) e "também" como alternância (é inclusão). "Também" não alterna possibilidades; ele as soma. O erro está em trocar o conceito de inclusão por alternância.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "segundo" como conclusão (é conformidade). "Segundo" não conclui nada; apenas remete à fonte do que se afirma. Os outros dois termos estão corretos, mas basta um erro para invalidar a alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "segundo" como explicação (é conformidade) e "para que" como conclusão (é finalidade). "Para que" não conclui; indica o objetivo da ação. Dupla troca de conceito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "também" como acréscimo (que seria aceitável como sinônimo de inclusão) e "para que" como oposição (é finalidade). "Para que" não opõe nada; estabelece a finalidade da ação. O erro está em trocar o conceito de finalidade por oposição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os nomes das relações para confundir: "explicação" no lugar de "conformidade", "alternância" no lugar de "inclusão", "oposição" no lugar de "finalidade". A saída é substituir cada termo por um sinônimo clássico e ver qual relação se mantém.

PEGA ESSA DICA!

Memorize os sinônimos canônicos: "segundo" = conforme (conformidade); "também" = além disso (inclusão); "para que" = a fim de que (finalidade). Se a troca preservar o sentido, o nome da relação está certo.

Gabarito: letra A — a única que acerta as três relações de sentido no contexto do texto.

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