Questão de Português — Correlação Verbal — VUNESP 2024
Português›Correlação Verbal
Código
vu205394
Banca
VUNESP
Órgão
APS
Ano
2024
Cargo
Tec ST ( )
(Fernando Gonsales. Níquel Náusea. Folha de S.Paulo. 20.04.2024)
De acordo com a norma-padrão de emprego das formas verbais, se a frase do 2º quadro fosse “Caso o cachorro dormisse com você, não anti-higiênico?”, a lacuna seria corretamente preenchida por:
Aachasse
Bacharia
Cachou
Dteria achado
Eachava
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GabaritoB — acharia
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Correlação verbal: a dobradinha do futuro do pretérito
Gabarito: letra B. A frase "Caso o cachorro dormisse com você, não ______ anti-higiênico?" exige o futuro do pretérito do indicativo na oração principal, porque a oração condicional iniciada por "Caso" está no pretérito imperfeito do subjuntivo ("dormisse"). A correlação verbal canônica é: pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito do indicativo, exatamente a dobradinha que a alternativa B ("acharia") completa.
O comando: gramática normativa aplicada à frase
A questão não pede interpretação de texto, mas emprego das formas verbais segundo a norma-padrão. O verbo "achar" deve ser flexionado de modo a manter a harmonia temporal e modal com o verbo da oração subordinada. O comando "de acordo com a norma-padrão" sinaliza que a resposta é determinada pela correlação verbal, não pelo sentido que "soa melhor" ao ouvido.
A técnica: a dobradinha condicional
A correlação verbal é a relação de dependência semântica e formal entre os verbos de um período composto. Quando a oração subordinada é condicional (iniciada por "se", "caso", "contanto que") e o verbo está no pretérito imperfeito do subjuntivo ("dormisse"), a oração principal deve vir no futuro do pretérito do indicativo (terminação -ria).
"Caso o cachorro dormisse com você, não acharia anti-higiênico?"
A lógica é de hipótese irreal ou improvável no presente/passado: a condição (dormir com você) é apresentada como algo que não se realiza, e a consequência (achar anti-higiênico) é uma possibilidade que depende dessa condição. O futuro do pretérito expressa exatamente essa possibilidade dependente de uma condição não realizada.
A regra que decide
A correlação verbal é a harmonia obrigatória entre os tempos e modos verbais de um período composto. No caso da condicional, a dobradinha clássica é:
Oração subordinada (condição)
Oração principal (consequência)
Pretérito imperfeito do subjuntivo (dormisse)
Futuro do pretérito do indicativo (acharia)
Essa combinação expressa fato hipotético, improvável ou irreal, como em:
"Se eu tivesse dinheiro, compraria um carro."
"Caso você estudasse, passaria no concurso."
A banca adora cobrar essa dobradinha, e a pegadinha clássica é trocar o futuro do pretérito pelo pretérito imperfeito do subjuntivo ("achasse"), que tem forma parecida mas função diferente: o subjuntivo marca a condição, não a consequência.
Análise das alternativas
Correlação condicional
1Oração subordinada (condição)
Pretérito imperfeito do subjuntivo
"dormisse", "tivesse", "estudasse"
2Oração principal (consequência)
Futuro do pretérito do indicativo
"acharia", "compraria", "passaria"
3Erros comuns
Mesmo tempo da condição (achasse)
Pretérito perfeito (achou)
Futuro composto (teria achado)
Imperfeito do indicativo (achava)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"Achasse" é o pretérito imperfeito do subjuntivo, o mesmo tempo do verbo "dormisse". Colocá-lo na oração principal criaria duas orações subordinadas sem oração principal, quebrando a estrutura do período. A frase ficaria "Caso o cachorro dormisse com você, não achasse anti-higiênico?" — sem sentido, pois a consequência não pode estar no mesmo modo da condição. Erro: troca de tempo/modo verbal (usa o subjuntivo onde o indicativo é exigido).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Acharia" é o futuro do pretérito do indicativo, exatamente o tempo exigido pela correlação com o pretérito imperfeito do subjuntivo "dormisse". A frase completa: "Caso o cachorro dormisse com você, não acharia anti-higiênico?" — perfeita harmonia temporal e modal. Correta: cumpre a dobradinha condicional canônica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Achou" é o pretérito perfeito do indicativo, que expressa fato concluído no passado. Não combina com a hipótese expressa por "dormisse", pois mistura uma condição irreal com uma consequência factual. A frase "Caso o cachorro dormisse com você, não achou anti-higiênico?" soa estranha e viola a correlação. Erro: tempo verbal incompatível (pretérito perfeito não se correlaciona com pretérito imperfeito do subjuntivo em condicional).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Teria achado" é o futuro do pretérito composto do indicativo, que expressa uma ação anterior à condição, ou seja, algo que teria ocorrido antes do fato hipotético. Na frase, a consequência é posterior à condição (primeiro dorme, depois acha), então o composto não se aplica. Erro: tempo composto com valor de anterioridade (inverte a ordem temporal).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Achava" é o pretérito imperfeito do indicativo, que expressa ação contínua ou habitual no passado. Não combina com a hipótese irreal de "dormisse", pois o imperfeito do indicativo indica fato real no passado, não consequência hipotética. Erro: modo indicativo com valor factual (não expressa a dependência da condição).
Fechamento
A regra de ouro: na condicional com pretérito imperfeito do subjuntivo, a oração principal exige futuro do pretérito do indicativo. Teste cada alternativa perguntando: "essa forma expressa uma consequência hipotética dependente da condição?" — só "acharia" faz isso.
PEGA ESSA DICA!
Memorize a dobradinha "se eu pudesse, eu faria" — ela resolve a maioria das questões de correlação condicional. Desconfie de alternativas com o mesmo tempo do verbo da condição (subjuntivo) ou com tempos do passado factual (perfeito/imperfeito do indicativo).