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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205395
Banca
VUNESP
Órgão
APS
Ano
2024
Cargo
Tec ST ( )

Funk: expressão cultural, preconceitos e as várias faces da sociedade brasileira

 

Se o samba, há décadas, é vendido como símbolo da identidade nacional brasileira, nem sempre foi assim. No começo do século 20, sambistas, oriundos das camadas populares e negras da população, eram marginalizados ao ponto de serem presos, acusados de vadiagem, uma contravenção penal. Gêneros musicais que antecederam o samba, também fortemente associados aos negros, como o lundu, o maxixe e o jongo, eram acusados de terem coreografias e letras indecentes. Foi apenas na Era Vargas, entre 1930 e 1945, que o Estado passou a valorizar manifestações culturais populares como o samba, mas, ao mesmo tempo, tentando domesticá-las para adaptá-las às ideologias oficiais do governo: o nacionalismo, o trabalhismo e a democracia racial.

 

É nesse quadro que o repúdio de tanta gente ao funk deve ser compreendido. Muitas das acusações sofridas pelo funk estão presentes em outros gêneros musicais associados a um público bem específico: jovens, negros, pobres, moradores de favelas e periferias. Assim como o pagode baiano e o tecnobrega, o funk é acusado de fazer apologia ao crime, às drogas e ao sexo. E como o sertanejo, o forró eletrônico e o pagode romântico, o funk, muitas vezes, é taxado de “música pobre”. Os critérios que fazem um gênero musical ser considerado “pobre”, no entanto, variam de acordo com os diferentes valores dos diferentes grupos sociais.

 

Uma música que valoriza mais o ritmo, a batida e a dança do que a letra e a harmonia pode ser a mais “rica” para se animar um baile, por exemplo. Já o funk ostentação, com letras que fazem apologia a marcas de luxo, apesar de ser acusado de alienado, questiona distinções sociais por meio do consumo e não deixa de expressar uma demanda de jovens pobres e periféricos por reconhecimento e visibilidade.

(Danilo Cymrot. Revista E. Abril de 2024. Adaptado)

Com base no texto, é correto afirmar que o samba
  1. Aera proibido e censurado até a Era Vargas, motivo pelo qual não existem gravações anteriores a esse período.
  2. Bfoi, no início do século 20, associado aos negros, embora estivesse mais presente entre outros grupos da população.
  3. Coriginou-se de gêneros musicais como o lundu, o maxixe e o jongo, que eram considerados mais sérios do que o samba.
  4. Ddeu origem ao funk carioca, o qual também é considerado hoje um símbolo da identidade nacional.
  5. Eera mal visto no século passado por ser associado a negros e pobres, passando aos poucos a fazer parte da identidade do país.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — era mal visto no século passado por ser associado a negros e pobres, passando aos poucos a fazer parte da identidade do país.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão textual: a trajetória do samba no texto

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única inteiramente sustentada pelo texto: o samba era "mal visto" no início do século XX por estar associado a "camadas populares e negras", e só depois passou a ser "vendido como símbolo da identidade nacional brasileira". A passagem que ancora essa leitura está no primeiro parágrafo, quando o autor afirma que os sambistas eram "marginalizados ao ponto de serem presos" e que, na Era Vargas, o Estado passou a "valorizar manifestações culturais populares como o samba".

O comando pede uma compreensão ("é correto afirmar"), ou seja, exige que a resposta seja uma paráfrase fiel de informação explícita no texto — nada de inferir, completar ou extrapolar. A tarefa é localizar a passagem que descreve a trajetória do samba e confrontar cada alternativa com ela, palavra por palavra.

O texto desenvolve um movimento claro: começa mostrando que o samba nem sempre foi símbolo nacional — no começo do século XX, sambistas pobres e negros eram presos por vadiagem; depois, na Era Vargas (1930–1945), o Estado passou a valorizar essas manifestações, ainda que tentando "domesticá-las" para as ideologias oficiais. É exatamente essa trajetória — da marginalização à valorização — que a alternativa E resume.

A técnica decisiva aqui é o teste da passagem: para cada alternativa, pergunte "onde o texto autoriza isto?". Se a resposta exigir acrescentar informação de fora, a alternativa está errada por definição. A banca VUNESP adora montar distratores que extrapolam (A), restringem (B), invertem relações (C) ou inventam vínculos (D) — todos com aparência de plausibilidade, mas nenhum ancorado no texto.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando antes de ler as alternativas. "É correto afirmar" = compreensão = a resposta está escrita no texto; se você precisar "deduzir" ou "imaginar", está no caminho errado.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto diz que sambistas eram "presos, acusados de vadiagem", mas não afirma que o samba era "proibido e censurado" nem que "não existem gravações anteriores" à Era Vargas. A alternativa inventa um dado factual (a inexistência de gravações) que o texto não menciona em nenhum momento. É a clássica extrapolação com aparência de verdade histórica — mas o que importa é o que o texto diz, não o mundo real.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que os sambistas eram "oriundos das camadas populares e negras da população" — ou seja, o samba estava fortemente presente entre negros e pobres. A alternativa inverte essa relação ao dizer que o samba estava "mais presente entre outros grupos da população", o que contradiz frontalmente a passagem citada. A banca troca um vocábulo crucial ("associado" por "mais presente entre outros grupos") para inverter o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto diz que o lundu, o maxixe e o jongo "antecederam" o samba — ou seja, vieram antes dele, não que o samba "originou-se" deles. Além disso, o texto afirma que esses gêneros eram "acusados de terem coreografias e letras indecentes", não que eram "considerados mais sérios" que o samba. A alternativa inverte a relação temporal (anteceder ≠ originar) e inverte o juízo de valor (indecentes ≠ mais sérios).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não afirma que o samba "deu origem ao funk carioca" nem que o funk é "símbolo da identidade nacional". O texto apenas aproxima o funk do samba por analogia: ambos sofrem preconceito por serem associados a negros e pobres. A alternativa inventa um vínculo causal (samba → funk) que não existe no texto. É uma fuga ao tema: fala de algo remotamente correlato, mas que o texto não abordou.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E é a única paráfrase fiel do texto. Veja a correspondência ponto a ponto:

"No começo do século 20, sambistas, oriundos das camadas populares e negras da população, eram marginalizados ao ponto de serem presos"

Isso autoriza "era mal visto no século passado por ser associado a negros e pobres". E a segunda parte:

"Foi apenas na Era Vargas... que o Estado passou a valorizar manifestações culturais populares como o samba"

Isso autoriza "passando aos poucos a fazer parte da identidade do país", reforçado pela abertura do texto: "Se o samba, há décadas, é vendido como símbolo da identidade nacional brasileira, nem sempre foi assim". A alternativa não acrescenta nada — apenas reescreve com outras palavras o que o texto já diz.

Conclusão: a questão ensina o método mais importante da compreensão textual: a resposta mora no texto. Teste cada alternativa perguntando "onde o texto autoriza isto?" — a correta é a única que se sustenta sem precisar de nenhuma informação de fora. As demais ou extrapolam (A, D), ou contradizem (B, C), ou invertem relações (C).

Gabarito: letra E

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