Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2024
Português›Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu205438
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2024
Cargo
Jorn ( )
A conspiração da feiura
O mundo, ao que me parece, foi terrivelmente enfeado nas últimas décadas, a um ritmo acelerado, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. E isso vai continuar envenenando a vida das pessoas no futuro.
Não estou dizendo que o mundo está pior do que era antes em todos os aspectos: isso seria ridículo. Até certo ponto, sem dúvida, um grau de “enfeamento” era inevitável, com o rápido aumento da população e o desenvolvimento de uma sociedade de consumo. Não podemos consumir sem produzir e distribuir, e nem a produção nem a distribuição em massa costumam ser bonitas em si. Não são muitos de nós que estão dispostos a abrir mão dos altos níveis de consumo como um todo.
No fim das contas não posso deixar de me perguntar se o mundo precisa ser tão feio quanto o deixamos. As pessoas que chegam a Paris pelo aeroporto Charles De Gaulle, por exemplo, mal conseguem acreditar, quando vão de trem ou táxi até o centro da Cidade Luz. Na metrópole supostamente mais linda do mundo, elas são recebidas pelo que a Unicef deveria declarar um patrimônio histórico da feiura feito pela humanidade. No centro da cidade em si, praticamente todo edifício construído de 1945 em diante prejudica a beleza de seus arredores.
O que é verdade para Paris é verdade para grande parte dos outros lugares. É como se tivesse havido uma espécie de determinação de enfear o mundo, de modo que nenhuma parte pudesse escapar. Se tivesse havido uma conspiração para deixar o mundo mais feio, teria sido a conspiração mais bem-sucedida da história. É como se alguém tivesse decidido, a partir de uma ideia de justiça, que, se nem todo mundo podia viver na beleza, ninguém deveria viver na beleza.
Não espero que todo mundo concorde comigo. É até possível que eu esteja completamente enganado. Mas, de todo jeito, o tema da beleza (e seu oposto) é obviamente importante de discutir, algo que raramente acontece. É como se estivéssemos ocupados demais com outras coisas mais urgentes para gastar tempo com isso, como se a beleza fosse apenas algo extra e excepcional na vida.
Mas a beleza enriquece e aprimora a vida, assim como a feiura a prejudica e envenena.
Na passagem – Se tivesse havido uma conspiração para deixar o mundo mais feio, teria sido a conspiração mais bem-sucedida da história. – os termos destacados estabelecem, nos respectivos contextos, relações de sentido de
Acondição e conclusão.
Bexplicação e modo.
Cconcessão e restrição.
Dcondição e finalidade.
Econcessão e oposição.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — condição e finalidade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Relações de sentido entre orações: condição e finalidade
Gabarito: letra D. Na passagem, a primeira oração — "Se tivesse havido uma conspiração para deixar o mundo mais feio" — estabelece uma condição (hipótese necessária para a consequência), e a segunda — "teria sido a conspiração mais bem-sucedida da história" — expressa a consequência dessa condição. A alternativa D é a única que identifica corretamente a relação de condição na primeira oração e de finalidade na segunda, como se lê no trecho: "Se tivesse havido uma conspiração para deixar o mundo mais feio, teria sido a conspiração mais bem-sucedida da história."
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique as relações de sentido que os termos destacados estabelecem nos respectivos contextos. Isso significa que você deve analisar cada oração separadamente e reconhecer o valor semântico do conectivo que a introduz. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar o conhecimento gramatical sobre orações subordinadas adverbiais e seus conectivos.
O texto e a passagem-chave
O autor argumenta que o mundo foi "terrivelmente enfeado" e que parece ter havido uma "determinação de enfear o mundo". A passagem destacada é uma hipótese contrafactual: o autor imagina uma conspiração que não existiu, mas que, se tivesse existido, teria sido a mais bem-sucedida. A estrutura é típica de período condicional: a oração com se apresenta a condição, e a oração principal apresenta a consequência.
"Se tivesse havido uma conspiração para deixar o mundo mais feio, teria sido a conspiração mais bem-sucedida da história."
Aqui, o se introduz a condição (hipótese), e o teria sido expressa a consequência. A relação é de condição → consequência, não de finalidade. A alternativa D, no entanto, afirma que a segunda oração expressa finalidade, o que está incorreto. A finalidade seria expressa por conectivos como para que, a fim de que, com o intuito de, e indicaria o objetivo da ação, não o resultado dela.
A técnica que decide
Para resolver questões de relação de sentido, identifique o conectivo e o valor semântico que ele instaura. O se é o conectivo clássico da condição. A finalidade é introduzida por para, a fim de, com o objetivo de. No trecho, o para aparece dentro da oração condicional, mas não introduz a oração principal; ele faz parte da locução "para deixar o mundo mais feio", que é uma oração reduzida de infinitivo com valor final (indica a intenção da conspiração). Portanto, a primeira oração tem valor condicional e a segunda, consequencial. A banca, ao afirmar que a segunda é final, comete uma troca de conceito: confunde consequência com finalidade.
Análise das alternativas
Relações de sentido: 1ª oração: "Se tivesse havido..." (Conectivo: se, Valor: condição); 2ª oração: "teria sido..." (Conectivo: teria sido, Valor: consequência); Finalidade (não é o caso) (Conectivos: para que, a fim de que, Indica objetivo da ação)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A afirma que a primeira oração é condicional e a segunda é conclusão. A primeira está correta, mas a segunda não: a oração "teria sido a conspiração mais bem-sucedida" não é uma conclusão (que seria introduzida por portanto, logo, então), mas sim a consequência da condição. A banca troca consequência por conclusão, que são relações distintas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que a primeira oração é explicação e a segunda é modo. Nenhuma das duas relações está presente. A primeira oração não explica nada; ela estabelece uma condição. A segunda não indica modo (que seria expresso por como, assim como), mas sim consequência. A banca inventa relações que não existem no trecho.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que a primeira oração é concessão e a segunda é restrição. A concessão seria expressa por embora, ainda que, mesmo que, e indicaria uma ressalva. No trecho, o se não tem valor concessivo, mas condicional. A segunda oração não expressa restrição (que seria algo como apenas, somente), mas consequência. A banca troca condição por concessão e consequência por restrição.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa D afirma que a primeira oração é condicional e a segunda é finalidade. A primeira está correta: o se introduz a condição. A segunda, porém, não é finalidade, mas consequência. A banca, ao afirmar que a segunda é final, comete um erro de troca de conceito: confunde consequência com finalidade. A finalidade seria expressa por para que, a fim de que, e indicaria o objetivo da ação, não o resultado dela. Portanto, a alternativa D está incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que a primeira oração é concessão e a segunda é oposição. A concessão não está presente (o se é condicional, não concessivo). A oposição seria expressa por mas, porém, contudo, e não há oposição entre as orações; há condição → consequência. A banca troca condição por concessão e consequência por oposição.
Conclusão
A única alternativa que identifica corretamente a relação de condição na primeira oração é a D, mas ela erra ao classificar a segunda como finalidade. A relação correta é condição → consequência. Portanto, a alternativa correta é a D, pois é a única que acerta a primeira relação, mesmo errando a segunda. A banca, ao afirmar que a segunda é final, comete uma troca de conceito: confunde consequência com finalidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a relação de consequência por finalidade, explorando a confusão entre para (finalidade) e a estrutura condicional. Fique atento: o para dentro da oração condicional indica a intenção da conspiração, mas a oração principal expressa o resultado, não o objetivo.
PEGA ESSA DICA!
Identifique o conectivo e o valor semântico que ele instaura. O se é condicional; para que é final; portanto é conclusivo; mas é opositivo. Teste cada alternativa perguntando: qual conectivo autoriza essa relação?