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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu205456
Banca
VUNESP
Órgão
Pref GRU
Ano
2024
Cargo
Eng ( )

Quanto mais difícil, melhor

 

Assim como os historiadores, bibliotecários e arquivistas, vivo profissionalmente às voltas com livros centenários, documentos antigos e recortes amarelados. Isso significa coabitar com poeira, mofo e populações inteiras de fungos. O problema é que sou alérgico a bolor e sofro as consequências do manuseio dessas relíquias. Um amigo me perguntou se uso máscara para trabalhar. Respondi: “Não. Uso espirro. A cada espirro voam várias gerações de fungos”.

 

A incompatibilidade entre certas condições físicas e a profissão de seus portadores pode ser dramática. Minha amiga, a feminista Rose Marie Muraro, nascida quase cega, precisava usar óculos muito grossos e lupa para conseguir ler. E qual era sua profissão? Leitora da Editora Vozes. Portinari, para muitos o maior pintor brasileiro, era alérgico a certas tintas. Morreu em 1962, envenenado por elas, depois de 40 anos de trabalho. E Garrincha, cujos dribles você sabe, tinha uma perna para dentro e outra para fora, como dois parênteses lado a lado:)).

 

Beethoven era surdo, o que, pelo visto, não lhe fazia diferença. Django Reinhardt, imortal guitarrista do jazz, tinha dois dedos paralisados na mão esquerda. E a Harold Lloyd, um dos grandes da comédia no cinema mudo americano, faltavam dois na direita – e foi sem eles que escalou um edifício em Nova York em seu filme “O Homem-Mosca” (1923), fazendo ele próprio quase todas as cenas.

 

John Wayne, Humphrey Bogart, James Stewart, Frank Sinatra, Bing Crosby, Fred Astaire, Gene Kelly, Henry Fonda e Sean Connery tinham algo em comum: eram carecas. Não que haja problema nisso, mas, na velha Hollywood, Ava Gardner, Grace Kelly e Raquel Welch nunca poderiam ser beijadas por carecas, ainda que galãs. Sem problema – as perucas eram tão perfeitas que ninguém notava.

 

Este artigo deve me custar uns cinco espirros.

 

(Ruy Castro. Folha de S.Paulo, 14.12.2023. Adaptado)

Leia o texto para reseponder a questão.   Na passagem do 2o parágrafo – E Garrincha, cujos dribles você sabe, tinha uma perna para dentro e outra para fora, como dois parênteses lado a lado:)). –, o autor usa a informação “))” com a intenção de
  1. Asugerir que Garrincha era talentoso e não tinha problemas nas pernas.
  2. Bdesqualificar Garrincha pela forma como realizava os seus dribles.
  3. Cdemonstrar ao leitor que ambas as pernas de Garrincha eram invertidas.
  4. Dtornar visível ao leitor a informação que apresenta sobre Garrincha.
  5. Eevidenciar o despreparo de Garrincha para os dribles por causa da perna.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — tornar visível ao leitor a informação que apresenta sobre Garrincha.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O uso expressivo de “))” no texto de Ruy Castro

Gabarito: letra D. O autor usa a informação “))” com a intenção de tornar visível ao leitor a informação que apresenta sobre Garrincha, ou seja, transformar em imagem a descrição das pernas tortas do jogador. A passagem que ancora essa leitura é a comparação explícita: “tinha uma perna para dentro e outra para fora, como dois parênteses lado a lado:))”. O símbolo “))” é a materialização gráfica da comparação — ele desenha os dois parênteses que o texto acaba de mencionar, fazendo o leitor “ver” a deformidade descrita.

O comando da questão é de interpretação de um recurso expressivo: não se pergunta o que o texto afirma literalmente, mas qual a intenção do autor ao empregar aquele sinal gráfico. Isso muda a resolução: não basta localizar a informação; é preciso depreender a função daquele elemento no contexto. A banca quer que o candidato perceba que “))” não é um erro de digitação nem um adorno gratuito — é um recurso icônico que reproduz visualmente o que as palavras descrevem.

O texto de Ruy Castro é uma crônica que brinca com a ideia de que grandes artistas e esportistas tinham limitações físicas que não os impediram de brilhar. No 2º parágrafo, o autor cita Garrincha e sua perna torta como exemplo de superação. A comparação “como dois parênteses lado a lado” já é visual, mas o autor radicaliza ao acrescentar “))” — dois parênteses fechados que, juntos, formam a imagem das duas pernas tortas. O sinal não acrescenta informação nova; ele reforça a descrição, dando ao leitor uma representação visual imediata.

A técnica para resolver questões assim é perguntar qual o efeito de sentido do elemento destacado. No caso, “))” funciona como uma imagem — um recurso típico da linguagem visual aplicado ao texto escrito. As alternativas erradas tentam extrapolar ou distorcer essa função: algumas atribuem juízos de valor (talento, despreparo), outras interpretam o símbolo como descrição literal das pernas. A correta, D, capta exatamente a função de tornar visível.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o sentido literal da comparação e o efeito visual do símbolo. “))” não é uma descrição médica, é um recurso expressivo — e as alternativas que falam em “invertidas”, “desqualificar” ou “despreparo” caem na armadilha de acrescentar opinião que o texto não sustenta.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver um sinal gráfico incomum (parênteses, reticências, aspas), pergunte: qual efeito ele produz no leitor? Se ele “desenha” algo, a função é visual/icônica — não literal.

1Função
Tornar visível a informação
Materializar a comparação
Reforço visual da descrição
2O que NÃO é
Erro de digitação
Adorno gratuito
Descrição literal das pernas
3Efeito no leitor
"Ver" a deformidade
Representação icônica
Recurso expressivo "))"
LEVELsoulevel.com.br
Recurso expressivo "))": Função (Tornar visível a informação, Materializar a comparação, Reforço visual da descrição); O que NÃO é (Erro de digitação, Adorno gratuito, Descrição literal das pernas); Efeito no leitor ("Ver" a deformidade, Representação icônica)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não diz que Garrincha era talentoso nem que não tinha problemas nas pernas. Pelo contrário, afirma que ele tinha “uma perna para dentro e outra para fora” — ou seja, havia um problema físico. A alternativa inventa uma ideia de “talento” que não está no trecho e ainda contradiz a informação explícita sobre as pernas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: opinião embutida. O autor não desqualifica Garrincha; ele o cita como exemplo de superação, ao lado de Beethoven e Portinari. A palavra “desqualificar” é um juízo de valor que não aparece no texto. O tom é de admiração, não de crítica. A alternativa acrescenta uma avaliação negativa que o autor não externou.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto diz que Garrincha tinha “uma perna para dentro e outra para fora” — ou seja, uma perna torta para cada lado, não ambas invertidas. A alternativa distorce a informação ao dizer que as duas eram “invertidas”. Além disso, “))” não descreve literalmente as pernas; ele as representa visualmente.

Alternativa D — ✅ Correta

É a única sustentada pelo texto. A comparação “como dois parênteses lado a lado” é seguida do símbolo “))”, que materializa a imagem. O autor quer que o leitor veja as pernas tortas, não apenas leia sobre elas. A função é tornar visível — exatamente o que a alternativa afirma. A passagem “como dois parênteses lado a lado:))” prova que o sinal é a representação gráfica da descrição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação + opinião. O texto não diz que Garrincha era despreparado para os dribles; pelo contrário, “cujos dribles você sabe” sugere que ele era famoso por eles. A alternativa inverte o sentido: a perna torta não é apresentada como impedimento, mas como peculiaridade que não o impediu de brilhar. O autor não faz juízo negativo.

Conclusão: a questão testa a função expressiva de um sinal gráfico. A correta é a letra D, pois “))” é um recurso icônico que torna visível a informação sobre as pernas de Garrincha. As demais extrapolam, contradizem ou embutem opiniões que o texto não sustenta.

Gabarito: letra D

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